O comportamento agressivo, expressado de forma física ou verbal, conhecido como Bullying, é um dos graves problemas enfrentados em todo o mundo e o local onde esse comportamento mais acontece é nas escolas. Colocar apelidos, humilhar, isolar ou até mesmo agredir fisicamente o colega são algumas das ações que refletem negativamente o contexto onde isso acontece.
Ao falar de bullying, precisamos considerar os fatores culturais, sociais e históricos da vida do alvo ou do agressor, além de focar como esse tema foi tratado ao longo do tempo e em que características e circunstâncias ele ocorre. Através desse posicionamento podemos entender o que acontece no contexto de forma inadequada, favorecendo a ocorrência do bullying.
Bullying, delinquência, problemas de conduta, indisciplina, entre outros conceitos que definem praticamente o mesmo fenômeno, sempre estiveram presentes no contexto escolar. Por isso não devemos dizer que o bullying é um fenômeno novo nas escolas. O que pode ser considerado recente são os estudos científicos a respeito do tema realizado em todo o mundo para discutir as graves consequências que este fenômeno tem provocado e formas eficazes de combatê-lo.
Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode ser vítima de bullying e não há um perfil padrão para isso. O que se percebe é que há características comuns entre sujeitos que praticam e sofrem o bullying. Em geral, o agressor já foi, em algum momento, alvo do bullying e ele pode ter aprendido com isso que a pessoa que o humilhou agiu dessa forma porque era mais forte, mais poderosa. Assim, para o agressor, a função do bullying é demonstrar poder e conseguir uma admiração junto aos outros colegas. Aqueles que são alvo do bullying
normalmente apresentam alguma característica física ou emocional que o difere dos demais membros de um grupo, somado a isso, normalmente possuem sentimento de insegurança, timidez e dificuldades para enfrentar problemas. Com isso, ao identificar essas fragilidades, o agressor pratica agressões físicas, ofensas, ameaças, humilhações, extorsão de dinheiro, roubo de objetos, força comportamentos sexuais ou realização de atividades subservientes para demonstrar poder frente às vitimas. Além disso, atos indiretos como: boatos, fofocas, exclusão cyberbullying pode ocorrer.
Mas como suspeitar que uma criança ou adolescente está sofrendo bullying na escola? Uma boa dica é ficar atendo às mudanças no comportamento social da criança/adolescente como: tendência ao isolamento, recusa em frequentar a escola; sintomas psicossomáticos recorrentes; mudanças no comportamento emocional e afetivo; queda do rendimento escolar, dentre outros fatores. Logicamente que a presença desses fatores não determina que o adolescente esteja sofrendo bullying, mas devem ser considerados como indicativos para uma maior investigação. No geral costumo dizer que se o comportamento da pessoa muda, algo no contexto mudou e isso deve sempre ser observado.

O bullying provoca danos em todos os envolvidos (agressor, alvo e testemunhas). Evidentemente a pessoa que é alvo de bullying tende a sofrer muito mais e pode apresentar baixa auto-estima, sentimentos negativos relativos a si próprio, aumento da probabilidade de depressão e dos comportamentos agressivos, podendo ainda tornar-se autor do bullying, pois uma das formas de escape/fuga do sofrimento que alguns desses alvos encontram é praticar o bullying contra outra pessoa que seja mais frágil que ela, criando dessa forma um ciclo vicioso e muito prejudicial.
Um exemplo disso podemos encontrar no caso do garoto que apanha do padrasto e é humilhado por este com palavrões, chantagens e ameaças. Por sentir-se impotente e fraco para enfrentar o padrasto e sabendo que pode não encontrar apoio da própria mãe, o garoto pode conter seu ódio nesse contexto. Porém, na escola, o mesmo garoto pode assumir as características do padrasto, à medida que bate, humilha e ameaça seus colegas mais vulneráveis.

Uma boa notícia em toda essa questão é que os pais podem agir para evitar que seus filhos sejam vítimas de bullying. Para isso é importante que os pais reflitam se estão promovendo a autonomia dos filhos e se valorizam o diálogo franco em suas em suas relações, se privilegiam que seus filhos expressem seus sentimentos sem medo de ser punido. Também é importante que se aproximem da escola, participando cada vez mais do processo de educação, além de buscar ajuda de um profissional que os auxilie na identificação, análise e suporte de tais problemas.
Mas e quando o filho é o agressor e não o alvo, o que deve ser feito? De algum modo, todos (agressores, alvos e testemunhas) são vítimas nos casos de bullying. Todos são prejudicados e merecem ser tratados em sua particularidade. Todavia, o jovem que agride e pratica bullying precisa compreender que há outras formas de manifestar sentimentos, enfrentar angustias ou assumir posições de popularidade sem praticar o bullying e, principalmente, que ele pode dispor de ajuda de outras pessoas para isso.
Como falei no início o principal contexto onde o bullying acontece é nas escolas e é justamente por elas que devemos direcionar nossa atenção. Primeiro, é importante fazer a análise do contexto e das formas de poder vigentes no âmbito escolar, reconhecendo as subjetividades e a relatividade das ideias que coabitam neste campo. A partir daí, as escolas devem evitar medidas puramente punitivas e o estímulo à competição; promover a participação ativa dos estudantes nas decisões e organização do seu processo de educação, respeitando a diversidade de idéias; promover o estabelecimento de vínculo entre os sujeitos na escola (professores, alunos e funcionários); focar no problema separando-o do sujeito, ou seja, o problema não é inerente à identidade do aluno. Lembrando também que o bullying pode ocorrer na família, no ambiente de trabalho, nos clubes, condomínio, entre outras instituições. Vamos ficar atentos!
Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com




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