
O Transtorno Bipolar do Humor, antigamente denominado de PMD (psicose maníaco-depressiva), é caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Estas mudanças vão desde oscilações normais, como nos estados de alegria e tristeza, até mudanças patológicas acentuadas que se diferenciam criticamente do normal. É uma doença de grande impacto na vida não só das pessoas acometidas pelo transtorno, como para a família e para a sociedade; causando prejuízos freqüentemente irreparáveis em vários setores da vida do indivíduo, como nas finanças, saúde, reputação, além do sofrimento psicológico. Sua incidência é relativamente comum, acometendo aproximadamente 8 a cada 100 indivíduos, manifestando-se igualmente em mulheres e homens.
A causa propriamente dita do transtorno bipolar é desconhecida, mas há fatores que influenciam ou que precipitem seu surgimento como histórico do transtorno bipolar na família, traumas ou acontecimentos inesperados: como grandes mudanças na vida, perda de emprego, fim de relacionamento, morte de pessoa querida… Todavia, sabe-se que os fatores biológicos, sociais e psicológicos somam-se no desencadeamento da doença. O transtorno bipolar pode iniciar na infância, geralmente com sintomas como irritabilidade intensa, impulsividade e aparentes exageros afetivos. No início, o transtorno pode se caracterizar tanto pela fase depressiva (tristeza) como pela fase maníaca (alegria), iniciando gradualmente ao longo de semanas, meses, poucos dias ou abruptamente, de momento para outro. Além dos quadros depressivos e maníacos, há também os quadros mistos (sintomas depressivos simultâneos aos maníacos) o que muitas vezes confunde, retardando o diagnóstico.
Os sintomas costumam se caracterizar pela elevação da auto-estima, sentimentos de grandiosidade podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes. Aumento da atividade motora apresentando grande vigor físico, diminuição do sono. Também, há uma forte pressão para falar ininterruptamente, as idéias correm rapidamente a ponto de não concluir o que começou e ficar sempre emendando uma idéia não concluída em outra sucessivamente: a isto denominamos fuga-de-idéias. Neste caso, o paciente apresenta uma elevação da percepção de estímulos externos levando-o a distrair-se constantemente com pequenos ou insignificantes acontecimentos alheios à conversa em andamento e com isso perder o “foco” das atividades e o raciocínio com muita facilidade. Também, é comum a perda da consciência a respeito de sua própria condição patológica, tornando-se uma pessoa socialmente inconveniente.
O transtorno bipolar não tem cura, apenas controle. Com isso em mente, um dos desafios do tratamento é exatamente evitar situações estressantes e implementar mudanças no comportamento do paciente para um novo estilo de vida ou uma nova visão diante dos problemas. Através da psicoterapia comportamental, as pessoas aprendem a desenvolver novas estratégias para enfrentar o transtorno com menos sofrimento e levar a vida de forma mais agradável.
Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com




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