Ciúme

Semana passada um leitor do Blog escreveu pedindo que eu falasse sobre o ciúme, à luz do Behaviorismo Radical. O ciúme é um comportamento humano extremamente comum e universal. De forma geral, podemos dizer que nenhuma pessoa pode afirmar, em sã consciência, que nunca teve ciúme, afinal, naturalmente, nos apegamos às pessoas ou objetos. Porém, muitas vezes, acabamos estabelecendo uma condição de posse ou de propriedade sobre essas pessoas ou objetos; e aí se instala o ciúme. Nesses casos, o ciúme pode ser entendido como um conjunto de emoções e sentimentos que tem a função de explicitar a ameaça à estabilidade e/ou qualidade de um relacionamento, chegando a apresentar certa dificuldade na distinção entre o normal e o patológico.

O ciúme se traduz em padrões comportamentais como as buscas frenéticas de confirmações, questionamentos constantes, proibições, brigas, choros, chegando a ações agressivas e violentas, gerando dor, raiva, tristeza, medo e baixa autoestima; além de ocasionar reações físicas como taquicardia, falta de ar, excesso de salivação ou boca seca e aperto no peito. A manifestação de ciúme mais comum é dentro de um relacionamento afetivo-amoroso seja entre namorados ou casais. Porém, podemos observar o ciúme também entre irmãos, ciúme dos pais, professores colegas de trabalho, amigos e até de objetos.

Existem várias definições de ciúme, mas em comum 3 elementos:

1) Ser uma reação a uma ameaça percebida;
2) Existência de um rival real ou imaginário;
3) A reação visa eliminar os riscos da perda do objeto amado.

Uma dica importante para enfrentar o ciúme é entender a função que este tem no relacionamento, descobrir o que o mantém, além de dialogar para encontrar soluções. Também é importante não reforçar este comportamento. Sem perceber (ou por não saber o que fazer), muitas vezes, a pessoa acaba reforçando o comportamento “ciumento” ao, por exemplo, dizer frases como: “você fica linda ciumenta”. Em médio prazo a pessoa ciumenta faz uma ligação entre seu comportamento ciumento e os reforçadores que obtém com este comportamento. Portanto, as chances do ciúme ser mantido e aparecer mais vezes é muito maior.

Mesmo sendo considerado por muitos como normal, o ciúme é um comportamento negativo em qualquer relacionamento porque provoca desconfiança, insegurança e instabilidade no relacionamento. Enquanto o ciúme dito normal seria transitório, específico e baseado em fatos reais, o patológico seria uma preocupação infundada, constante e absurda.

Quem sente ciúme patológico tem a compulsão de verificar constantemente as suas dúvidas, a ponto de se dedicar exclusivamente a invadir a privacidade e tolher a liberdade do parceiro. Muitas vezes essas dúvidas são provenientes de fantasias ou má interpretação dos sinais e comportamentos, podendo não ser confirmadas. Nesses casos é recomendada uma psicoterapia para que sejam trabalhadas técnicas de confiança em si mesmo, assertividade, autoestima, podendo em certos casos ser recomendada terapia de casal.

Mas e se o ciúme virar briga, o que fazer? A resposta é delicada. Ao ceder ao ciúme, certamente você estará aumentando a frequência das perguntas, proibições, brigas e perseguições. Se não atender, corre o risco de ter que enfrentar uma briga ainda maior ou mesmo o fim do relacionamento. Antes de tudo, precisamos pensar – mais uma vez – em qual é a função do comportamento ciumento. Talvez antes de virar briga, o procedimento mais assertivo seria expor ao parceiro os motivos de descontentamento, seja do ponto de vista do ciumento ou do ponto de vista do parceiro. É importante conversarem francamente sobre o tema e juntos chegarem a um acordo sobre as situações que despertam ciúmes e suas consequências deste para o relacionamento. Nestes casos é importante a ajuda de um psicólogo para intermediar e contribuir na discussão; e nos casos de agressão, é necessário tomar as medidas legais adequadas.

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
elidioalmeida.wordpress.com

7 Respostas para “Ciúme”


  1. 1 Paulo Pinheiro 12/05/2011 às 09:14

    Muito bom o assunto citado. Aprendi a conversar mais de um tempo pra cá, e isso tem me feito ficar menos tenso. Obrigado pela contribuição.

  2. 2 noberto nogueira 26/10/2011 às 15:55

    O problema é mais complicado do que parece, vejo pelo meu caso
    Sou um executivo bem realizado na minha área de atuação, tenho condições pois venho de uma familia de classe media alta, não querendo jogar confete em mim mesmo mas sou um homem bonito, carinhoso, romantico, em outras palavras chamo a atenção, porem sou totalmente inseguro e o que é pior sei do meu ciumes mas na hora “H” o emocional fala mais alto que o racional. Mudança de conportamento é complicado pois muitas vezes é como desconfigurar um ser para dar lugar a uma nova pessoa que a bem dizer não é você.
    É um problema ou doença que devemos combater dia a dia como se fosse um alcolatra se livrando do alcool.
    So que tomei uma decisão
    Achar um ponto de equilibrio no relaçionamento e dificil então vou liberar geral:
    Quer viajar ?
    Vai.
    Quer entrar em site de relacionamento ?
    Entra
    Quer sair com as amigas?
    Saia
    Vou tentar o tratamento de choque.
    Dessa forma penso que se realmente quem não é ciumento tem razão ou seja , se para sociedade ciume é uma doença vou me desconfigurar e tornar o que minha parceira gostaria que eu fosse.
    Torna – la feliz
    Apenas um detalhe vou jogar alto
    Se caso não conseguir me adequar a isso vou ficar sozinho
    porque antes só, mas em paz com você mesmo do que ter que tentar ser uma pessoa melhor por não ser ciumento mas atormentado por fantasmas sem ter nenhuma paz
    PAZ com sigo mesmo é tudo nessa vida tão rapida que vivemos aqui.
    Grato por lerem minhas bobagens
    N.

  3. 4 erivelton 25/03/2012 às 22:20

    cilme e bom mas de mais mata quaquer relacionamento

  4. 5 erivelton 25/03/2012 às 22:23

    como eu posso faser para não ser dominado pelo cilme e sim dominalo

    • 6 Elídio Almeida 25/03/2012 às 22:29

      Olá Erivelton!

      Uma dia seria você verificar se as razões para os ciúmes é fundamentada em alguma evidencia ou experiencia vivida pelo casal e a partir daí, partir para um enfrentamento e mudança de comportamentos.,


  1. 1 Comportamento de Birra (2) em Adolescentes e Adultos « Elídio Almeida | Psicólogo Trackback em 20/01/2011 às 09:06

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