Hoje presenciei uma cena numa farmácia que me deixou apreensivo: Uma criança de aproximadamente 02 anos começou a apanhar frascos de xampu na prateleira e atirá-los contra o chão. O pai olhou para mãe e a mãe agiu prontamente: ordenou que a babá da criança apanhasse e organizasse novamente os xampus na prateleira.
Sinceramente a vontade que tive foi de convidá-los para uma conversa e juntos refletirmos sobre os comportamentos daquela situação, pensar no porque cada um fez o que fez e quais as consequências disso em longo prazo. (In)felizmente o bom senso social falou mais forte naquele momento e apenas fiquei na torcida para que essa família seja mais eficaz em suas relações e na educação do seu filho e que não venham sofrer as severas consequências do comportamento inadequado que tiveram naquela ocasião.
O número de famílias que têm dificuldades de conduzir a educação dos filhos e até mesmo lidar com os comportamentos mais difíceis de agressividade e rebeldia dos adolescentes, tem levado cada vez mais famílias a buscar o auxilio da psicoterapia comportamental. De fato é difícil enfrentar essas situações como já falei aqui quando tratei dos comportamentos de birra em crianças, mas devemos pensar que muita coisa pode ser feita desde muito cedo, até mesmo como medidas preventivas.
Se você vive ou já viveu situação semelhante em qualquer um dos papeis da situação descrita acima, o pensa a respeito? Será que não são comportamentos como esse que constrói os reizinhos que comandam a casa em várias situações? O que será que a criança aprendeu com a atitude dos adultos? Por que será que o pai transferiu à mãe o controle da ação? Será que a mãe agiu de forma adequada ao contexto? O que a impediu de tomar outra atitude? Qual deve estar sendo o papel desta babá na família e o que isso também implica no desenvolvimento da criança? Será que todos que presenciaram a cena pensaram o mesmo que eu? O que será que mantém cada comportamento que foi adotado pelos expectadores e pelos envolvidos?
Se pudermos parar um pouco para pensar sobre isso já terá valido a pena. Dúvidas, críticas ou sugestões clique AQUI.
Elídio Almeida Psicólogo | CRP 03/6773 (71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia elidioalmeida.wordpress.com
Um vídeo que foi publicado na internet dia 14 tem feito o maior sucesso e transformou a vida de um jovem australiano que era vítima de bullying na escola. Desde a publicação do vídeo, Casey Heynes tem sido considerado símbolo da luta contra o bullying em todo o mundo. As imagens do vídeo mostram Casey sendo agredido por outro garoto do colégio, enquanto outros jovens riem, incentivam a violência e acompanham a cena. Nos primeiros golpes Casey não reage até o momento que começa a se defender e atira seu adversário contra o chão.
Em entrevista a um programa de televisão Casey diz que sempre sofreu bully e inclusive já havia pensado em tentar suicídio para se livrar das humilhações. Hoje o jovem é considerado um herói mundial por ter reagido contra seu agressor daquela forma. O pai ao ver o vídeo e saber que o filho era vítima de agressões diz ter ficado surpreso e toda a família apoia a atitude do garoto. Pelo que tenho visto, o mundo inteiro também apoia!
Depois da explosão do vídeo na internet e da quantidade de notícias e discussões que isso gerou, quero também fazer alguns comentários:
Todo esse caso mostra como tantas crianças são vítimas de agressões físicas e psicológicas nas escolas e muitas vezes nem a escola nem a família possui conhecimento dos fatos. A ausência da escola e da família em casos desse tipo pode levar a criança a tentar resolver as coisas ao seu modo, seja também praticando violência contra seu agressor, calando-se ou até mesmo chegam a pensar na possibilidade do suicídio como forma de escapar da situação, como disse Casey.
A grande repercussão desse caso em todo mundo, fez com que muitas escolas e pais ficassem mais atentos à vida dos alunos e filhos, além estimular que outras vítimas também se manifestassem. E isso foi algo bacana! Mas também, a popularidade que Casey possui hoje em todo o mundo pode ser um indicador que muitas outras pessoas se identificaram com as situações que ele viveu, daí a razão dele hoje ser considerado um símbolo contra o bullying.
Enfrentar o agressor é uma dos comportamentos mais desejados para evitar que o bullying continue acontecendo. Porém toda essa popularidade e admiração que as pessoas possuem hoje por Casey me preocupa. Como eu disse, enfrentar o problema é um comportamento necessário para se livrar das agressões, mas precisamos ter em vista que agressão gera mais agressão. Lembre-se que vimos apenas um capítulo dessa novela e infelizmente a história não acabou com a reação de Casey. Ela pode ter sido apenas um paliativo para a questão e que o agressor poderá tentar “dar o troco” de uma forma mais dura e assim a história caminhar para cenas cada vez mais duras.
Também, precisamos pensar que há outras formas de lidar com o bullying e resolver completamente a situação sem precisar fazer uso da agressividade. Como vimos, Casey hoje é visto com um herói contra o bullying e as pessoas podem estar interpretando o sucesso dele como uma vitória e entender que a melhor forma de evitar o bullying seja batendo e agredindo o agressor. Por isso, devemos pensar que aquela atitude de Casey pode ter dado um basta naquele momento, mas não colocou um fim na questão. E que, podemos ter situações ainda mais graves se as pessoas que são vitimas de bullying tomarem isso como exemplo bem sucedido e começarem a por em prática a mesma estratégia de Casey contra seus agressores.
Precisamos sempre estar atentos contra os bullying. Esse caso, em especial, me chamou a atenção, pois vários profissionais comentaram o caso, vários veículos noticiaram o fato, mas não vi nenhum refletindo profundamente sobre as consequências que ainda poderão acontecer com o desdobramento desse ou de casos semelhantes. E, confesso que fiquei chocado com alguém que também faz uma agressão ser transformado em herói! Lógico que os motivos de cada um são diferentes, mas não devemos nos ater apenas a isto.
As relações familiares são sempre delicadas e precisam ser administradas com cautela. O convívio entre pais e filhos, mudou significativamente nos últimos anos e, em muitos casos, tem sido possível identificar um fenômeno popularmente conhecido por “geração canguru”. Esse fenômeno caracteriza‐se por um prolongamento da convivência familiar, na qual jovens adultos que já concluíram a graduação universitária, possuem condições de independência financeira e de terem sua própria moradia, mas continuam morando na casa dos pais. O termo “canguru” é utilizado numa comparação desses jovens com o filhote do animal símbolo da Austrália que se agarra à bolsa protetora da mãe.
Em vários momentos da vida pais e filhos se questionam sobre até quando devem viver sob o mesmo teto e isso pode gerar conflitos entre os membros da família. Para se ter ideia, antigamente, os meninos – e principalmente as meninas – só deixavam a casa dos pais para casar, pois os padrões familiares da época impunha essa condição. A partir dos anos 60, morar sozinho tornou-se um sonho de consumo dos adolescentes, pois era uma das maneiras de ter liberdade e viver as próprias aventuras. Hoje, devido a influências da modernidade, esses modelos não são mais frequentes. Algumas pesquisas indicam que mais da metade dos jovens não desejam sair da casa dos pais, pois em tempos de liberdade total, não faz mais sentido ter que se mudar para experimentar mais liberdade. Mas será que isso funciona bem em todas as famílias? Nem sempre, cada caso deve ser visto de forma individualizada levando em consideração o contexto de cada um.
Com a chegada da fase adulta, experimentar a autonomia e a sensação de ter a própria casa, sobretudo imprimir nela sua identidade e hábitos próprios, casando ou morando sozinho, pode ser fundamental para a pessoa construir sua independência e maturidade pessoal. Porém nem sempre os jovens e os pais vêem a situação dessa forma e vários motivos podem estar relacionados a este processo. Podemos citar, por exemplo, as exigências da sociedade em que vivemos, onde a felicidade está atrelada à posse de bens materiais e, por isso, muitos jovens adultos acabam retardando a saída da casa dos pais para poder poupar um pouco mais antes de alçar seus próprios voos. O risco deste modelo é a perda do limite entre o ideal e o possível, além de denotar uma vulnerabilidade frente às exigências da sociedade.
Outro ponto é a dependência emocional: tanto por parte dos pais quanto dos filhos. Alguns pais deixam (e desejam) que o filho permaneça em sua casa, temendo a separação e a distância. Muitos pais tentam suprir a ansiedade e a preocupação em relação ao filho controlando-o, e mantê-los sob vigilância acalma esses pais. Há os filhos que receiam encarar um lar solitário ou que ficam inseguros diante da perda da proteção direta dos pais. Isso pode significar lacunas no desenvolvimento pessoal tanto dos pais quanto dos filhos e pode demandar suporte extrafamiliar para encarar com mais facilidade as fases de desenvolvimento da vida. Em outros casos, os filhos podem optar por não trabalhar para se dedicar aos estudos. Investem na graduação, pós e mestrado para depois pensar em trabalhar, comprar seu próprio apartamento e sair da casa dos pais.
Obviamente todas essas situações podem ser encaradas de forma muito natural e sem prejuízos em algumas famílias, mas isso não é uma regra. Na maioria dos casos pode ocorrer acomodação tanto dos pais quanto dos filhos e acarretar prejuízos para todos. Observe que listei acima algumas razões que podem levar o jovem a prolongar sua estadia na casa dos pais. Em cada uma delas podemos verificar que pelo menos um dos envolvidos pode estar satisfeito com a situação, por exemplo: a mãe que é super protetora, sente se bem em ter o filho sempre sobre sua guarda ou, ainda, o filho que para poupar uma grana prefere morar na casa dos pais. Se isso for combinado e todos sentirem-se confortáveis com a situação, tudo bem. Agora imagine uma situação onde o filho deseja casar, morar só, mas vive sendo contagiado emocionalmente pelos pais, ou então se os pais sentirem se lesados por ter que bancar despesas de um filho que pode se manter sozinho? Se isso ocorrer, retardar a saída certamente pode trazer consequências ainda mais graves.
Analisar os efeitos da vida moderna e das constantes exigências da sociedade na vida pessoal de cada um, sobretudo na relação familiar, é muito importante para compreender e encontrar melhores formas de agir diante dos fenômenos. Na geração canguru, muitas vezes encontramos casos de jovens com a síndrome de Peter Pan, ou seja, que têm medo de crescer, pois não se sentem preparados para encarar a vida adulta. Em todo caso essa é uma situação muito preocupante, pois, pode gerar prejuízos não só no desenvolvimento pessoal quanto profissional. O ideal é que cada fase seja vivida de forma natural e sem prejuízos aos demais envolvidos. Lembrando que devemos levar em consideração as vantagens da modernidade em nossas vidas, mas, sobretudo, devemos ficar atentos para as consequências que esta modernidade traz para todos nós.
A marca de sandálias Havaianas lançou este mês sua campanha publicitária para o verão 2010. Ícone brasileiro, as Havaianas sempre trouxeram para os espaços publicitários campanhas com doses de humor que retratam situações do cotidiano, razão pela qual têm muita aceitação popular e leva muitas pessoas a repetir os comportamentos da propaganda no dia a dia, sejam nas escolas, ruas, praias ou entre amigos.
Intitulada de “Patrulheiro Havaianas”, a campanha verão 2010 da sandália feita pela agência AlmapBBDO tem gerado muita polêmica e discussão, pois tem sido taxada de homofóbica. Que tal analisarmos a peça para ver o que ela diz? Assim esse exercício pode nos ajudar a compreender a mensagem da propaganda.
O comercial começa com o patrulheiro rodoviário perguntando se tem arma no carro. Qual é a resposta de um dos rapazes? “Tinha um canhão, mas a gente já deixou a namorada dele em casa”. Nem vou me ater muito a esta informação para não entrar noutras questões preconceituosas de gênero, mas convenhamos que a Fernanda Vasconcelos tá longe de ser a mulher feia que a piadinha tenta passar, não é mesmo?
Em seguida a propaganda faz uma coisa legal, que é chamar a atenção para o Artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro que proíbe dirigir usando calçados que não se firme nos pés, como as Havaianas, por exemplo, que não possuem tiras presas aos calcanhares. Nesse ponto a propaganda dá uma dica bem clara: “Nas férias, quando você usa mais as suas Havaianas, tenha cuidado para não ser pego dirigindo com elas, senão você vai pagar multa e perder 04 pontos na sua carteira de habilitação”.
Depois, quando um dos atores pergunta se dirigir de Havaiana é crime, o guarda responde: “Crime não, é infração.” Ou seja, uma regra que deixou de ser cumprida. Porém, na tentativa de instruir os rapazes do que seria um crime ele diz: “Crime é você namorar a Fernanda Vasconcelos e ir à praia com dois marmanjos”.
Engraçado? Nem um pouco.
Qualquer dicionário que consultarmos vai informar que crime é uma “violação muito grave de ordem moral, religiosa ou civil que deve ser punida pelas leis”. Segundo a propaganda, o rapaz que recebe a multa (penalidade), além da infração de trânsito, cometeu que crime? “– Ir à praia com dois homens”. Nesse ponto a propaganda dá outra dica bem clara: “Se você sair para se divertir acompanhado por outro homem, você estará cometendo um crime e será punido pelas leis da moralidade, da religião ou da justiça”. E é nesse contexto que a propaganda peca passando essa mensagem de homofobia.
Como falei, as Havaianas sempre trouxeram propagandas com conotações humorísticas e isso leva muitas pessoas a repetir os comportamentos de um comercial no dia a dia. Imagine que na vida real alguns amigos resolvem ir à praia ou ao shopping e alguém influenciado pela propaganda diz e diz: “Homens juntos! Que crime.” Lógico que alguém pode levar na esportiva ou não se ofender com essa atitude, mas outros podem inclusive evitar ser visto acompanhado por outros homens para não ser taxado de criminoso e ser apontado como infrator, imoral ou contraventor. Dessa forma a gente pode entender que a propaganda pode incentivar comportamentos punitivos para situações que se assemelhem a relacionamentos homossexuais e isso não é uma infração, é crime!
O Jornal da Record está apresentando esta semana, para todo o Brasil, uma série especial de reportagens que trata de um problema que interessa que a todos, especialmente aos pais: o Bullying. A série mostra várias perspectivas do tema e casos ocorridos nas principais regiões do país. Ontem foi a vez de Salvador, como representante da região nordeste.
Em julho, escrevi um post aqui no Blog que fala sobre o Bullying (leia aqui) e o texto teve grande repercussão na internet o que levou a equipe da Record a nos convidar para contribuir com a matéria. Como tive uma participação na reportagem, estou clipando o vídeo aqui no Blog para que todos possam ver (ou rever) o vídeo e discutirmos ainda mais esse tema.
Todos sabem que provocações e brincadeiras fazem parte da rotina de jovens e adolescentes. Mas, quando viram uma agressão, ganham o nome de Bullying. A iniciativa da Record em apresentar uma série com este tema é muito louvável, pois cria também um alerta para essa questão tão grave. Todas as reportagens da série podem ser vistas no link abaixo:
É muito comum encontrarmos pessoas com o seguinte repertório comportamental: durante a semana o trabalho consome todo o tempo possível e quando chega o final de semana não conseguem sair de frente da televisão ou do computador, seja na tentativa de se divertir ou por não conseguir outra forma de passar o tempo. Essa fixação com a televisão ou com o computador é tamanha que muitas pessoas não conseguem fazer outra coisa fora de casa, o que pode causar vários transtornos. Quando isso acontece, o relacionamento com outras pessoas pode diminuir, sintomas de depressão podem se instalar e a pessoa pode perder o ânimo para sair de casa. Embora possa existir muita vontade de mudar de vida, as pessoas encontram muitas dificuldades para enfrentar essa situação.
Mas afinal, o que precisamos fazer para MUDAR DE VIDA? Penso que uma resposta para uma pergunta como essa não é nada fácil, mas vou tentar explicar a partir de um princípio fundamental para a análise do comportamento: Só mudamos o contexto em que vivemos quando emitimos novos comportamentos, ou seja, para mudar precisamos incluir novos comportamentos em nosso modo de viver. Fazendo coisas diferentes do habitual podemos encontrar novas formas de solucionar os problemas.
Obviamente que sei que não é nada fácil deixar para trás hábitos antigos e que já fazem parte do jeito de viver de cada um. Sei também que sair de casa em dias como os de hoje nos leva a pensar uma série de fatores como: gastar dinheiro, medo de ser assaltado, enfrentar filas, engarrafamento, dificuldade de estacionamento, o cansaço… em fim, várias coisas nos dão a falsa impressão que é melhor ficar em casa. Quando isso acontece acabamos pagando um preço muito maior no futuro, pois limitamos nossas opções de diversão, deixamos de sair com as pessoas que gostamos, não conhecemos novos amigos, nem novas possibilidades de relacionamento.
Por isso, creio que se quisermos mudar nosso jeito de viver, devemos fazer coisas diferentes. Então, quando surgir uma possibilidade de ficar na frente de uma telinha, que tal visitar amigos que você tanto gosta? Combinar um cinema ou um teatro? Ir a um show de um artista que você gosta? Uma praia? Sair pra dar uma volta? Se você pensar um pouco logo-logo vai lembrar várias coisas que podem ser feitas com baixo investimento e com alta possibilidade de lhe proporcionar satisfação e prazer. Experimente! Mas se sentir qualquer dificuldade, não hesite em pedir ajuda.
Hoje vou usar um comercial da Doritos que foi censurado, para falar de um tema muito recorrente na psicoterapia e no consultório: a homofobia.
Nesse comercial, um grupo de amigos está no carro e toca uma música que é considerada um hino gay: “YMCA“. O garoto menor, do banco do carona, começa a dançar e os amigos ao redor repudiam esse comportamento. A propaganda termina com um pacote de Doritos tapando o rosto do garoto discriminado e o narrador aconselhando: “Se for dividir algo com os amigos, divida um Doritos”.
A mensagem do comercial (ou a dica, como costumo falar com meus clientes) é bem clara: “Não fale de sua homossexualidade para os amigos, senão você será punido”. Além da dica e do comportamento punitivo dos demais rapazes; o comercial incita a violência física ao sugerir o arremesso do pacote no rosto do jovem.
A punição é um método eficaz de ensino, porém problemático tanto do ponto de vista ético (quem tem o direito de punir? e como?) quanto técnico (a punição gera efeitos indesejáveis, como ódio e medo). Skinner foi um defensor de formas não-punitivas de alteração do comportamento humano, isto é, baseados na recompensa.
Essa propaganda também me chamou a atenção porque mostra uma das características do comportamento social que é estipular as regras de como as pessoas devem se comportar. Ou seja, a instrução “Não fale de sua homossexualidade para os amigos”expressa uma condição do grupo social onde o jovem apontado na propaganda esta inserido: “Se você falar da sua homossexualidade você será punido”.
A história da humanidade mostra que a homossexualidade e a discriminação – infelizmente – sempre estiveram juntas. Discriminação é uma forma severa de punir as pessoas. Um exemplo disso é a repressão que a sociedade machista tem para com os homossexuais, onde qualquer comportamento “de gay” é punido, seja com violência física ou ofensas morais. Houve tempos (????) em que a homossexualidade já foi considerada pecado, crime e até doença.
Ser ou não homossexual não se trata meramente de uma escolha deliberada diante de determinadas alternativas afetivas e sexuais da nossa sociedade. Contudo, a homossexualidade tem exposto muitas pessoas a situações de traumas, depressão, rebeldia, incompreensão, problemas familiares, sociais e profissionais, dúvidas sobre comportamentos, ansiedade e, sobre tudo, medo de falar e expressar sentimentos tão íntimos numa sociedade tão punitiva.
O exemplo do comercial aqui comentado mostra também que, às vezes, nem mesmo os “amigos” e as pessoas mais próximas entendem, respeitam ou tem maturidade suficiente para lidar com situações tão delicadas. Por isso, não hesite em procurar um profissional e buscar ajuda, seja para você ou para alguém quem você quer ajudar e de repente não sabe como.
Semana passada assisti a um filme muito interessante chamado Bullying (2009), do diretor espanhol Josecho San Mateo, e isso me estimulou a escrever este post. No filme, ao contar a história de um garoto que sofria agressões praticadas por seus colegas de escola, o diretor aborda um tema muito relevante para os dias atuais, o Bullying. Este termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, praticados por uma pessoa ou grupos, com o objetivo de intimidar ou agredir outras pessoas ou grupos minoritários incapazes de se defender.
Atualmente uma das maiores preocupações da Psicologia e dos educadores sem duvida é o Bullying. Hoje, considerado como um problema mundial, o bullying pode acontecer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade, família, trabalho, entre vizinhos e amigos. São características do bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar e costumam atingir aspectos da etnia, condição sexual, formação familiar, deficiências físicas, condição social e financeira, podendo atingir qualquer ponto que não seja usual, aceito ou compreendido por quem pratica bullying.
As pessoas que testemunham o bullying também convivem com a violência e, muitas vezes, se silenciam em razão de temerem se tornar as próximas vítimas do agressor. As crianças ou adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima. Tendem a adquirir sérios problemas de relacionamento, podendo, inclusive, contrair comportamento agressivo. Em casos extremos, a vítima poderá tentar ou cometer suicídio.
Os autores das agressões geralmente são pessoas que têm pouca empatia, pertencentes à famílias desestruturadas, em que o relacionamento afetivo entre seus membros tende a ser escasso ou precário e encontram na humilhação dos outros uma forma de se tornarem populares, reconhecidos ou aceitos nos seus grupos. Por outro lado, o alvo dos agressores geralmente são pessoas pouco sociáveis, com baixa capacidade de reação ou de fazer cessar os atos prejudiciais contra si e possuem forte sentimento de insegurança, o que os impede de solicitar ajuda.
Os atos de bullying ferem princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa humana – e ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. Escolas e empresas também podem ser responsabilizadas pela prática do bullying em suas dependências e podem ser enquadradas no Código de Defesa do Consumidor ou pelas Leis Trabalhistas, pois devem garantir o bem estar e integridade tantos dos seus clientes e seus funcionários.
Cyber Bullying:
Infelizmente, estão sendo criadas novas formas de humilhação. Além do bullying tradicional que envolve humilhação e agressão física, hoje em dia temos o Cyber Bullying, que é a prática de humilhação e exposição pública caluniosa e difamatória através da internet. Essa é uma forma mais agressiva do Bullying tradicional, já que calunias e difamações por internet têm um alcance muito maior e conta com o anonimato do agressor. Ele não precisa mais ser uma pessoa forte ou popular, pode ser feita por qualquer um, inclusive vítimas em busca de vingança. Um exemplo claro são os perfis falsos em redes de relacionamentos como o Orkut.
Segundo a delegacia de crimes virtuais, essa é a prática mais comum de Cyber Bullying. Cria-se um perfil falso da vítima com informações reais como telefone, endereço e fotos e se relaciona a comunidades que podem ser difamatórias. Como uma mulher ter seu perfil com descrição de garotas de programa ou um menino ter seu perfil associado a comunidades ligadas a pedofilia ou mesmo fazendo montagens com fotos. Geralmente com fundo pornográfico.
Mudar de escola resolve?
Existe uma crença de que mudar de escola ou mudar de cidade evitará que a pessoa deixe de ser vítima. Infelizmente também não funciona, pois o padrão comportamental da pessoa em questão fará com que seja atacada em qualquer lugar. O problema é o padrão comportamental que predispõe uma pessoa a ser vítima e esse padrão é justamente o que precisa mudar. Nesse ponto o atendimento psicológico de orientação Comportamental é fundamental, pois vai desenvolver novos repertórios comportamentais incompatíveis com o perfil das vítimas de Bullying (geralmente pessoas tímidas, caladas e com baixa autoestima).
A vítima precisa de orientação. Isso inclui ir à delegacia ou então procurar atendimento jurídico, psicológico e médico sempre que precisar. O Bullying deve ser sempre combatido e jamais tolerado em escolas ou qualquer outro lugar. Cabe lembrar que não é só aquele que pratica o Bullying que é o agressor. Na verdade, os espectadores que não fazem nada e ainda dão risada da vítima que está sendo humilhada é tão agressor quanto quem comete a agressão e reforçam este comportamento, que por sua vez aumenta muito a frequência dos comportamentos agressivos, pois obtém reforço social.
É um problema muito sério que marca vidas, talvez se as pessoas entendessem que Bullying não é bobagem e que não é uma brincadeira de mau gosto como muito se prega e sim uma agressão psicológica e muitas vezes física também, que deixa marcas para toda a vida.
As marcas que ficam nas vítimas de bullying são muito fortes e infelizmente, na maioria das vezes mudam permanentemente suas vidaas. As marcas mais comuns são: depressão, baixa autoestima, dificuldade de aprendizagem, em relacionamentos sociais, ansiedade, agressividade para consigo e para com outras pessoas.
O importante é ressaltar que o atendimento psicológico oferece resultados promissores em relação a todas essas marcas, principalmente as terapias de abordagem Comportamental. Claro que não se pode mudar o passado, mas com o atendimento psicológico podemos fazer um “controle de danos” e com isso saber lidar com os problemas decorrentes antes que esses se agravem.
Muitas pessoas encontram dificuldade para expressar suas vontades, posicionar-se diante de alguma questão e, principalmente, dizer não à maioria das situações. Pessoas assim vivem cheias de inibições, cedendo às vontades alheias, guardando seus desejos dentro de si e negando suas próprias vontades em detrimento da vontade dos outros.
Por um motivo ou por outro, as pessoas estão sempre diante de situações onde precisam tomar decisões: fazer um favor, emprestar dinheiro ou o carro, ir a uma festa, comprar algo… Dia desses uma cliente me falou o quanto sofria em seu trabalho por sua chefe sempre pedir pra ela ficar até tarde para poder terminar determinada tarefa, o que a levou até a perder o aniversário de um afilhado; tudo isso porque ela não conseguia dizer “não” e expressar seus sentimento: “Por um motivo ou outro, ninguém podia ficar até mas tarde. Quando me perguntavam, não conseguia negar.” Pessoas com esse comportamento tendem inicialmente a se sentir feridas e ansiosas e, a longo prazo, com raiva de si e das outras pessoas.
Nas psicoterapia, este tipo de dificuldade é superado com o desenvolvimento de um repertório comportamental mais assertivo. Ser assertivo significa tornar-se capaz de agir de maneira a garantir seu próprio interesse e se afirmar diante das situações sem se sentir ansioso ou culpado e sem agredir as outras pessoas. Em outras palavras, é aprender a expressar sentimentos sinceros sem constrangimento e exercitar seus próprios direitos sem negar os direitos das demais pessoas envolvidas na situação.
Para emitir comportamentos assertivos, dizendo não na hora certa e de maneira correta (sem ser agressivo) é preciso dizer o que está errado, por isto e por aquilo, desvinculando a idéia de que estar errado ou negar-se a alguma coisa é inadequado. Ou seja, precisamos saber que podemos dizer não, sem medo de perder ou magoar as pessoas. Quando ocorre o contrário, surgem sentimentos como medo, ansiedade, insegurança, e, principalmente, baixa auto-estima..
A assertividade envolve a defesa dos direitos pessoais e a expressão de pensamentos, sentimentos e crenças de formas direta, honesta e apropriada, e que não desrespeita os direitos de outras pessoas. “A mensagem básica é: ‘isto é o que eu penso, isto é o que eu sinto e esta é a maneira como eu vejo esta situação’.”
Como são as pessoas assertivas:
1) Acreditam profundamente no que dizem; são espontâneos e calmos.
2) Conhecem seus direitos e os direitos dos outros.
3) Conhecem seus limites e os respeitam.
4) Não permitem que controlem suas vidas e também não são agressivos.
5) Sabem o quanto podem recuar e quando impor limites.
6) São diretos no que dizem; falam de forma clara e com postura firme.
7) Agem objetivamente; são diretos e práticos.
Dicas:
1) Leia textos referentes aos direitos humanos e cidadania.
2) Comece a observar como as pessoas assertivas ao seu redor se comportam. Pergunte como se sentem e quais são as vantagens e desvantagens a curto e longo prazo de serem dessa forma.
3) Aguçe a capacidade de auto-observação e de identificação dos comportamentos socialmente aceitos.
4) Em alguns casos a psicoterapia pode ser mais eficaz e acelerar o processo de aprendizagem do treino das Habilidades Sociais.
É uma abordagem aos problemas psicológicos baseada na filosofia da ciência conhecida como Behaviorismo Radical e na ciência do comportamento conhecida como Análise Experimental do Comportamento.
A proposta do Behaviorismo defende que o comportamento dos organismos é ordenado, passível de ser estudado cientificamente na mesma forma das ciências naturais. Esta proposta influencia e orienta o trabalho do terapeuta comportamental, que sempre busca descobrir, com seu cliente, os eventos no meio-ambiente que determinam os seus comportamentos-problema e o que os mantém.
B. F. Skinner foi o propositor do Behaviorismo Radical.
Assim, um transtorno como a depressão passa a ser entendido como um conjunto de comportamentos, tais como, alterações no sono e apetite, desesperança, choro excessivo, ideação suicida e outros. Tais comportamentos são analisados à luz de episódios históricos que os determinaram e situações presentes que os mantém.
Para o terapeuta comportamental, pensamentos e sentimentos são considerados comportamentos, diferentes apenas pela forma como se pode ter acesso a eles, pois este se dá através do relato verbal daquele que pensa e sente. Sendo assim, pensamentos e sentimentos, também, são levados em consideração, analisados e passíveis das intervenções do terapeuta.
O terapeuta comportamental entende que o cliente é único e seus problemas ou dificuldades são produto de uma história particular. Isso humaniza o processo de terapia, pois busca-se entender cada cliente e cada história, antes de propor qualquer intervenção. E o mais importante, há bastante interação e dialogo no processo terapêutico.
O principal instrumento do terapeuta comportamental é a análise funcional, ou o levantamento criterioso das variáveis (eventos, acontecimentos) que estejam funcionalmente relacionados aos comportamentos desejáveis e indesejáveis do cliente. Tendo este entendimento, que nem sempre é fácil, é possível propor uma estratégia eficaz no alcance do bem-estar e da melhora. “Combate-se” os comportamentos-problema, ao mesmo tempo em que busca-se instalar e aumentar a freqüência de comportamentos adequados ao contexto, desejáveis e geradores de satisfação e felicidade.
A terapia comportamental tem um conjunto considerável de técnicas derivadas de pesquisas, em laboratório ou no próprio consultório. É a soma de pesquisa científica, rigor no levantamento de informações no momento inicial do processo e a utilização de técnicas e intervenções consolidadas que faz com que as pessoas tenham se beneficiado, de forma considerável, quando buscam a Terapia Comportamental.
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