Arquivo para a categoria 'Assertividade'

Comportamento Assertivo – Pensar, agir e ser diferente sendo respeitado.

Nos posts anteriores vimos que o comportamento AGRESSIVO nega os direitos da outra pessoa, na tentativa de rebaixá-la ou humilhá-la e sua principal consequência é o mal-estar para todos os envolvidos. Vimos, também, que o comportamento INASSERTIVO é um padrão comportamental caracterizado por inibições e timidez que causam prejuízos por falta de expressão adequada dos sentimentos e opiniões e tende a provocar a perda da autonomia da pessoa, colocando-a numa posição submissa. Para continuar a série destes comportamentos, hoje destacaremos o comportamento ASSERTIVO.

Se considerarmos que a agressividade é prejudicial para todos os envolvidos e que a inassertividade traz prejuízos às pessoas que não conseguem se expressar, devemos encontrar então um meio de se comportar onde todos os envolvidos tenham os mesmos privilégios, direitos e, principalmente, que todos “saiam ganhando”. Essa é a premissa do COMPORTAMENTO ASSERTIVO – um tipo de comportamento que privilegia o direito que toda pessoa tem de se expressar, sentindo-se bem (sem culpas, remorsos ou arrependimentos), sendo capaz de agir em função de seus próprios interesses e afirmando suas opiniões sem ansiedades indevidas, constrangimentos e sem negar os direitos alheios.

Muita gente, no dia a dia, confunde o comportamento assertivo com o inassertivo, pois tendem a achar que para ser assertivo seja necessário concordar com a totalidade das outras pessoas. Na verdade a assertividade perpassa mais pelo caminho do diálogo racional e franco, da exposições de opiniões e pensamentos e das negociações necessárias para que todos convivam da melhor forma possível, independente das opiniões radicalmente opostas. E num tempo em que tanto se fala em conviver com as diferenças, nada melhor do que ser assertivo.

Para entendermos melhor o que vem a ser o comportamento assertivo, que tal analisarmos na prática a diferença entre demais comportamentos? Imagine o seguinte caso: Paulo é um jovem universitário e na noite em que comemorava a aquisição do seu carro novo com os colegas da faculdade num barzinho, um colega lhe pede o carro emprestado para apanhar algo num lugar não muito próximo. Neste momento Paulo pode comportar-se das três formas que falamos anteriormente, vejamos:

Agressiva:

Paulo mostra indignação pelo pedido do colega, diz-lhe “absolutamente não” e começa a censurá-lo severamente por atrever-se a fazer um pedido “tão cretino”. Ele humilha o colega e faz um papel ridículo. Mais tarde se sente incomodado e com sentimento de culpa. Já o colega se sente ferido e estes sentimentos manifestam-se mais tarde e a relação entre eles passa a ser bastante tensa.

 Inassertiva:

Ele “engole em seco” seu medo do colega danificar o carro e por não conseguir dizer não, mesmo tendo muita estima e zelo pelo veículo, diz: “Claro aqui a chave”. Com isso ele se não se sente no domínio do veículo e reforça o colega a fazer mais pedidos dessa categoria noutra oportunidade e fica muito preocupado e ansioso até o colega voltar, desejando que fique tudo bem.

E se ele fosse assertivo, como seria?

Ele contextualizaria falando do significado do carro e, gentil, mas firmemente, diria que aquele pedido não poderia ser atendido, pois o carro é novo, com poucas horas de uso, muito especial e que ele ainda não sabia da habilidade do colega ao volante, por isso não emprestaria naquele momento. Mais tarde ele se sente bem por ter sido sincero consigo mesmo e o colega, reconhecendo a validade da resposta de Paulo, cria admiração por Paulo, sendo também mais honesto e franco com ele.

 

Nos exemplos acima podemos identificar qual das respostas foi a mais adequada à situação. Então, assertividade enquanto conduta a ser adotada na prática traz exigências mais profundas, uma vez que uma atitude assertiva pede a construção de um reportório comportamental bem desenvolvido para sustentar tais posições. Para ser assertivo é preciso saber o que se quer, conhecer seus direitos e deveres, conhecer seus potenciais e limites, saber expressar-se com transparência, lógica e com boa argumentação. Mas é também necessário ser flexível, saber ouvir o que o outro tem a dizer (com a devida atenção e respeitando seu ritmo) e, sobretudo, ser empático permitindo assim, colocar-se no lugar do outro e procurar entender o mundo principalmente pensando nas consequências dos comportamentos em curto, médio e longo prazo. Sei que falado assim parece fácil, mas muitas pessoas precisam de suporte profissional para chegar a este estágio de assertividade.

Dia desse vi essa foto na internet e classifiquei a posturas destes torcedores do Bahia e do Vitória como uma postura significativamente assertiva. Lógico que sei que eles não representam o padrão comportamental de ambas as torcidas, mas esta imagem pode ilustrar bem o que estou tentando mostrar neste post. Vejam que os torcedores demonstram superar as diferenças e rivalidades dos times e conviver em harmonia. E ainda ouso a pensar que a imagem ficaria ainda mais interessante se criança estivesse com uma camisa do time rival ao do pai, ou com uma camisa de outro estado, por exemplo. Muito legal!

Existe muitas vantagens quando nos comportamos de forma assertiva. Algumas pesquisas demonstraram que a utilização de respostas assertivas inibe ou enfraquece a ansiedade previamente experimentada em relações interpessoais onde já estiveram presentes comportamentos inassertivos ou agressivos e uma boa dia para avaliar as vantagens do comportamento assertivo é observar as consequências que ele traz ao contexto e de repente fazer um comparativo com os resultados trazidos pelos outros comportamentos.

Assim, um comportamento assertivo apropriado à situação aumentaria a auto-apreciação de quem emite a resposta através da expressão honesta de seus sentimentos e consequentemente a demais pessoas tendem a sentir-se mais encorajadas a comportar-se de forma assertiva dado o exemplo do seu interlocutor e do bem-estar que o diálogo e a interação trazem à relação.

Em breve trarei mais posts sobre assertividade.

Se você tem alguma dúvida, crítica ou sugestão clique AQUI e deixe seu comentário.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Comportamento Agressivo – Falo o que penso e não levo desaforo pra casa.

Continuando a série de posts sobre os compor- tamentos Inassertivo, Agressivo e Assertivo, hoje falaremos sobre COMPORTAMENTO AGRESSIVO. No post anterior vimos que mesmo as pessoas inassertivas vão, em algum momento, tentar fazer com que suas opiniões sejam respeita- das. Por  algumas razões, dentre elas por não saber como fazer isso da melhor forma, acabam sendo agressivas.

Pra gente compreender melhor o tema deste post na série, vamos analisar desta vez a situação vivida pelo casal Antonio e Maria*. Eles estão casados há cinco anos e recentemente vêm tendo problemas de relacionamento no casamento, porque ele insiste que ela está muito gorda e precisa emagrecer. Ele repete constantemente o assunto, dizendo que ela não é mais a mesma mulher com quem se casou, que ela está com excesso de peso, que isso faz mal à saúde, que ela é um mau exemplo para as crianças, etc. Além disso, ele a goza, dizendo que ela é uma bola, olha apaixonadamente para as moças magras, comentando sobre o quanto são atraentes, e faz referências à sua aparência na frente dos amigos. Maria já está terrivelmente contrariada. Ela tem tentado perder peso, mas sem muito sucesso.

No post em que falamos de inassertividade, se Maria agisse de forma não-assertiva, certamente ela iria pedir desculpas por seu sobrepeso ou simplesmente aceitaria calada as críticas do marido. Mas já sabemos que quando agimos com inassertividade, sentimos raiva, chateação, culpa, ansiedade dentre outros aspectos. Mas como seria se Maria reagisse ao comportamento do marido com agressividade?

Talvez Maria fizesse comentários, dizendo que seu marido não vale grande coisa. Diria que à noite ele cai no sono no sofá, é um péssimo parceiro sexual, não lhe dá atenção suficiente, que age como um “velho sem vergonha” pelo modo que olha as moças atraentes e outros comentários depreciativos em relação ao marido. Veja que estes argumentos de Maria não têm nada a ver com o problema, mas sua raiva só consegue ferir Antonio e construir uma barreira entre eles, defendendo-se com o contra-ataque ou seja, ela também seria muito agressiva em seu comportamento de reação.

O comportamento agressivo se caracteriza pelas ações que acabam negando os direitos da outra pessoa, rebaixando, ferindo e humilhando, ou seja, destruindo os outros a fim de atingir seus próprios objetivos. Geralmente a agressividade ocorre quando estamos numa posição defensiva, nosso sentimento de autoestima está baixo, além de mascarar fortes aspectos como sentimentos de culpa e insegurança.

Uma pessoa agressiva é aquela que expressa suas necessidades, preferências, emoções e opiniões de forma hostil, exigente, ameaçadora, humilhante ou punitiva, sem se preocupar com consequências de suas ações. Claro que uma pessoa que tem este comportamento defende seus posicionamentos e pontos de vista, mas faz isso à custa da violação dos direitos dos outros, além de gerar ódio e frustração nas outras pessoas, pode provocar revoltas ou até mesmo comportamentos de vingança.

E como nos tornamos agressivos? Já nascemos assim? Ninguém nasce agressivo. Este é um comportamento originado a partir de um histórico de punições que a pessoa sofreu ao longo de sua via, pelo reforçamento negativo que é a eliminação das estimulações aversivas do contexto, mas, principalmente, pelo reforçamento positivo, ou seja, na maioria das vezes que ela se comportou de forma agressiva obteve um reforço positivo (teve seu objetivo alcançado). Por exemplo, para mostrar que é ele quem detém o poder na empresa, o chefe grita e ameaça demitir seus funcionários. Quanto mais ele ameaça, mais as pessoas se comportam como ele espera.

Outro exemplo de reforçamento positivo podemos encontrar no vídeo a seguir

Observe que o auditório rir bastante quando Sílvio Santos humilha a dançarina Carla Perez “insinuando” que ela é burra. O riso do auditório funciona como uma aprovação ao comportamento dele e a probabilidade deste ato se repetir se torna cada vez maior. Reparou como ele pega ainda mais pesado na segunda “piada”? Lembro de uma vez que estava discutindo agressividade com um paciente, usamos este mesmo vídeo para ilustração e ele disse: “Mas Elídio, ele foi apenas irônico, não foi agressivo!” Este é um erro muito frequente. A agressividade não se caracteriza exclusivamente pelas manifestações com topografias explicitamente grosseiras, muitas vezes a agressão é praticada de forma sutil, com conotação de brincadeira, como é o caso da ironia.

Já que estamos falando de ironia, vejam só este vídeo de Xuxa:

Entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo, onde Xuxa fala sobre as vaias que recebeu num show apresentado num festival no Chile e ataca a imprensa que divulgou o fato. Veja o vídeo na íntegra aqui.

Para que tanta agressividade? Talvez ela não saiba, mas a ironia e tudo mais que ela fala nesse vídeo é mais que falta de respeito é pura AGRESSIVIDADE!

Quem é vítima de comportamentos agressivos obviamente sofre bastante com esta questão. Mas quem é agressivo, também não sofre? É muito comum ouvirmos de pessoas agressivas a seguinte frase: “Falo o que penso e não levo desaforo pra casa“. Muita gente que fala isso pensa que atingindo outras pessoas estão fazendo o bem para si, extravasando a raiva ou ódio daquele momento ou situação, de qualquer forma. Porém, dentre outras conseqüências, quem pratica a agressividade:

        1. Apresenta relações interpessoais frágeis;
        2. Normalmente afastam as pessoas de si;
        3. Têm dificuldades para controlar suas emoções;
        4. Tendem a desenvolver sentimento de culpa e ansiedade;
        5. Dificuldade em liderar equipes e lidar com o poder;
        6. Normalmente têm complexos de superioridade;
        7. São extremamente desconfiados;
        8. Podem elaborar fantasias para sustentar sua agressividade;
        9. São vulneráveis ao isolamento;
        10. Geralmente são muito controladores.

A boa notícia de tudo isso é que a psicoterapia comportamental pode ajudar tanto quem se identifica como agressivo ou como vítima de agressões. Em ambos casos, a partir do tratamento, as pessoas aprendem a controlar melhor suas emoções, analisar os contextos e as consequências das ações e, principalmente, a desenvolver formas de se expressar sem a necessidade de negar seus desejos, pensamentos e objetivos, tudo isso sem agredir, ferir ou humilhar as outras pessoas. Na terapia são desenvolvidos treinos de habilidades sociais e ampliação dos comportamentos assertivos (comportamentos adequados) em cada situação.

No próximo post da série, falaremos sobre COMPORTAMENTO ASSERTIVO, aguarde!

Comente este post clicando AQUI.

* Adaptado de Robert E. Alberti & Michael L. Emmons, in Comportamento Assertivo.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Por que as pessoas mentem?

Ontem, depois que saí do consultório, fui ao supermercado. Na hora de registrar as compras, como sempre, peguei uma fila quilométrica. Daí, comecei a procurar algo para “ocupar a mente”, resolvi dar uma olhada nas funcionalidades de um dos celulares que uso e descobri uma função no mínimo inusitada. Como a proposta deste post é discutir as razões que levam as pessoas a mentir, vou deixar pra falar sobre a descoberta do celular mais a diante. Antes, vamos tentar entender o que é e como ocorre a mentira.

Se alguém perguntar o que é MENTIRA, certamente você vai responder algo como: “dar uma informação falsa a alguém”, ou “afirmar que uma coisa falsa é verdadeira”. Porém isso não responde e tampouco explica o que leva uma pessoa a mentir. Para compreender melhor esta questão, precisamos encontrar uma definição relacional, ou seja, que leve em consideração o contexto onde a mentira foi produzida e quais foram suas consequências.

Uma boa ferramenta que temos para fazer a relação entre o contexto e as consequências é analisando o comportamento verbal.  Por comportamento verbal, entendemos todo comportamento (ação) de uma pessoa que produz efeitos noutra pessoa antes mesmo de produzir efeitos no contexto. Por exemplo, uma pessoa que está sentindo calor pode pedir a outra que ligue o aparelho de ar-condicionado, no lugar dela mesma ligar. Seu comportamento (verbal), ou seja, sua solicitação agiu sobre outra pessoa e esta pessoa modificou o meio em que ambas se encontravam.

Quando uma descrição ou afirmação como esta do ar-condicionado é formulada e emitida, o outro pode se utilizar dela para nortear seu comportamento. Observa-se, então, que descrições ou regras formuladas por uma pessoa afetam o comportamento do outro e nessa intenção de fazer com que a outra pessoa se comporte e provoque mudanças no contexto, pode ocorrer tanto a emissão de verdades quanto de mentiras.

Falar a verdade ou contar uma mentira, são comportamentos verbais aprendidos e mantidos pelas consequências que produzem. Ou seja, quando alguém é beneficiado por contar uma mentira, tal comportamento pode ser aprendido. Se mentir mais vezes trouxer “vantagens”, ele será mantido em alta frequência e selecionado para fazer parte do repertório comportamental da pessoa. Nesse sentido, precisamos considerar que o comportamento de mentir pode ser mantido, também, por afastar ou adiar consequências desagradáveis. Por exemplo, o estudante que falta a aula para não fazer uma prova que não estudou ou a criança que finge estar doente para não ir à escola.

Você saberia dizer quando e porque aprendeu a mentir? Normalmente aprendemos isso desde a infância. As crianças mentem com frequência para seus pais, pois eles costumam punir quando elas falam a verdade  sobre algo que os pais consideram errado. Então, elas podem aprender a mentir para, por exemplo, ter a oportunidade de brincar com um coleguinha que não é bem quisto pela sua família, ou mentir sobre ter realizado a tarefa de casa para assistir ao seu desenho favorito.

Como foi afirmado anteriormente, pode-se mentir para ter acesso a alguma vantagem ou evitar um “mal maior”. Assim sendo, as pessoas têm maior probabilidade de mentir menos e dizer a verdade diante de contextos em que o que elas não se sintam julgadas, não são criticadas, nem punidas. Se um pai pune o filho quando ele relata que assistiu TV quando deveria estudar, é importante observar que ele puniu o comportamento do filho ter feito o que não devia, mas, puniu principalmente o comportamento de dizer a verdade. Você, por exemplo, após ter sido punido por dizer a verdade, você a diria em outra ocasião?

Com isso, podemos entender que as pessoas mentem porque aprenderam a evitar punições ou ter vantagens a partir das mentiras, certo? Certo. Mas o que mais pode contribuir para que as pessoas mintam? Se você disse (ou pensou) que, para uma pessoa mentir é preciso que ela tenha as ferramentas e as condições para que a mentira seja elaborada e emitida, você acertou novamente! E já que chegamos às condições para que a mentira ocorra, vou falar do descobri no meu celular.

Na fila do supermercado, ao acessar o menu principal…

… me deparo com uma lista ferramentas, onde no topo aparecia: “chamada falsa”!

Curioso (lógico) quis saber como funcionava e para que servia.

Dei OK e surgiram opções para configurar a “chamada falsa”:

1) Ligar/desligar – para ativar/desativar a ferramenta;

2) Hora – definir o intervalo para que a chamada “falsa” fosse realizada;

3) Remetente – para inserir o nome e número do telefone de alguém .

Ativei a ferramenta, programei um intervalo de 01 minuto (poderia ser entre 10 segundos  e 30 minutos) e coloquei um nome e um número de telefone.

Confirmei a ação.

Pronto, agora era só esperar pra ver o que aconteceria.

30 segundo depois, o próprio celular toca, informando o nome e o número do celular que eu havia preenchido nos campos de configuração da “chamada falsa”.

Ri comigo mesmo, pois parecia até eu estava surtando. Juro que pensei “se eu atender, quem é que vai falar comigo? Tenso e curioso, atendi e felizmente não ouvi nada, mas verifiquei que no o visor mostrava como se de fato eu estivesse com uma ligação em curso. Inclusive ficou registrada nas chamadas recebidas com tempo de duração e tudo mais.

Não sei se o exemplo foi válido, mas com isso tentei ilustrar o quando o contexto em que vivemos e as ferramentas que ele nos oferece não só nos ensina a praticar comportamentos inadequados, como é o caso da mentira, como também esse mesmo contexto nos dá as condições e ferramentas para que tenhamos comportamentos ditos desviantes.

Além de mentiras ter pernas curtas, sabemos que todo comportamento produz pelo menos um efeito.

Confesso que gostaria muito de ouvir dos criadores de tal ferramenta ou da marca que a comercializa em seus aparelhos celulares, qual é de fato o propósito de uma de dar condições para se simular uma “chamada falsa”.  Não pude deixar de imaginar o que um criminoso poderia ou uma pessoa de má fé poderia fazer com uma ferramenta dessas ou o quão útil ela seria pra justificar tantas e tantas mentiras nos mais variados contextos e situações.

Por tudo isso é que penso que nós, juntamente com nossa sociedade, sofremos as consequências de ações mal planejadas e comportamentos inadequados que foram aprendidos pelas consequências reforçadoras de contextos em que foram geradas, mas, também, por vivermos em ambientes que favorece que tudo isso ocorra e por vezes até com incentivos, sem que sejam pensadas as consequências danosas que elas podem trazer individual e coletivamente.

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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
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Comportamento Inassertivo – Não consigo falar o que penso e as pessoas se aproveitam de mim.

Ano passado fiz um post falando sobre o comportamento de dizer “Não”, onde falei um pouco sobre três categorias de comportamento que precisamos estar sempre atentos: Comportamento Inassertivo, Comportamento Agressivo e Comportamento Assertivo. Hoje, darei início a uma série de posts, onde falarei com mais detalhes sobre cada uma dessas categorias comportamentais. Para abrir a série, vou falar sobre Comportamento Inassertivo.

Imagine a seguinte situação:

Lucas é um calouro na faculdade e logo nos primeiros dias de aula começa a fazer novos amigos. No final de semana ele é convidado a participar de uma festinha na casa de um dos novos colegas do curso, e lá entra uma roda de bate-papo, onde um dos amigos pega alguns cigarros de maconha e sugere que todos fumem. Todos prontamente aceitam, exceto Lucas, que nunca fumou e nunca quis experimentar maconha. Nesse momento ele fica em conflito e imagina que seus novos amigos foram gentis em lhe fazer o convite à festa e que eles poderiam não reagir bem ou interpretar mal se Lucas recusasse o cigarro. Então, mesmo não estando com vontade, Lucas aceita o cigarro e, inclusive, tenta demonstrar já ter fumado maconha antes, para causar uma boa impressão ao grupo.

Com isso, podemos imaginar que Lucas precisou administrar várias contingencias como: “Se eu disser não, eles vão me achar criança?”, “Será que eles vão querer que eu fume mais”, “E se eu ficar muito doido?”, “Se minha mãe souber?”… Dessa forma, Lucas pode ter ficado cada vez mais preocupado com o que os amigos iriam pensar dele e ao ceder deixou de ser sincero consigo mesmo e, certamente , sentiu remorso por ter feito algo que não queria. Observe que nosso personagem Lucas deixou de expressar seus sentimentos e opiniões em benefício de outras pessoas. E esse tipo de comportamento é muito mais comum do que imaginamos e causa sérias dificuldades às pessoas em suas relações sociais, afetivas e profissionais, pois exigem um alto nível investimento emocional, acompanhado, principalmente de ansiedade e sentimento de culpa.

A forma como Lucas respondeu à situação, tecnicamente é chamada de COMPORTAMENTO INASSERTIVO ou NÃO-ASSERTVO, ou seja, um padrão comportamental de inibições, timidez que causa prejuízos por falta de expressão mais adequada dos sentimentos e opiniões, ou quando a pessoa sempre cede à vontade alheia, guardando seus desejos dentro de si e tende a pensar na resposta apropriada somente depois que a oportunidade passou. Muitas vezes a pessoa se torna inassertiva em função do histórico de punições que teve em sua vida, onde nos momentos em que tentou manifestar seus sentimentos, opiniões ou desejos foi punida. E isso pode ter sido iniciado desde a infância (bronca da mãe) ou em períodos mais recentes da vida (bronca do chefe).

Quando agimos com INASSERTIVIDADE, nos comportamos de forma a tentar obedecer/ceder par evitar problemas. Só que com isso fortalecemos ainda mais a posição das pessoas, fazendo que elas assumam o controle sobre nosso comportamento. Mas a grande sequela se caracteriza pela perda da nossa autonomia, o sentimento de frustração, impotência e culpa, que tende a se generalizar para todos os contextos, sejam na escola, faculdade, família, trabalho e até mesmo nas relações amorosas. Como a pessoa inassertiva não consegue falar o que pensa, nem expressar sua opinião, ela pode achar que as pessoas se aproveitam dela. E muita gente se aproveita disso para torná-las submissas.

Claro que algumas pessoas que são inassertivas, em um dado momento, vão tentar fazer com que suas opiniões sejam respeitadas, mas muitas vezes por não saber como fazer isso da melhor forma, acabam sendo agressivas. É sobre agressividade que falaremos no próximo post desta série.

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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Você sabe dizer “NÃO”?

Muitas pessoas encontram dificuldade para expressar suas vontades, posicionar-se diante de alguma questão e, principalmente, dizer não à maioria das situações. Pessoas assim vivem cheias de inibições, cedendo às vontades alheias, guardando seus desejos dentro de si e negando suas próprias vontades em detrimento da vontade dos outros.

Por um motivo ou por outro, as pessoas estão sempre diante de situações onde precisam tomar decisões: fazer um favor, emprestar dinheiro ou o carro, ir a uma festa, comprar algo…  Dia desses uma cliente me falou o quanto sofria em seu trabalho por sua chefe sempre pedir pra ela ficar até tarde para poder terminar determinada tarefa, o que a levou até a perder o aniversário de um afilhado; tudo isso porque ela não conseguia dizer “não” e expressar seus sentimento: “Por um motivo ou outro, ninguém podia ficar até mas tarde. Quando me perguntavam, não conseguia negar.” Pessoas com esse comportamento tendem inicialmente a se sentir feridas e ansiosas e, a longo prazo, com raiva de si e das outras pessoas.

Nas psicoterapia, este tipo de dificuldade é superado com o desenvolvimento de um repertório comportamental mais assertivo. Ser assertivo significa tornar-se capaz de agir de maneira a garantir seu próprio interesse e se afirmar diante das situações sem se sentir ansioso ou culpado e sem agredir as outras pessoas. Em outras palavras, é aprender a expressar sentimentos sinceros sem constrangimento e exercitar seus próprios direitos sem negar os direitos das demais pessoas envolvidas na situação.

Para emitir comportamentos assertivos, dizendo não na hora certa e de maneira correta (sem ser agressivo) é preciso dizer o que está errado, por isto e por aquilo, desvinculando a idéia de que estar errado ou negar-se a alguma coisa é inadequado. Ou seja, precisamos saber que podemos dizer não, sem medo de perder ou magoar as pessoas. Quando ocorre o contrário, surgem sentimentos como medo, ansiedade, insegurança, e, principalmente, baixa auto-estima..

A assertividade envolve a defesa dos direitos pessoais e a expressão de pensamentos, sentimentos e crenças de formas direta, honesta e apropriada, e que não desrespeita os direitos de outras pessoas. “A mensagem básica é: ‘isto é o que eu penso, isto é o que eu sinto e esta é a maneira como eu vejo esta situação’.”

Como são as pessoas assertivas:

1) Acreditam profundamente no que dizem; são espontâneos e calmos.

2) Conhecem seus direitos e os direitos dos outros.

3) Conhecem seus limites e os respeitam.

4) Não permitem que controlem suas vidas e também não são agressivos.

5) Sabem o quanto podem recuar e quando impor limites.

6) São diretos no que dizem; falam de forma clara e com postura firme.

7) Agem objetivamente; são diretos e práticos.

Dicas:

1) Leia textos referentes aos direitos humanos e cidadania.

2) Comece a observar como as pessoas assertivas ao seu redor se comportam. Pergunte como se sentem e quais são as vantagens e desvantagens a curto e longo prazo de serem dessa forma.

3) Aguçe a capacidade de auto-observação e de identificação dos comportamentos socialmente aceitos.

4) Em alguns casos a psicoterapia pode ser mais eficaz e acelerar o processo de aprendizagem do treino das Habilidades Sociais.

Elídio Almeida
Psicólogo – CRP 03/6773


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