Arquivo para a categoria 'Ansiedade'

Timidez: um problema que pode prejudicar a vida pessoal e profissional.

Todos nós sentimos timidez de formas diferentes, em contextos e intensidades variadas. No entanto, algumas pessoas vivenciam a timidez com mais frequência ou até mesmo de forma rotineira e isso pode caracterizar prejuízos tanto na vida pessoa quanto profissional. Apesar de, em muitos casos, parecer algo exagerado aos olhos dos outros, só o tímido sabe o quanto sofre por não se sentir bem diante de situações que são comuns às demais pessoas. Por isso, independente de termos ou não esse problema, devemos ficar atentos.

Ansiedade, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura, não saber o que fazer ou o que dizer, querer desaparecer, gaguejar, são comportamentos comuns quando uma pessoa vivencia a timidez. Existem várias situações que podem nos causar timidez e é normal, quando em situações com as quais não estamos familiarizados, sentirmos certa ansiedade. Afinal, é uma situação nova, que exige algo que nunca fizemos e não sabemos como serão as consequências disso tudo e isso pode até gerar medo. O medo em certo grau é saudável, é ele que nos  nos faz ficar alerta nas situações em que nos colocariam em perigo. Porém, a partir do momento em que ele nos prejudica, atrapalha o nosso desempenho social e a nossa qualidade de vida, já não é mais saudável.


A inibição, então, nos prejudica quando deixamos de cumprir algumas obrigações ou evitamos fazer algo que temos vontade. Vários são os exemplos: não ter amigos por não saber como iniciar uma conversa, ter dificuldade em manter um diálogo, ser reprovado em uma disciplina na faculdade por não ter apresentado um trabalho em público; deixar de participar de reuniões sociais ou familiares para evitar a ansiedade que o contato com as pessoas pode causar… Tanto quanto os exemplos, vários são os motivos que colaboram para sermos tímidos: predisposição à introversão; pouco contato social na infância e adolescência; ter sofrido algum tipo de trauma que afete a auto-estima, (como bullying, por exemplo); ter tido algum tipo de reprovação social ou crítica ao se expor; não saber como enfrentar a situação determinadas situações. Esses e outros motivos podem influenciar negativamente nas habilidades sociais de uma pessoa.

Parte significativa das causas para a timidez advém do modo como a pessoa costuma ser altamente exigente consigo mesma...

... ou da forma como temem veementemente a crítica das demais pessoas e, de certa forma, antecipam esta possibilidade.

Em toda minha experiência clinica e pesquisas na área, tenho visto que a timidez esta diretamente ligada ao histórico de punição a que a pessoa esteve ou está submetida. Por isso, o tratamento compreende identificar na história de vida da pessoa como essa timidez fui construída e trabalhar no sentido de superar os eventos traumáticos, ressignificar crenças, regras e autoregras, desenvolver o repertório de habilidades pessoas e assertividades nas relações interpessoais. Como falei no inicio deste post, independente de termos ou não a timidez como um problema, devemos ficar atentos ao nosso contexto, seja no trabalho, escola, faculdade e principalmente em casa, pois o quanto intervirmos e ajudarmos as pessoas a enfrentarem esse obstáculo, certamente os resultados serão melhores após o enfrentamento e a superação da timidez.

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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Anorexia Nervosa: Evitar comer para não engordar.

Depois da Bulimia Nervosa, vamos falar sobre mais um transtorno alimentar grave e bastante preocupante: a Anorexia Nervosa. Também conhecida simplesmente como anorexia, este transtorno alimentar provoca na pessoa tanto medo de engordar que ela diminuirá severamente a quantidade de comida que ingere. Por vezes, os anoréxicos (como são conhecido as pessoas que sofrem de anorexia nervosa) também fazem exercício físico em excesso, numa tentativa de queimar as calorias que ingeriram, para não ganhar peso extra.

Mesmo quando se desgastam fisicamente ao ponto de ficar muito abaixo do peso considerado saldável e serem classificadas como doentiamente magros, os anoréxicos ainda acham que os seus corpos são muito pesados e continuam a comer tão pouco quanto possível e exagerar na dose de exercícios físicos. Infelizmente, sem nutrientes suficientes no corpo, os órgãos internos de um anoréxico podem falhar, podendo daí resultar na instalação de outras doenças e chegar até mesmo a morte.

Sinais de Anorexia

Raramente um anoréxico reconhece o seu transtorno alimentar e procura ajuda, portanto cabe muitas vezes aos familiares e amigos que suspeitam de anorexia nervosa procurar ajuda de profissionais. Muitos dos sinais que indicam anorexia incluem:

  • Contagem obsessiva de calorias;
  • Saltar ou evitar as refeições;
  • Mentir quanto a já ter comido, numa tentativa de evitar uma refeição;
  • Ingerir apenas um determinado tipo de comida;
  • Fazer exercício em excesso, particularmente depois de uma refeição
  • Perda brusca de peso;
  • Excessivo interesse em questões relacionadas com peso, imagem corporal e jejum;
  • Baixos níveis de energia;
  • Doenças frequentes;
  • Sono excessivo;
  • Progressivo isolamento da família e amigos;
  • Parada do ciclo menstrual (amenorréia);
  • Depressão, ansiedade e irritabilidade;
  • Crença de que se está gordo, mesmo estando excessivamente magro;
  • Reduzido ou inexistente apetite sexual;
  •  Desnutrição e desidratação;
  • Anemia;
  • Hipotensão (diminuição da pressão arterial);
  • Redução da massa muscular;
  • Intolerância a pequenas quedas de temperatura;
  • Osteoporose (rarefação e fraqueza óssea);

A anorexia nervosa afeta principalmente os adolescentes
de ambos os sexos e normalmente está ligada à questões de auto-imagem e dificuldade em ser aceito pelo grupo social. A anorexia torna se ainda mais grave quando ocorre motivada ou associada com comportamentos obsessivo-compulsivo, abuso sexual ou casos de bullying. Em todos os casos deve se buscar ajuda profissional para que sejam desenvolvidas as ferramentas adequadas para enfrentar o problema.

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Elídio Almeida
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Bulimia Nervosa: entre o prazer e a culpa na alimentação.

Os transtornos alimentares são perturbações no comportamento alimentar e trazem diversos prejuízos às pessoas que vivenciam ou convivem com as manifestações destes transtornos. Nas últimas décadas a incidência destes transtornos aumentou significativamente. Um dos principais fatores relacionados é o sócio-cultural, ou seja, os valores presentes na sociedade. Comumente são difundidos em nossa sociedade os modelos de forma física e aparência tidos como corretos e sempre perpassam pela aparência estética do corpo, sobretudo, a magreza. A mensagem de que a beleza, felicidade e autovalor associam-se a um corpo magro é constante, podendo gerar preocupações extremas com o peso e formato corporal. Nesse contexto, algumas pessoas tentam se adequar a esse padrão imposto de beleza a qualquer custo, visando serem aceitas e valorizadas. E este é um contexto propício para a instalação de um grave transtorno alimentar, a bulimia nervosa.

Além de ditar padrões de magreza, nossa sociedade incentiva muito mais hábitos de alimentação não saudável, fazendo com que os valores alimentares sejam invertidos.

Teoricamente Bulimia significa apetite e a classificação nervosa está relacionada à compulsão. O quadro de bulimia nervosa é caracterizado pela presença de episódios bulímicos, ou seja, momentos onde a pessoa tem compulsão alimentar (come uma grande quantidade de alimento em curto período de tempo), caracterizando falta de controle sobre o comportamento alimentar. Em seguida a pessoa com bulimia nervosa empenha-se em comportamentos compensatórios para prevenir o ganho de peso como: vômitos auto-induzidos, uso inadequado de laxantes, diuréticos, enemas e outros medicamentos, dieta restritiva, jejum, exercícios excessivos exagerados.

No geral estas pessoas se veem extremamente divididas, pois sentem além da necessidade orgânica de se alimentar, prazer e alto nível de satisfação com a ingestão de alimentos. Por outro lado têm alto gasto de energia psíquica associada ao sentimento de culpa no intuito de manter ou perder o peso idealizado. A auto-avaliação que a pessoa acometida pela Bulimia Nervosa possui é inadequadamente influenciada pelo peso e forma corporal acompanhada por um medo excessivo de engordar. A atitude em relação ao peso é extrema: pesam-se compulsivamente, evitam a balança ou tendem a se considerar sempre acima do peso. Também, normalmente encontra-se presa a um ciclo vicioso iniciado com regimes rigorosos e dieta restritiva.

Muitas pessoas costumam achar que a Bulimia Nervosa atinge somente as mulheres e isso não é verdade. A Bulimia Nervosa atinte mulheres e homens, o que muda é apenas a incidência entre os sexos, pois culturalmente os padrões de beleza ditados pela sociedade são muito mais rigorosos com as mulheres e consequentemente elas se engajam mais nos comportamentos bulímicos.

Tais estratégias estabelecem um estado de privação que aumenta a probabilidade de engajamento em nova compulsão alimentar que, por sua vez, aumentam os comportamentos compensatórios, como o vômito. Em seguida, o vômito é mantido pela redução do desconforto físico decorrente da distensão abdominal e pela redução do medo de engordar, tornando um redutor geral da ansiedade. Nesse caso, ele torna um fim em si mesmo, pois o que a pessoa julga ser a solução, na realidade mantém o problema.

Os episódios de compulsão geram culpa, sentimento de fracasso e medo de engordar. Já os comportamentos compensatórios geram alívio imediato e também culpa e vergonha. A Bulimia Nervosa produz alterações cardiovasculares, gastrointestinais, hidroeletrólíticas e metabólicas nocivas à saúde. Secundariamente aos vômitos pode-se observar desgaste dentário, hipertrofia das glândulas salivares e cicatrizes no dorso da mão. O tratamento analítico comportamental é direcionado para o estabelecimento de comportamentos adequados, isto implica na extinção de regimes e dietas restritivas.

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Elídio Almeida
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Comportamento Inassertivo – Não consigo falar o que penso e as pessoas se aproveitam de mim.

Ano passado fiz um post falando sobre o comportamento de dizer “Não”, onde falei um pouco sobre três categorias de comportamento que precisamos estar sempre atentos: Comportamento Inassertivo, Comportamento Agressivo e Comportamento Assertivo. Hoje, darei início a uma série de posts, onde falarei com mais detalhes sobre cada uma dessas categorias comportamentais. Para abrir a série, vou falar sobre Comportamento Inassertivo.

Imagine a seguinte situação:

Lucas é um calouro na faculdade e logo nos primeiros dias de aula começa a fazer novos amigos. No final de semana ele é convidado a participar de uma festinha na casa de um dos novos colegas do curso, e lá entra uma roda de bate-papo, onde um dos amigos pega alguns cigarros de maconha e sugere que todos fumem. Todos prontamente aceitam, exceto Lucas, que nunca fumou e nunca quis experimentar maconha. Nesse momento ele fica em conflito e imagina que seus novos amigos foram gentis em lhe fazer o convite à festa e que eles poderiam não reagir bem ou interpretar mal se Lucas recusasse o cigarro. Então, mesmo não estando com vontade, Lucas aceita o cigarro e, inclusive, tenta demonstrar já ter fumado maconha antes, para causar uma boa impressão ao grupo.

Com isso, podemos imaginar que Lucas precisou administrar várias contingencias como: “Se eu disser não, eles vão me achar criança?”, “Será que eles vão querer que eu fume mais”, “E se eu ficar muito doido?”, “Se minha mãe souber?”… Dessa forma, Lucas pode ter ficado cada vez mais preocupado com o que os amigos iriam pensar dele e ao ceder deixou de ser sincero consigo mesmo e, certamente , sentiu remorso por ter feito algo que não queria. Observe que nosso personagem Lucas deixou de expressar seus sentimentos e opiniões em benefício de outras pessoas. E esse tipo de comportamento é muito mais comum do que imaginamos e causa sérias dificuldades às pessoas em suas relações sociais, afetivas e profissionais, pois exigem um alto nível investimento emocional, acompanhado, principalmente de ansiedade e sentimento de culpa.

A forma como Lucas respondeu à situação, tecnicamente é chamada de COMPORTAMENTO INASSERTIVO ou NÃO-ASSERTVO, ou seja, um padrão comportamental de inibições, timidez que causa prejuízos por falta de expressão mais adequada dos sentimentos e opiniões, ou quando a pessoa sempre cede à vontade alheia, guardando seus desejos dentro de si e tende a pensar na resposta apropriada somente depois que a oportunidade passou. Muitas vezes a pessoa se torna inassertiva em função do histórico de punições que teve em sua vida, onde nos momentos em que tentou manifestar seus sentimentos, opiniões ou desejos foi punida. E isso pode ter sido iniciado desde a infância (bronca da mãe) ou em períodos mais recentes da vida (bronca do chefe).

Quando agimos com INASSERTIVIDADE, nos comportamos de forma a tentar obedecer/ceder par evitar problemas. Só que com isso fortalecemos ainda mais a posição das pessoas, fazendo que elas assumam o controle sobre nosso comportamento. Mas a grande sequela se caracteriza pela perda da nossa autonomia, o sentimento de frustração, impotência e culpa, que tende a se generalizar para todos os contextos, sejam na escola, faculdade, família, trabalho e até mesmo nas relações amorosas. Como a pessoa inassertiva não consegue falar o que pensa, nem expressar sua opinião, ela pode achar que as pessoas se aproveitam dela. E muita gente se aproveita disso para torná-las submissas.

Claro que algumas pessoas que são inassertivas, em um dado momento, vão tentar fazer com que suas opiniões sejam respeitadas, mas muitas vezes por não saber como fazer isso da melhor forma, acabam sendo agressivas. É sobre agressividade que falaremos no próximo post desta série.

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Elídio Almeida
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Orientação vocacional e a dificuldade do jovem para escolher uma profissão.

No último post falei sobre a Orientação Vocacional e como os pais podem influenciar na escolha profissional dos filhos. Hoje vou falar como os jovens ficam apreensivos com a dificuldade de escolher a profissão, além de falar sobre os testes vocacionais e o que eles avaliam.

Muitos jovens ficam bastante nervosos e preocupados na hora de escolher a sua profissão. Durante o ensino médio e com a aproximação do vestibular, essa tensão tende a se agravar e muitos precisam de um suporte psicológico para poder passar por esse momento de forma menos danosa. Por essa razão muitas pessoas me perguntam o que fazer neste momento tão delicado para o jovem. Costumo dizer que não há uma receita pronta, pois cada pessoa é diferente da outra, mas algumas dicas podem ajudar.

Um bom exercício para auxiliar nesta escolha é buscar o autoconhecimento para entender suas preferências atuais, como elas foram construídas, que coisas você gostava antes e hoje não gosta mais, o que você pretende fazer no futuro ou como gostaria de viver. Que tal tentar pensar um pouco sobre isso?

Fazer esta reflexão pode ajudar você a se compreender melhor e ajudar na escolha da profissão mais adequada para sua vida. Mesmo após essa reflexão, algumas pessoas optam por participar de uma orientação vocacional e também fazer alguns testes vocacionais. Os testes vocacionais podem ajudar a conhecer suas habilidades e gostos. No entanto, você não deve confiar em testes da internet ou utiliza-lo de forma isolada, sem suporte profissional e, principalmente, você não é obrigado a definir uma profissão só porque algum teste indicou. A crítica que faço ao uso dos testes vocacionais da internet utilizados de forma isolada é que eles são questionários padronizados muitas vezes de procedência duvidosa e que apresentam dados de uma média populacional. Como falei anteriormente, num momento tão importante como este as pessoas devem ser analisadas e instruídas levando em consideração sua individualidade, e não uma média de respostas padronizadas. É como diz o ditado popular: “Os dedos das mãos fazem parte de um mesmo grupo, mas cada um é diferente do outro e possui uma função”.

O ideal é você optar por uma orientação vocacional que acompanhe e avalie as suas expectativas de forma ampla e não se prenda apenas a aplicação de testes. A orientação vocacional individual ou em grupo deve basear-se em: autoconhecimento, levando em consideração o passado, presente e perspectivas para o futuro; conhecimento da realidade profissional, histórico da profissão e projeção para o futuro; os processos que envolvem a tomada de decisão do curso, levando em consideração os pós e contras desta decisão.

Mas o que os Testes Vocacionais e a Orientação Vocacional avaliam? Teoricamente esses instrumentos e procedimentos visam identificar: as aptidões, interesses, aspectos da personalidade, da inteligência e como esses dados ajudam a apontar a escolha mais conveniente em termos realização pessoal e profissional. Os testes mais empregados atualmente são os testes de desenvolvimento cognitivo global, que avalia as habilidades do ser humano, o nível de percepção, a memória e o raciocínio. Outras opções são os testes de identificação da personalidade, que visa analisar as características pessoais, equilíbrio emocional, além de verificar as angústias, rivalidades e conflitos da pessoa. Depois que os testes são realizados, seguem-se para as entrevistas com o jovem e os pais dele. A conversa é baseada no histórico familiar, cultural, situações do cotidiano, relacionamento social, entre outros assuntos. A partir daí é possível chegar ao perfil da personalidade que revela as características, habilidades, dificuldades em questão.

Uma boa orientação vocacional não deve ficar presa a resultados de testes vocacionais. Os testes apenas dão uma referência em um contexto específico e não podem ser usados para rotular os sujeitos e nem como método único de orientação vocacional. As pessoas respondem diferentemente em lugares e em contextos distintos, neste sentido os resultados dos testes vocacionais, quando não manipulados por profissionais qualificados na área, podem mascarar as pessoas generalizando seus comportamentos.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
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Sentimento de Culpa

No post “você sabe dizer não?” falei um pouco sobre assertividade, um tipo de comportamento que torna a pessoa capaz de agir em benefício de seus próprios interesses, expressando seus sentimentos de forma clara, sincera, sem constrangimentos e sem ferir outras pessoas. Hoje vou falar sobre sentimento de culpa, um oposto do comportamento assertivo, que se instala quando agimos de forma inadequada e acabamos guardando nossos desejos, cedemos às vontades alheias e essas ações nos trazem prejuízos e arrependimentos.

Quando fazemos algo que julgamos inadequado ou que fere convenções morais ou princípios éticos, sejam eles criados por nós mesmos ou pela sociedade, ficamos expostos a possibilidade de sermos punidos. Por exemplo, quando uma jovem afirma: “Não vejo graça nenhuma nesta festa, pois sei que meu pai está aborrecido comigo por eu ter vindo”, ela sente-se culpada, pois sabe que depois vai ter que enfrentar o aborrecimento do pai, as broncas ou até mesmo o corte da mesada. Ou ainda, quando um vestibulando diz: “Não consigo me divertir durante os feriados, pois fico o tempo todo pensando que deveria estar estudando”. Neste caso o sentimento de culpa surge em função da possibilidade dele ser punido com a reprovação no vestibular se seus concorrentes se saírem melhor na prova.

A pessoa que se sente culpada experimenta várias sensações desagradáveis como: raiva de si mesma, preocupação excessiva com a opinião dos outros, mal estar, dificuldade de assumir responsabilidade pelos próprios atos, sente-se rejeitada ou vítima da situação, dificuldade de expressar os reais sentimentos, não consegue dizer “não”, tem baixa autoestima, além de procurar agradar fazendo algo pelos outros e raramente para si mesma. A grande questão é que além de enfrentar todos esses comportamentos que estão atrelados ao sentimento de culpa, a pessoa acha que o erro está nela, o que pode agravar ainda mais a situação. Como procurei mostrar nos exemplos acima a culpa se instala em função de haver um julgamento da ação e possivelmente uma punição caso ela não seja aprovada. Ou seja, o sentimento de culpa não surge pelo fato de ter ido à festa ou está curtindo o feriado, mas sim pelo julgamento e desvio do enfoque da ação, que normalmente considera a pessoa culpada.

Para ficar mais claro vamos pensar o seguinte: o filho faz algo que a mãe não aprova e ela tenta punir verbalmente o filho dizendo: “Estou triste com o que você fez”; “Sua atitude me entristece”; “Não esperava isso de você”… Observe que as verbalizações da mãe tornam o filho responsável pelos seus atos: “por sua culpa, não dormi”; “por sua causa, seu pai brigou comigo”; “você é culpado da minha tristeza”; “você quer matar sua mãe?”; “não aguento mais você”… O filho que se sente culpado não tem uma visão crítica sobre o a função do comportamento da mãe acaba admitindo que seu comportamento (ou, até pior que isso, que é ele) que gera sofrimento na mãe. Como o sofrimento da mãe é algo desagradável, logo, nada mais provável, do que ele reduzir a frequência da ação ou se voltar a fazer, sentir-se culpado por gerar sofrimento à mãe.

Na psicoterapia, o terapeuta pode ajudar a detectar o funcionamento das condições em que o sentimento de culpa se instala, como ela atinge não somente a  pessoa que se sente culpada, mas também as demais pessoas envolvidas no contexto, de forma a avaliar a situação criticamente e ter comportamentos mais adequados e assertivos. Todo esse processo envolve emitir comportamentos que minimizem a possibilidade de punição (autopunição ou punição por terceiros) e aumentar a probabilidade de sucessos de seus atos. O terapeuta procura levar o paciente a reconhecer que emitir comportamentos “inadequados” é fruto do contexto e não de “culpa” ou “responsabilidade” pessoal. Se há algo responsável pelos comportamentos emitidos inadequadamente, certamente perpassam pelo contexto e pelas relações. Por isso, os esforços de mudança devem ser dirigidos para o contexto e para as relações, não especificamente sobre a pessoa de forma particularizada. Como costumamos sempre dizer: “para obtermos respostas diferentes, devemos ter comportamentos diferentes”.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
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Auto estima

Em alguns momentos da vida percebemos que não estamos felizes em relação a nós mesmos e também conseguimos saber quando outras pessoas não estão se valorizando o suficiente, e costumamos dizer que elas não têm amor próprio ou que têm uma baixa auto-estima.

A auto-estima está muito relacionada ao autoconhecimento, pois é o autoconhecimento que pode ajudar a melhorar a auto-estima. Quando nos sentimos chateados com alguma coisa e a auto-estima diminui, por exemplo, se procurarmos saber quando esse sentimento começou (onde e com quem a gente estava) e fizermos um “mapeamento” dele, começamos a nos conhecer melhor e esse autoconhecimento ajuda a gente a se entender, a saber onde é preciso mudar e a gente passa a ter uma auto-estima melhor.

Muitas vezes quando a nossa auto-estima está meio em baixa, podemos nos questionar se estamos exigindo demais de nós mesmos, se estamos impondo a nós mesmos conquistas ou mudanças grandes demais ou rápidas demais para as nossas possibilidades. Se a exigência é alta, a decepção quando as coisas não dão certo também pode vir a ser. Ter objetivos é muito importante, mas alcançá-los passo a passo dentro do que é possível pode ser uma alternativa mais saudável para nossa auto-estima. Quando a gente tem um problemão, pode dividi-lo em probleminhas que a gente consiga resolver e assim cada etapa resolvida é uma pequena vitória, é um passo à frente.

Auto-estima também é uma coisa que se constrói. Ela começa a ser construída quando os pais valorizam os filhos levando em conta suas opiniões e sentimentos e quando lhes dão atenção independentemente de tirarem boas notas ou de terem um comportamento exemplar, como se estivessem dizendo que os amam e os valorizam gratuitamente. Os pais que incentivam seus filhos a descreverem como se sentem, os ajudam a se conhecer e a construir sua auto imagem.

É importante que a gente preste atenção aos nossos próprios sentimentos e que esse seja o principal critério para as nossas escolhas. Quando a gente passa a se perguntar como está se sentindo e leva isso em consideração, ou quando a gente é sensível ao que vem de dentro, a gente tem mais chance de optar por coisas que nos façam bem e contribuam para que nossa auto-estima fique em alta.

 

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
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Você tem medo de falar em público?

Falar em público é uma habilidade social extremamente necessária. Diariamente nos deparamos com situações em que a necessidade de termos uma boa oratória é cada vez mais exigida; afinal, rotineiramente, estamos participando de reuniões, onde normalmente temos que emitir um parecer ou opinião sobre determinado assunto ou a apresentação de um trabalho no colégio ou na faculdade, dentre outros.

Embora essas situações sejam corriqueiras, algumas pessoas simplesmente não conseguem erguer o braço e pedir o direito de voz na sala de aula ou na reunião do trabalho, e sequer se imaginam dando uma palestra para a turma da faculdade. Para essas pessoas, sempre que a necessidade de falar em público ou de, simplesmente, dizerem o próprio nome se aproxima, há um “frio na barriga”, taquicardia, desorganização do pensamento e a esquiva da exposição é certa.

Dessa forma, por não conseguir se expressar perante outras pessoas em função do medo, ansiedade ou outros fatores, a pessoa enfrenta um sofrimento por não ter sido capaz de realizar uma coisa “tão simples” para outras pessoas. Em função da incapacidade de falar em público, pode-se, inclusive, perder a oportunidade de alcançar uma promoção no trabalho ou o simples reconhecimento da turma ou dos familiares.

Treinamentos de oratória em grupo podem auxiliar muitas pessoas que têm essa dificuldade. Porém, algumas não conseguiriam encarar uma turma mesmo estando cientes de que essa seria composta de pessoas com as mesmas dificuldades. Nesse sentido, a psicoterapia comportamental enfatiza um programa de intervenção nos casos do medo de falar em público que envolve sessões psicoterapia, técnicas e instrumentos nos quais se busca identificar os elementos que desencadeiam o medo de falar em público; para assim, realizar um treinamento no qual a pessoa aprende a enfrentar o medo de uma forma menos angustiante, com mais segurança e confiança e si.

 

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
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Transtorno do Pânico

O transtorno de pânico, anteriormente chamado de síndrome do pânico, é um conjunto de alterações corporais e comportamentais que se caracterizapor ataques ou crises de pânico que acontecem de forma súbita e intensa. Normalmente provoca taquicardia, dificuldade de respirar, boca seca, tremores, sudorese, tonteira, vertigens, pernas bambas, náusea, formigamento, medo de perder o controle, desmaio, terror (sensação de que algo terrível irá acontecer) e medo de morrer. Os ataques têm seu ápice por volta de dez minutos após o início, podendo durar até uma hora. Por vezes, o transtorno do pânico se apresenta associado a outros transtornos, como de ansiedade generalizada ou especifica (como agorafobia), depressão, transtorno obsessivo compulsivo. De acordo com alguns relatos de clientes os ataques surgem aparentemente “do nada”:

De repente, eu senti uma terrível onda de medo, sem nenhum motivo. Meu coração disparou, tive dor no peito e dificuldade para respirar. Pensei que fosse morrer.

As histórias típicas das pessoas que tiveram ataques de pânicos são de uma vida normal até a ocorrência do primeiro ataque. Depois disso, suas vidas pessoais, profissionais e afetivas ficam comprometidas. Isso porque os lugares em que ocorreram os ataques de pânico, normalmente, passam a ser evitados, o que leva a restrições importantes quanto às atividades profissionais e pessoais.

Tenho tanto medo. Toda vez que me preparo para sair, tenho aquela desagradável sensação no estômago e me aterrorizo pensando que vou ter outra crise.

É nesse momento que outros problemas comportamentais podem surgir, tais como, depressão, ansiedade generalizada, agorafobia, ou uso indiscriminado de remédios. Fatores influenciadores As causas dos ataques de pânico estão relacionadas, principalmente, a fatores ambientais/históricos ao longo da vida de cada pessoa. Assim, compreender a história de vida daquele que tem o transtorno do pânico é fundamental para o seu tratamento. Normalmente, as pessoas que sofrem de ataque do pânico costumam apresentar muitos aspectos em comum:

a) são pessoas extremamente produtivas no nível profissional;

b) costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidades e afazeres;

c) são muito exigentes consigo mesmas e não convivem bem com erros ou imprevistos;

d) são perfeccionistas com excessiva necessidade de estar no controle e de ter a aprovação dos outros;

e) têm tendência a se preocupar demais com os problemas do dia a dia;

f) possuem alto nível de criatividade;

g) possuem auto-expectativas extremamente altas e tem fortes regras;

h) não sabem diferenciar seus sentimentos; e

i) tem uma grande tendência à não perceber suas necessidades físicas.

Outras características que têm sido observadas naqueles que desenvolveram o transtorno são a privação afetiva, a dependência emocional e a submissão nas relações interpessoais. Dê uma olhada no vídeo abaixo, ele mostra um pouco da vida de um casal que sofria por conta do transtorno do pânico.

Tratamento indicado

Muitas pessoas com o transtorno de pânico acreditam que as crises podem ser passageiras e circunstanciais, não buscam e/ou não recebem apoio da família e demoram a procurar tratamento especializado. Essa demora compromete o quadro, produzindo aumento na freqüência dos ataques/crises, bem como o aumento das limitações na vida da pessoa. Além disso, por não saberem qual profissional procurar e por não entenderem as reações físicas que estão sentindo, procuram os prontos-socorros, onde nem sempre há um profissional de saúde que pode apresentar um diagnóstico preciso. O acompanhamento médico pode ser necessário, todavia a psicoterapia comportamental tem se mostrado extremamente eficaz no tratamento de pessoas com transtorno do pânico.

A terapia comportamental objetiva a promoção de auto-conhecimento, levando a pessoa a compreender eventos na sua vida que desencadeiam e/ou mantém o pânico. Além disso, a terapia comportamental dispõe de técnicas para expor a pessoa a situações que desencadeariam o pânico, lenta e gradualmente, de forma que haja uma dessensibilização para o local “temido”, ensinando-o a enfrentar suas limitações de forma menos estressante. Nesta terapia, é enfatizada a importância de se aprender a colocar limites nas relações interpessoais, entender que não se deve viver para agradar outras pessoas e que não se deve sentir responsável por todos e por tudo.

Vale ressaltar que a pessoa pode, paralelamente à psicoterapia, se engajar no tratamento medicamentoso, mas se não mudar seus comportamentos, e o contexto que a levou e/ou mantém suas crises, a tendência é que o problema persista. O transtorno de pânico quando não tratado, produz sérias conseqüências na vida pessoal, profissional e afetiva de uma pessoa.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
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Medo de Dirigir

Entrar no carro, dar a partida, engatar a marcha, soltar o freio-de-mão e dirigir até um determinado destino é uma rotina comum a muitas pessoas. No entanto, o que é hábito para alguns é dor e tormento para outros.

O medo de dirigir atinge várias pessoas; muitas delas não procuram tratamento e acabam por levar uma vida de dependência e privações: sempre dependem de alguém para conduzi-las em automóveis ou podem até deixar de fazer algo importante em função do medo de dirigir. Nesses casos, é importante saber diferenciar o medo de dirigir da fobia de dirigir.

O medo de dirigir é um conjunto de respostas comportamentais caracterizadas por um estado de apreensão muito grande, porém controlável. Ou seja, mesmo com medo a pessoa pode até desejar que outras pessoas dirijam em ruas onde o trânsito é mais movimentado ou nas rodovias, mas se não tiver alternativa, ela assume o volante do carro.

A fobia de dirigir, por outro lado, além da ansiedade e do medo intensos, é associada a reações corporais como: sudorese, tremores nos braços e pernas, taquicardia e boca seca. Tudo isso pode aparecer quando a pessoa dirige ou até mesmo quando pensa na simples possibilidade de dirigir; e por isso ela evita a qualquer custo o volante.

É bastante comum pessoas que sofrem com o medo ou a fobia de dirigir passar a dar justificativas para o comportamento de não dirigir: “Prefiro andar porque é mais saudável”, por exemplo. O problema é que a manutenção desse comportamento faz com que ela torne-se dependente de outras pessoas e perca sua autonomia.

Dicas para quem deseja vencer o medo/fobia de dirigir:

  1. Compasse a sua respiração. O ansioso tem uma respiração rápida e “curta”, utilizando, apenas, o tórax. De boca fechada, inspire lentamente pelo nariz e vá sentindo o ar chegar até os seus pulmões. Deixe seu abdômen expandir enquanto inspira, utilizando o músculo diafragma. Depois expire devagar pela boca.
  2. Faça algum tipo de atividade física e relaxamento muscular, para produzir endorfinas, substâncias que neutralizarão a química da ansiedade.
  3. Inicie uma aproximação com o carro mesmo dentro da garagem. Entre, ajuste o banco, sinta o espaço interno, ligue e desligue o carro.
  4. Ainda dentro da garagem, ligue o carro e faça pequenos movimentos para frente e para trás.
  5. Dê voltas no quarteirão em horários sem movimento. Procure ruas tranquilas e que não tenham crianças.
  6. No começo, escolha sempre um ou dois trajetos. Isto evitará ansiedade.
  7. Comprometa-se consigo mesmo(a), pelo menos duas vezes por semana para praticar o exercício de dirigir. Esta prática deve ser considerada como uma tarefa do dia-a-dia. O hábito diário é que fará você adquirir confiança.
  8. Quando se sentir confiante, inicie trajetos maiores ou que tenham subidas e uma maior quantidade de veículos.

Infelizmente, poucas pessoas conseguem superar sozinhas o medo de dirigir. A essas pessoas é aconselhável procurar um tratamento especializado com um psicólogo.

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
elidioalmeida.wordpress.com

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