Comportamento de Birra (1) em Crianças

Imagine que você está  no supermercado com seu filho, ele pede um chocolate, você diz não. Ele se joga no chão gritando: “eu quero, eu quero, eu quero…”, começa a destruir tudo que encontra, chamando a atenção de todos. Você, de certa forma, fica morrendo de vergonha e sabe que nesse momento precisa fazer algo, pois todos ao redor estão esperando uma atitude sua [visualize o vídeo abaixo]. O que fazer, então?


 

Agora, que tal analisarmos e entendermos o famoso comportamento de birra?

Seja no supermercado, no shopping, na praia, na casa de amigos e até mesmo em sua casa, a criança pode fazer o maior escândalo para conseguir o que deseja. O que muita gente não sabe é que na maioria das vezes são os adultos que contribuem para o surgimento e manutenção do comportamento de birra nos menores e este é um tema bastante frequente nas clínicas e consultórios de psicologia.

O comportamento de birra é uma tática manipulatória que as crianças aprenderam a utilizar para ter seus desejos atendidos. Elas usam vários artifícios como: gritos, choros, escândalos ou auto agressão, de modo a constranger os pais e induzi-los a atender seus desejos. Os pais, por sua vez, por não aguentarem a cena do filho gritando e se debatendo em público (é uma cena muito aversiva para eles), acabam reforçando o comportamento de birra da criança e, de imediato, atendem os desejos para ela ficar quieta. Os pais se sentem como se estivessem sendo julgados como péssimos pais pelas outras pessoas e para acabar com a cena rapidamente, acabam fazendo a vontade da criança, criando assim um círculo vicioso.

Por isso que eu disse que muitas vezes os adultos contribuem para que o comportamento de birra aconteça. Por exemplo, quando o pai resolve dar o chocolate para a criança ficar quieta; ele dá, também, uma dica muito clara: “toda vez que se comportar de forma birrenta e fazer bastante escândalo, vai ganhar o que quer”. Isso condiciona a criança e acaba fortalecendo ainda mais o comportamento de birra e favorecendo que ele se repita outras vezes.

Veja esse outro vídeo. Repare que, para a criança parar com o comportamento de birra, a mãe lhe oferece um rabanete. Ele para com a birra, mas pede uma chicória. Adivinha o que pode acontecer se a mãe disser não?

O ideal nesses casos é usar uma técnica chamada de extinção e, progressivamente, inibir as birras até que as crianças aprendam uma forma mais assertiva e eficaz de se comunicar com os pais e, sobretudo, saber lidar melhor com sua frustração. Para isso é preciso um treino com os pais para que a técnica seja aplicada com sucesso, pois muitas vezes os pais não conseguem ir até o fim por não suportarem o “sofrimento” do filho e acabam reforçando o comportamento depois de algum tempo.

O vídeo abaixo pode servir de exemplo para a técnica de extinção que falei. Nele você pode ver que desde muito pequeno aprendemos a usar o comportamento de birra para controlar o comportamento das pessoas e tentarmos conseguir o que queremos.

Em breve farei um post falando sobre como o comportamento de birra que não foi extinto na infância se manifesta na adolescência e em outras fases da vida.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

4 Respostas para “Comportamento de Birra (1) em Crianças”


  1. 1 Tatiana 25/01/2011 às 22:00

    A tática que utilizei com meu filho foi não ceder aos seus caprichos. Se ele utilizasse de artifícios como birra para tentar me convencer, eu olhava bem em seus olhos, explicava o motivo e dizia simplesmente não. Sempre procurei validar o não para que acreditasse que ao dizer o não, era não mesmo. Em alguns momentos, quando observava que estava tendo uma postura rígida, autoritária, procurava contornar de uma maneira que não retirasse a minha palavra, mas que flexibilizasse com alguma negociação. Acredito que tenha funcionado, pois ele nunca me passou vergonha. Sempre tive na mente, por ver crianças agindo de maneira tão agressiva,desrespeitosa, que tais crianças agiam dessa forma por falta de limites, muita flexibilidade e não queria passar pela mesma situação. Claro que ele sempre tenta conseguir o que quer, mas não com atitudes que me faça passar por situações constrangedoras. Têm coisas que ele já sabe que apenas diz: Mãe eu nem vou pedir porque já sei que você não vai deixar. Sei que isso também pode ser um artifício e quando percebo o que se trata eu apenas respondo: Ainda bem que você sabe, então nem peça. Outras vezes pergunto e a depender da resposta e vejo que posso ser flexível sem tirar minha palavra ou autoridade, eu deixo.
    Espero que esteja agindo adequadamente para ser uma criança e um adulto saudáve, pois educar é uma tarefa árdua de acertos e erros.

    • 2 Elídio Almeida 26/01/2011 às 14:05

      Olá Tatiana!

      Obrigado pelo comentário. Achei muito interessante a forma como você lida com o comportamento de birra com seu filho, principalmente pelo fato de você ter consciência que precisamos ser flexíveis em alguns momentos sem perder de vista posicionamentos primordiais da relação mãe-filho. Parabéns por essa atitude! Achei interessante, também, a forma como seu filho lida com a situação. Vejo que ele aprendeu que não precisa fazer birra para conseguir o que deseja de você, isso demonstra que é bastante esperto. Observe como “indiretamente”, mesmo negando, ele faz o pedido: “Mãe eu nem vou pedir porque já sei que você não vai deixar”. E “indiretamente” você entende o pedido e responde “não”. No geral vejo que você está agindo corretamente, mas, como vocês demonstram ter condições e ferramentas para fazer negociações (ou como costumo dizer, fazer combinados), o que acha de deixar claro para ele que sempre poderá pedir o que quiser e juntos vocês negociarão se você vai concordar ou não com o pedido? Agindo dessa forma você poderá contribuir de forma mais assertiva para que ele não sinta vergonha ou medo de manifestar seus desejos e opiniões. O que acha? Lembre-se que esses ensaios de acertos e erros poderão acontecer primeiramente contigo e poderão ser ampliados com outras pessoas e em outros contextos. Se desejar, poderemos conversar mais sobre o tema.


  1. 1 Comportamento de Birra (2) em Adolescentes e Adultos « Elídio Almeida | Psicólogo Trackback em 20/01/2011 às 09:06
  2. 2 O que acontece quando uma criança vira o reizinho da casa? « Elídio Almeida | Psicólogo Trackback em 29/08/2011 às 00:29

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