Comportamento Agressivo – Falo o que penso e não levo desaforo pra casa.

Continuando a série de posts sobre os compor- tamentos Inassertivo, Agressivo e Assertivo, hoje falaremos sobre COMPORTAMENTO AGRESSIVO. No post anterior vimos que mesmo as pessoas inassertivas vão, em algum momento, tentar fazer com que suas opiniões sejam respeita- das. Por  algumas razões, dentre elas por não saber como fazer isso da melhor forma, acabam sendo agressivas.

Pra gente compreender melhor o tema deste post na série, vamos analisar desta vez a situação vivida pelo casal Antonio e Maria*. Eles estão casados há cinco anos e recentemente vêm tendo problemas de relacionamento no casamento, porque ele insiste que ela está muito gorda e precisa emagrecer. Ele repete constantemente o assunto, dizendo que ela não é mais a mesma mulher com quem se casou, que ela está com excesso de peso, que isso faz mal à saúde, que ela é um mau exemplo para as crianças, etc. Além disso, ele a goza, dizendo que ela é uma bola, olha apaixonadamente para as moças magras, comentando sobre o quanto são atraentes, e faz referências à sua aparência na frente dos amigos. Maria já está terrivelmente contrariada. Ela tem tentado perder peso, mas sem muito sucesso.

No post em que falamos de inassertividade, se Maria agisse de forma não-assertiva, certamente ela iria pedir desculpas por seu sobrepeso ou simplesmente aceitaria calada as críticas do marido. Mas já sabemos que quando agimos com inassertividade, sentimos raiva, chateação, culpa, ansiedade dentre outros aspectos. Mas como seria se Maria reagisse ao comportamento do marido com agressividade?

Talvez Maria fizesse comentários, dizendo que seu marido não vale grande coisa. Diria que à noite ele cai no sono no sofá, é um péssimo parceiro sexual, não lhe dá atenção suficiente, que age como um “velho sem vergonha” pelo modo que olha as moças atraentes e outros comentários depreciativos em relação ao marido. Veja que estes argumentos de Maria não têm nada a ver com o problema, mas sua raiva só consegue ferir Antonio e construir uma barreira entre eles, defendendo-se com o contra-ataque ou seja, ela também seria muito agressiva em seu comportamento de reação.

O comportamento agressivo se caracteriza pelas ações que acabam negando os direitos da outra pessoa, rebaixando, ferindo e humilhando, ou seja, destruindo os outros a fim de atingir seus próprios objetivos. Geralmente a agressividade ocorre quando estamos numa posição defensiva, nosso sentimento de autoestima está baixo, além de mascarar fortes aspectos como sentimentos de culpa e insegurança.

Uma pessoa agressiva é aquela que expressa suas necessidades, preferências, emoções e opiniões de forma hostil, exigente, ameaçadora, humilhante ou punitiva, sem se preocupar com consequências de suas ações. Claro que uma pessoa que tem este comportamento defende seus posicionamentos e pontos de vista, mas faz isso à custa da violação dos direitos dos outros, além de gerar ódio e frustração nas outras pessoas, pode provocar revoltas ou até mesmo comportamentos de vingança.

E como nos tornamos agressivos? Já nascemos assim? Ninguém nasce agressivo. Este é um comportamento originado a partir de um histórico de punições que a pessoa sofreu ao longo de sua via, pelo reforçamento negativo que é a eliminação das estimulações aversivas do contexto, mas, principalmente, pelo reforçamento positivo, ou seja, na maioria das vezes que ela se comportou de forma agressiva obteve um reforço positivo (teve seu objetivo alcançado). Por exemplo, para mostrar que é ele quem detém o poder na empresa, o chefe grita e ameaça demitir seus funcionários. Quanto mais ele ameaça, mais as pessoas se comportam como ele espera.

Outro exemplo de reforçamento positivo podemos encontrar no vídeo a seguir

Observe que o auditório rir bastante quando Sílvio Santos humilha a dançarina Carla Perez “insinuando” que ela é burra. O riso do auditório funciona como uma aprovação ao comportamento dele e a probabilidade deste ato se repetir se torna cada vez maior. Reparou como ele pega ainda mais pesado na segunda “piada”? Lembro de uma vez que estava discutindo agressividade com um paciente, usamos este mesmo vídeo para ilustração e ele disse: “Mas Elídio, ele foi apenas irônico, não foi agressivo!” Este é um erro muito frequente. A agressividade não se caracteriza exclusivamente pelas manifestações com topografias explicitamente grosseiras, muitas vezes a agressão é praticada de forma sutil, com conotação de brincadeira, como é o caso da ironia.

Já que estamos falando de ironia, vejam só este vídeo de Xuxa:

Entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo, onde Xuxa fala sobre as vaias que recebeu num show apresentado num festival no Chile e ataca a imprensa que divulgou o fato. Veja o vídeo na íntegra aqui.

Para que tanta agressividade? Talvez ela não saiba, mas a ironia e tudo mais que ela fala nesse vídeo é mais que falta de respeito é pura AGRESSIVIDADE!

Quem é vítima de comportamentos agressivos obviamente sofre bastante com esta questão. Mas quem é agressivo, também não sofre? É muito comum ouvirmos de pessoas agressivas a seguinte frase: “Falo o que penso e não levo desaforo pra casa“. Muita gente que fala isso pensa que atingindo outras pessoas estão fazendo o bem para si, extravasando a raiva ou ódio daquele momento ou situação, de qualquer forma. Porém, dentre outras conseqüências, quem pratica a agressividade:

        1. Apresenta relações interpessoais frágeis;
        2. Normalmente afastam as pessoas de si;
        3. Têm dificuldades para controlar suas emoções;
        4. Tendem a desenvolver sentimento de culpa e ansiedade;
        5. Dificuldade em liderar equipes e lidar com o poder;
        6. Normalmente têm complexos de superioridade;
        7. São extremamente desconfiados;
        8. Podem elaborar fantasias para sustentar sua agressividade;
        9. São vulneráveis ao isolamento;
        10. Geralmente são muito controladores.

A boa notícia de tudo isso é que a psicoterapia comportamental pode ajudar tanto quem se identifica como agressivo ou como vítima de agressões. Em ambos casos, a partir do tratamento, as pessoas aprendem a controlar melhor suas emoções, analisar os contextos e as consequências das ações e, principalmente, a desenvolver formas de se expressar sem a necessidade de negar seus desejos, pensamentos e objetivos, tudo isso sem agredir, ferir ou humilhar as outras pessoas. Na terapia são desenvolvidos treinos de habilidades sociais e ampliação dos comportamentos assertivos (comportamentos adequados) em cada situação.

No próximo post da série, falaremos sobre COMPORTAMENTO ASSERTIVO, aguarde!

Comente este post clicando AQUI.

* Adaptado de Robert E. Alberti & Michael L. Emmons, in Comportamento Assertivo.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

13 Respostas para “Comportamento Agressivo – Falo o que penso e não levo desaforo pra casa.”


  1. 1 Adriano 02/05/2011 às 14:42

    Eídio, meu fio, muito bom seu texto, tanto na parte da escrita – muito bem elaborado, coeso – quanto na parte do conteúdo, riquíssimo com vídeos etc. Meus parabéns!Felicidades plenas!Um forte abraço!!

  2. 3 Juciléa Lopes 03/05/2011 às 08:55

    Mais uma vez PARABÉNS!

  3. 5 Eduardo Rodrigues 03/05/2011 às 12:54

    Elídio,

    Muito bacana, parabéns!!

  4. 7 Kerley Alessandra 05/05/2011 às 14:23

    Elídio muito interessante!
    otimo post, com exemplo reais, enriquecidos com video.

    Parábens, já add seu blog a minha lista de favoritos.

  5. 9 Ivan Brafman 14/05/2011 às 17:47

    Oi Elídio.
    O agressivo é um fraco, alguém vazio que todas as vezes que é contestado ou se julga reprimido: exterioriza gestos inesperados, com teores ofensivos, gritando, socando a mesa, numa exaltação incontrolável e muitas das vezes injustificáveis.
    O agressivo não consegue conter seus impulsos e nos seus desatinos tenta atingir as estruturas não só físicas das pessoas, como, principalmente, as emocionais.
    Abraços. Ivan

  6. 11 Catia 16/06/2011 às 16:40

    Este artigo é muito bom , pois fala a lingua dos leigos…. sou estudante de direito e estou fazendo um trabalho sobre Habilidades Sociais e este artigo me ajudou muito.
    Muito obrigada.

    Catia Mendonça dos Santos


  1. 1 O que acontece quando uma criança vira o reizinho da casa? « Elídio Almeida | Psicólogo Trackback em 29/08/2011 às 00:29

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