TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Taz, el demonio da Tasmania, é considerado um dos personagens dos desenhos animados com TDAH.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH – é um transtorno caracterizado por sintomas de desatenção (pessoa muito distraída com dificuldades em manter o foco da atenção) e hiperatividade (pessoa muito ativa, inquieta e agitada, bem além do comum). Embora essas características sejam normalmente encontradas em pessoas sem o transtorno, para acontecer o diagnóstico de TDAH a falta de atenção e a hiperatividade devem interferir significativamente na vida e no desenvolvimento normal tanto da pessoa que apresenta os sintomas, como das pessoas com quem ela convive.

Várias terapias oferecem tratamento para o TDAH e todas elas compartilham alguns objetivos, a exemplo de melhorar a qualidade de vida do cliente, obter mais satisfação com relacionamentos, com o trabalho e consigo mesmo. Contudo, há divergências grandes quanto ao que deve ser feito para alcançar estes objetivos.

 

As pessoas com TDAH perdem facilmente o foco da atenção, por isso costumam dizer que elas vivem no mundo-da-lua!

Psicoterapia Comportamental é um tipo de terapia, que se diferencia das formas tradicionais que comumente se propõem a tratar do TDAH. Nela não há divã e o cliente não se deita e fala livremente sobre seus pensamentos, sentimentos, assim como o terapeuta não permanece numa posição passiva e silenciosa. A terapia comportamental parte do princípio que as queixas do cliente - que geram sofrimento e insatisfação - tem relação não apenas com características genéticas ou de funcionamento cerebral. Pelo contrário, parte do princípio que a forma da pessoa agir e pensar é um fator de fundamental importância, tanto para a compreensão das queixas atuais quanto para sua superação.

 

TDAH em crianças

Em crianças, o impacto maior do TDAH é sobre a vida escolar e familiar. Em casa, crianças com tipo hiperativo-impulsivo e desafiadoras são usualmente geradoras de muito estresse e conflitos. A dificuldade em seguir regras origina problemas com os pais, que, normalmente, tem dificuldades para conseguir que estas crianças adequem-se ao que é esperado delas.

Associado à baixa tolerância à frustração e controle de impulsos, estas crianças normalmente tem problemas também em relacionamentos interpessoais com colegas e professores. Na área escolar, a hiperatividade e a desatenção levam a prejuízos no desempenho, que podem facilmente tornarem-se crônicos.

TDAH em adolescentes

Mais da metade das pessoas que desenvolveram TDAH na infância manterão os sintomas até a idade adulta. Desta forma, cuidados especiais são necessários, para minimizar as consequências negativas em anos posteriores. No caso de adolescentes, além dos desafios próprios do TDAH, a fase atual do ciclo de vida coloca uma série de questões específicas, ligadas ao interesse pelo sexo, ampliação das amizades e interesses em grupos sociais e tribos urbanas, comportamentos opositivos mais frequentes, desafios às regras da família e maior intensidade emocional, dentre outros.

TDAH em Adultos

Nos casos de TDAH em Adultos, há três aspectos comuns: as queixas do TDAH estão associadas a co-morbidades (relação com sintomas de outros transtornos), forte rebaixamento da auto-estima e padrões comportamentais de auto-sabotagem, como adiamento crônico e não realização de objetivos que estão ao alcance da pessoa.

As co-morbidades mais comuns são ansiedadedepressão, preocupações crônicas e/ou excesso de pensamentos negativos tornam ainda mais difícil superar os déficits associados ao TDAH. O rebaixamento da auto-estima ocorre em função dos fracassos e do excesso de críticas acumulados ao longo da vida. Como isso reduz a auto-confiança, a pessoa pode deixar de tentar melhorar ou buscar outras alternativas  - como forma de se proteger - o que é um fator de risco para o agravamento das situações incômodas.

Tratamento

O grande diferencial da Psicoterapia Comportamental é que ela é uma modalidade terapêutica muito ativa, tanto por parte do terapeuta quanto do cliente. Terapeuta e cliente discutem juntos quais são os objetivos, prioridades do tratamento e sobre as estratégias (as atividades, procedimentos e técnicas) que permitirão atingir estes objetivos. As sessões terapêuticas são altamente estruturadas. Há um conjunto de passos, atividades e conteúdos, ao longo dos quais o cliente desenvolve habilidades que ainda não possui, passa a enfrentar as situações críticas de formas mais positivas, desenvolve maior autonomia e capacidade de encontrar satisfação pessoal.

O foco do tratamento combina diversos elementos, de acordo com cada caso, de forma personalizada. O trabalho tem por objetivo o desenvolvimento da capacidade de seguir regras e aceitar limites, maior auto-controle e capacidade tolerar pressão, críticas e frustrações, além de maior equilíbrio emocional, capacidade para resolver seus problemas, organização e realização de tarefas até o final, sem as interrupções que são muito comuns durante o transtorno (começar algo e não conseguir terminar). Quando há presença de outros transtornos emocionais, como ansiedade e depressão, são igualmente tratados.

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

3 Respostas para “TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade”


  1. 1 Rita de Cassia Gomes de Oliveira 09/06/2011 às 21:18

    Quando eu era criança tinha um colega de escola com “déficit de atenção” . Dedução minha, pois na época de escola ele era chamado de vagabundo, inclusive por professores. O garoto enfrentou muita dificuldade pra estudar e soube mais tarde que abandonou a escola.
    Pois é, no momento se fala tanto em bullyng, preconceito, etc…será que as instituições de ensino estão preparadas para identificar os problemas de seus alunos ? Depressão, ansiedade, déficit de atenção, distimia são transtornos que também afetam as crianças, por isso acho que a saúde mental deveria fazer parte do currículo escolar.
    Tenho 49 anos, sofro de depressão e faço terapia. Percebo hoje que muitos dos meus “problemas” poderiam ter sido enfrentados de outra forma. Fui taxada algumas vezes de preguiçosa, quando na verdade eu estava vivendo grande sofrimento psicológico. Se eu tivesse tido um diagnóstico correto poderia hoje ter encontrado outro destino e levar uma vida produtiva.

    • 2 Elídio Almeida 12/06/2011 às 09:39

      Olá Rita de Cássia!

      Obrigado pelo comentário. São muito interessantes os pontos que você destaca. Infelizmente nosso sistema educacional não contempla uma modelo totalmente eficaz que possibilite os professores para lidar com questões emergenciais do desenvolvimento humano. Independente da postura ou filosofia adotada por algumas escolas para tentar oferecer mais qualidade nesse acompanhamento, vemos que a problemática é, muitas vezes, estrutural na formação destes profissionais. Fico assustado e muitas vezes bastante preocupado, quando vejo, por exemplo, cursos de licenciatura não oferecer disciplinas de psicologia que certamente favoreceria diagnósticos diferenciais ou, pelo menos, formas mais eficazes de lidar com questões como bullying, déficits e atenção, depressão, ansiedade, distimia, e tantos outros transtornos que muitas vezes são ignorados de maneira totalmente agressiva ou rotulados de formas pejorativas que não somente pune, mas excluir as pessoas de forma drástica. E você está coberta de razão, o quão logo for feitos diagnósticos, intervenções e acompanhamentos, menos danos teremos e muita coisa desagradável poderá ser evitada. Mais importante que isso é saber que sempre é possível mudar comportamentos e obter resultados melhores na vida.


  1. 1 Hiperatividade: Facilidade no diagnóstico e o uso de medicamentos pode trazer ainda mais problemas. « Elídio Almeida | Psicólogo Trackback em 16/03/2012 às 01:54

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