Ano passado fiz um post falando sobre o comportamento de dizer “Não”, onde falei um pouco sobre três categorias de comportamento que precisamos estar sempre atentos: Comportamento Inassertivo, Comportamento Agressivo e Comportamento Assertivo. Hoje, darei início a uma série de posts, onde falarei com mais detalhes sobre cada uma dessas categorias comportamentais. Para abrir a série, vou falar sobre Comportamento Inassertivo.
Imagine a seguinte situação:
Lucas é um calouro na faculdade e logo nos primeiros dias de aula começa a fazer novos amigos. No final de semana ele é convidado a participar de uma festinha na casa de um dos novos colegas do curso, e lá entra uma roda de bate-papo, onde um dos amigos pega alguns cigarros de maconha e sugere que todos fumem. Todos prontamente aceitam, exceto Lucas, que nunca fumou e nunca quis experimentar maconha. Nesse momento ele fica em conflito e imagina que seus novos amigos foram gentis em lhe fazer o convite à festa e que eles poderiam não reagir bem ou interpretar mal se Lucas recusasse o cigarro. Então, mesmo não estando com vontade, Lucas aceita o cigarro e, inclusive, tenta demonstrar já ter fumado maconha antes, para causar uma boa impressão ao grupo.

Com isso, podemos imaginar que Lucas precisou administrar várias contingencias como: “Se eu disser não, eles vão me achar criança?”, “Será que eles vão querer que eu fume mais”, “E se eu ficar muito doido?”, “Se minha mãe souber?”… Dessa forma, Lucas pode ter ficado cada vez mais preocupado com o que os amigos iriam pensar dele e ao ceder deixou de ser sincero consigo mesmo e, certamente , sentiu remorso por ter feito algo que não queria. Observe que nosso personagem Lucas deixou de expressar seus sentimentos e opiniões em benefício de outras pessoas. E esse tipo de comportamento é muito mais comum do que imaginamos e causa sérias dificuldades às pessoas em suas relações sociais, afetivas e profissionais, pois exigem um alto nível investimento emocional, acompanhado, principalmente de ansiedade e sentimento de culpa.

A forma como Lucas respondeu à situação, tecnicamente é chamada de COMPORTAMENTO INASSERTIVO ou NÃO-ASSERTVO, ou seja, um padrão comportamental de inibições, timidez que causa prejuízos por falta de expressão mais adequada dos sentimentos e opiniões, ou quando a pessoa sempre cede à vontade alheia, guardando seus desejos dentro de si e tende a pensar na resposta apropriada somente depois que a oportunidade passou. Muitas vezes a pessoa se torna inassertiva em função do histórico de punições que teve em sua vida, onde nos momentos em que tentou manifestar seus sentimentos, opiniões ou desejos foi punida. E isso pode ter sido iniciado desde a infância (bronca da mãe) ou em períodos mais recentes da vida (bronca do chefe).

Quando agimos com INASSERTIVIDADE, nos comportamos de forma a tentar obedecer/ceder par evitar problemas. Só que com isso fortalecemos ainda mais a posição das pessoas, fazendo que elas assumam o controle sobre nosso comportamento. Mas a grande sequela se caracteriza pela perda da nossa autonomia, o sentimento de frustração, impotência e culpa, que tende a se generalizar para todos os contextos, sejam na escola, faculdade, família, trabalho e até mesmo nas relações amorosas. Como a pessoa inassertiva não consegue falar o que pensa, nem expressar sua opinião, ela pode achar que as pessoas se aproveitam dela. E muita gente se aproveita disso para torná-las submissas.
Claro que algumas pessoas que são inassertivas, em um dado momento, vão tentar fazer com que suas opiniões sejam respeitadas, mas muitas vezes por não saber como fazer isso da melhor forma, acabam sendo agressivas. É sobre agressividade que falaremos no próximo post desta série.
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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com




Parabéns,
Excelente temática, o artigo esta muito bem escrito.
Tenho 41 anos e muitas e muitas vezes me sentir assim, vc conseguiu atingir em cheio meus pensamentos e sentimentos.
Parabéns,
O seu artigo está muito bem elaborado. Você consegue abordar de forma clara e objetiva um assunto muito interessante, por está intrínsico a nossa personalidade e que muitas vezes não conseguimos definir.
o vetido e muito bom