Orientação vocacional e a dificuldade do jovem para escolher uma profissão.

No último post falei sobre a Orientação Vocacional e como os pais podem influenciar na escolha profissional dos filhos. Hoje vou falar como os jovens ficam apreensivos com a dificuldade de escolher a profissão, além de falar sobre os testes vocacionais e o que eles avaliam.

Muitos jovens ficam bastante nervosos e preocupados na hora de escolher a sua profissão. Durante o ensino médio e com a aproximação do vestibular, essa tensão tende a se agravar e muitos precisam de um suporte psicológico para poder passar por esse momento de forma menos danosa. Por essa razão muitas pessoas me perguntam o que fazer neste momento tão delicado para o jovem. Costumo dizer que não há uma receita pronta, pois cada pessoa é diferente da outra, mas algumas dicas podem ajudar.

Um bom exercício para auxiliar nesta escolha é buscar o autoconhecimento para entender suas preferências atuais, como elas foram construídas, que coisas você gostava antes e hoje não gosta mais, o que você pretende fazer no futuro ou como gostaria de viver. Que tal tentar pensar um pouco sobre isso?

Fazer esta reflexão pode ajudar você a se compreender melhor e ajudar na escolha da profissão mais adequada para sua vida. Mesmo após essa reflexão, algumas pessoas optam por participar de uma orientação vocacional e também fazer alguns testes vocacionais. Os testes vocacionais podem ajudar a conhecer suas habilidades e gostos. No entanto, você não deve confiar em testes da internet ou utiliza-lo de forma isolada, sem suporte profissional e, principalmente, você não é obrigado a definir uma profissão só porque algum teste indicou. A crítica que faço ao uso dos testes vocacionais da internet utilizados de forma isolada é que eles são questionários padronizados muitas vezes de procedência duvidosa e que apresentam dados de uma média populacional. Como falei anteriormente, num momento tão importante como este as pessoas devem ser analisadas e instruídas levando em consideração sua individualidade, e não uma média de respostas padronizadas. É como diz o ditado popular: “Os dedos das mãos fazem parte de um mesmo grupo, mas cada um é diferente do outro e possui uma função”.

O ideal é você optar por uma orientação vocacional que acompanhe e avalie as suas expectativas de forma ampla e não se prenda apenas a aplicação de testes. A orientação vocacional individual ou em grupo deve basear-se em: autoconhecimento, levando em consideração o passado, presente e perspectivas para o futuro; conhecimento da realidade profissional, histórico da profissão e projeção para o futuro; os processos que envolvem a tomada de decisão do curso, levando em consideração os pós e contras desta decisão.

Mas o que os Testes Vocacionais e a Orientação Vocacional avaliam? Teoricamente esses instrumentos e procedimentos visam identificar: as aptidões, interesses, aspectos da personalidade, da inteligência e como esses dados ajudam a apontar a escolha mais conveniente em termos realização pessoal e profissional. Os testes mais empregados atualmente são os testes de desenvolvimento cognitivo global, que avalia as habilidades do ser humano, o nível de percepção, a memória e o raciocínio. Outras opções são os testes de identificação da personalidade, que visa analisar as características pessoais, equilíbrio emocional, além de verificar as angústias, rivalidades e conflitos da pessoa. Depois que os testes são realizados, seguem-se para as entrevistas com o jovem e os pais dele. A conversa é baseada no histórico familiar, cultural, situações do cotidiano, relacionamento social, entre outros assuntos. A partir daí é possível chegar ao perfil da personalidade que revela as características, habilidades, dificuldades em questão.

Uma boa orientação vocacional não deve ficar presa a resultados de testes vocacionais. Os testes apenas dão uma referência em um contexto específico e não podem ser usados para rotular os sujeitos e nem como método único de orientação vocacional. As pessoas respondem diferentemente em lugares e em contextos distintos, neste sentido os resultados dos testes vocacionais, quando não manipulados por profissionais qualificados na área, podem mascarar as pessoas generalizando seus comportamentos.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

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