Arquivo para a categoria 'Controle e Equilíbrio'

Timidez: um problema que pode prejudicar a vida pessoal e profissional.

Todos nós sentimos timidez de formas diferentes, em contextos e intensidades variadas. No entanto, algumas pessoas vivenciam a timidez com mais frequência ou até mesmo de forma rotineira e isso pode caracterizar prejuízos tanto na vida pessoa quanto profissional. Apesar de, em muitos casos, parecer algo exagerado aos olhos dos outros, só o tímido sabe o quanto sofre por não se sentir bem diante de situações que são comuns às demais pessoas. Por isso, independente de termos ou não esse problema, devemos ficar atentos.

Ansiedade, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura, não saber o que fazer ou o que dizer, querer desaparecer, gaguejar, são comportamentos comuns quando uma pessoa vivencia a timidez. Existem várias situações que podem nos causar timidez e é normal, quando em situações com as quais não estamos familiarizados, sentirmos certa ansiedade. Afinal, é uma situação nova, que exige algo que nunca fizemos e não sabemos como serão as consequências disso tudo e isso pode até gerar medo. O medo em certo grau é saudável, é ele que nos  nos faz ficar alerta nas situações em que nos colocariam em perigo. Porém, a partir do momento em que ele nos prejudica, atrapalha o nosso desempenho social e a nossa qualidade de vida, já não é mais saudável.


A inibição, então, nos prejudica quando deixamos de cumprir algumas obrigações ou evitamos fazer algo que temos vontade. Vários são os exemplos: não ter amigos por não saber como iniciar uma conversa, ter dificuldade em manter um diálogo, ser reprovado em uma disciplina na faculdade por não ter apresentado um trabalho em público; deixar de participar de reuniões sociais ou familiares para evitar a ansiedade que o contato com as pessoas pode causar… Tanto quanto os exemplos, vários são os motivos que colaboram para sermos tímidos: predisposição à introversão; pouco contato social na infância e adolescência; ter sofrido algum tipo de trauma que afete a auto-estima, (como bullying, por exemplo); ter tido algum tipo de reprovação social ou crítica ao se expor; não saber como enfrentar a situação determinadas situações. Esses e outros motivos podem influenciar negativamente nas habilidades sociais de uma pessoa.

Parte significativa das causas para a timidez advém do modo como a pessoa costuma ser altamente exigente consigo mesma...

... ou da forma como temem veementemente a crítica das demais pessoas e, de certa forma, antecipam esta possibilidade.

Em toda minha experiência clinica e pesquisas na área, tenho visto que a timidez esta diretamente ligada ao histórico de punição a que a pessoa esteve ou está submetida. Por isso, o tratamento compreende identificar na história de vida da pessoa como essa timidez fui construída e trabalhar no sentido de superar os eventos traumáticos, ressignificar crenças, regras e autoregras, desenvolver o repertório de habilidades pessoas e assertividades nas relações interpessoais. Como falei no inicio deste post, independente de termos ou não a timidez como um problema, devemos ficar atentos ao nosso contexto, seja no trabalho, escola, faculdade e principalmente em casa, pois o quanto intervirmos e ajudarmos as pessoas a enfrentarem esse obstáculo, certamente os resultados serão melhores após o enfrentamento e a superação da timidez.

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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Você está satisfeito com a profissão que escolheu?

Esta semana explodiu na imprensa o caso de um delegado que registrou um BO em forma de poesia. Bastante inusitado, este caso que pode nos levar a uma reflexão acerca da escolha profissional.

O delegado Reinaldo Lobo, de uma cidade a 18 km de Brasília, fez um boletim de ocorrência que chamou a atenção não pelo caso registado, mas pela forma como optou por fazer a redação: o texto foi escrito em forma de poesia (fonte). No próprio boletim o delegado justifica por que optou por escrever em forma de verso.

Veja abaixo a íntegra do texto:

Já era quase madrugada
Neste querido Riacho Fundo
Cidade muito amada
Que arranca elogios de todo mundo

O plantão estava tranquilo
Até que de longe se escuta um zunido
E todos passam a esperar
A chegada da Polícia Militar

Logo surge a viatura
Desce um policial fardado
Que sem nenhuma frescura
Traz preso um sujeito folgado

Procura pela Autoridade
Narra a ele a sua verdade
Que o prendeu sem piedade
Pois sem nenhuma autorização
Pelas ruas ermas todo tranquilão
Estava em uma motocicleta com restrição

A Autoridade desconfiada
Já iniciou o seu sermão
Mostrou ao preso a papelada
Que a sua ficha era do cão
Ia checar sua situação

O preso pediu desculpa
Disse que não tinha culpa
Pois só estava na garupa

Foi checada a situação
Ele é mesmo sem noção
Estava preso na domiciliar
Não conseguiu mais se explicar
A motocicleta era roubada
A sua boa-fé era furada

Se na garupa ou no volante
Sei que fiz esse flagrante
Desse cara petulante
Que no crime não é estreante

Foi lavrado o flagrante
Pelo crime de receptação
Pois só com a polícia atuante
Protegeremos a população

A fiança foi fixada
E claro não foi paga
E enquanto não vier a cutucada
Manteremos assim preso qualquer pessoa má afamada

Já hoje aqui esteve pra testemunhá
A vítima, meu quase xará
Cuja felicidade do seu gargalho
Nos fez compensar todo o trabalho

As diligências foram concluídas
O inquérito me vem pra relatar
Mas como nesta satélite acabamos de chegar
E não trouxemos os modelos pra usar
Resta-nos apenas inovar

Resolvi fazê-lo em poesia
Pois carrego no peito a magia
De quem ama a fantasia
De lutar pela Paz ou contra qualquer covardia

Assim seguimos em mais um plantão
Esperando a próxima situação
De terno, distintivo, pistola e caneta na mão
No cumprimento da fé de nossa missão


Riacho Fundo, 26 de Julho de 2011

Barrado pelo judiciário, o texto teve que ser reescrito. Especialistas da área jurídica afirmam que o delegado não cometeu nenhuma infração legal ao inovar na atividade de rotina da delegacia, mas fugiu completamente ao padrão. Mas o que o levou a fazer isso?

Em entrevista, o delegado disse ter buscado inspiração na literatura de cordel e que herdou do avô o talento para escritor. E justifica seu comportamento dizendo que “foi a forma de conseguir chamar a atenção para uma leitura mais refletida do texto, que não fosse feita uma leitura padrão, pois, muitas vezes, ela é dada sem atenção”. Dá pra notar perfeitamente que o delegado gosta mesmo de versos e rimas, mas fica a pergunta: Ele está mesmo satisfeito com seu trabalho?

Pergunto isso não como mera especulação, mas o comportamento do delegado parece ser característico das pessoas que não se veem realizadas em sua profissão ou carreira. Na maioria dos casos, quando a pessoa se vê frustrada em sua atividade profissional procura estratégias compensatórias para tornar a rotina menos sofrida e, de certa forma, contemplar aquele desejo sufocado no seu íntimo.

O caso protagonizado pelo delegado mostra o quão, muitas vezes, nos deixamos levar por altas remunerações (as vezes nem tanto), estatus social e outros denefícios, em detrimento de atividades que de fato trariam muito mais bem-estar psicossocial. Em episódios que priorizamos remuneração, reconhecimento e facilidades ao invés das coisas que de fato nos dão prazer pessoal e profissional, estamos abrindo uma porta muito grande para uma carreira de frustação com grandes impactos em todos os aspectos da vida.

Por estas e outras razões, precisamos planejar nossas ações e comportamentos, sobretudo, pensar nas consequências de cada um deles para evitar decepções e arrependimentos.

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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
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Bulimia Nervosa: entre o prazer e a culpa na alimentação.

Os transtornos alimentares são perturbações no comportamento alimentar e trazem diversos prejuízos às pessoas que vivenciam ou convivem com as manifestações destes transtornos. Nas últimas décadas a incidência destes transtornos aumentou significativamente. Um dos principais fatores relacionados é o sócio-cultural, ou seja, os valores presentes na sociedade. Comumente são difundidos em nossa sociedade os modelos de forma física e aparência tidos como corretos e sempre perpassam pela aparência estética do corpo, sobretudo, a magreza. A mensagem de que a beleza, felicidade e autovalor associam-se a um corpo magro é constante, podendo gerar preocupações extremas com o peso e formato corporal. Nesse contexto, algumas pessoas tentam se adequar a esse padrão imposto de beleza a qualquer custo, visando serem aceitas e valorizadas. E este é um contexto propício para a instalação de um grave transtorno alimentar, a bulimia nervosa.

Além de ditar padrões de magreza, nossa sociedade incentiva muito mais hábitos de alimentação não saudável, fazendo com que os valores alimentares sejam invertidos.

Teoricamente Bulimia significa apetite e a classificação nervosa está relacionada à compulsão. O quadro de bulimia nervosa é caracterizado pela presença de episódios bulímicos, ou seja, momentos onde a pessoa tem compulsão alimentar (come uma grande quantidade de alimento em curto período de tempo), caracterizando falta de controle sobre o comportamento alimentar. Em seguida a pessoa com bulimia nervosa empenha-se em comportamentos compensatórios para prevenir o ganho de peso como: vômitos auto-induzidos, uso inadequado de laxantes, diuréticos, enemas e outros medicamentos, dieta restritiva, jejum, exercícios excessivos exagerados.

No geral estas pessoas se veem extremamente divididas, pois sentem além da necessidade orgânica de se alimentar, prazer e alto nível de satisfação com a ingestão de alimentos. Por outro lado têm alto gasto de energia psíquica associada ao sentimento de culpa no intuito de manter ou perder o peso idealizado. A auto-avaliação que a pessoa acometida pela Bulimia Nervosa possui é inadequadamente influenciada pelo peso e forma corporal acompanhada por um medo excessivo de engordar. A atitude em relação ao peso é extrema: pesam-se compulsivamente, evitam a balança ou tendem a se considerar sempre acima do peso. Também, normalmente encontra-se presa a um ciclo vicioso iniciado com regimes rigorosos e dieta restritiva.

Muitas pessoas costumam achar que a Bulimia Nervosa atinge somente as mulheres e isso não é verdade. A Bulimia Nervosa atinte mulheres e homens, o que muda é apenas a incidência entre os sexos, pois culturalmente os padrões de beleza ditados pela sociedade são muito mais rigorosos com as mulheres e consequentemente elas se engajam mais nos comportamentos bulímicos.

Tais estratégias estabelecem um estado de privação que aumenta a probabilidade de engajamento em nova compulsão alimentar que, por sua vez, aumentam os comportamentos compensatórios, como o vômito. Em seguida, o vômito é mantido pela redução do desconforto físico decorrente da distensão abdominal e pela redução do medo de engordar, tornando um redutor geral da ansiedade. Nesse caso, ele torna um fim em si mesmo, pois o que a pessoa julga ser a solução, na realidade mantém o problema.

Os episódios de compulsão geram culpa, sentimento de fracasso e medo de engordar. Já os comportamentos compensatórios geram alívio imediato e também culpa e vergonha. A Bulimia Nervosa produz alterações cardiovasculares, gastrointestinais, hidroeletrólíticas e metabólicas nocivas à saúde. Secundariamente aos vômitos pode-se observar desgaste dentário, hipertrofia das glândulas salivares e cicatrizes no dorso da mão. O tratamento analítico comportamental é direcionado para o estabelecimento de comportamentos adequados, isto implica na extinção de regimes e dietas restritivas.

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Elídio Almeida
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Comportamento Assertivo – Pensar, agir e ser diferente sendo respeitado.

Nos posts anteriores vimos que o comportamento AGRESSIVO nega os direitos da outra pessoa, na tentativa de rebaixá-la ou humilhá-la e sua principal consequência é o mal-estar para todos os envolvidos. Vimos, também, que o comportamento INASSERTIVO é um padrão comportamental caracterizado por inibições e timidez que causam prejuízos por falta de expressão adequada dos sentimentos e opiniões e tende a provocar a perda da autonomia da pessoa, colocando-a numa posição submissa. Para continuar a série destes comportamentos, hoje destacaremos o comportamento ASSERTIVO.

Se considerarmos que a agressividade é prejudicial para todos os envolvidos e que a inassertividade traz prejuízos às pessoas que não conseguem se expressar, devemos encontrar então um meio de se comportar onde todos os envolvidos tenham os mesmos privilégios, direitos e, principalmente, que todos “saiam ganhando”. Essa é a premissa do COMPORTAMENTO ASSERTIVO – um tipo de comportamento que privilegia o direito que toda pessoa tem de se expressar, sentindo-se bem (sem culpas, remorsos ou arrependimentos), sendo capaz de agir em função de seus próprios interesses e afirmando suas opiniões sem ansiedades indevidas, constrangimentos e sem negar os direitos alheios.

Muita gente, no dia a dia, confunde o comportamento assertivo com o inassertivo, pois tendem a achar que para ser assertivo seja necessário concordar com a totalidade das outras pessoas. Na verdade a assertividade perpassa mais pelo caminho do diálogo racional e franco, da exposições de opiniões e pensamentos e das negociações necessárias para que todos convivam da melhor forma possível, independente das opiniões radicalmente opostas. E num tempo em que tanto se fala em conviver com as diferenças, nada melhor do que ser assertivo.

Para entendermos melhor o que vem a ser o comportamento assertivo, que tal analisarmos na prática a diferença entre demais comportamentos? Imagine o seguinte caso: Paulo é um jovem universitário e na noite em que comemorava a aquisição do seu carro novo com os colegas da faculdade num barzinho, um colega lhe pede o carro emprestado para apanhar algo num lugar não muito próximo. Neste momento Paulo pode comportar-se das três formas que falamos anteriormente, vejamos:

Agressiva:

Paulo mostra indignação pelo pedido do colega, diz-lhe “absolutamente não” e começa a censurá-lo severamente por atrever-se a fazer um pedido “tão cretino”. Ele humilha o colega e faz um papel ridículo. Mais tarde se sente incomodado e com sentimento de culpa. Já o colega se sente ferido e estes sentimentos manifestam-se mais tarde e a relação entre eles passa a ser bastante tensa.

 Inassertiva:

Ele “engole em seco” seu medo do colega danificar o carro e por não conseguir dizer não, mesmo tendo muita estima e zelo pelo veículo, diz: “Claro aqui a chave”. Com isso ele se não se sente no domínio do veículo e reforça o colega a fazer mais pedidos dessa categoria noutra oportunidade e fica muito preocupado e ansioso até o colega voltar, desejando que fique tudo bem.

E se ele fosse assertivo, como seria?

Ele contextualizaria falando do significado do carro e, gentil, mas firmemente, diria que aquele pedido não poderia ser atendido, pois o carro é novo, com poucas horas de uso, muito especial e que ele ainda não sabia da habilidade do colega ao volante, por isso não emprestaria naquele momento. Mais tarde ele se sente bem por ter sido sincero consigo mesmo e o colega, reconhecendo a validade da resposta de Paulo, cria admiração por Paulo, sendo também mais honesto e franco com ele.

 

Nos exemplos acima podemos identificar qual das respostas foi a mais adequada à situação. Então, assertividade enquanto conduta a ser adotada na prática traz exigências mais profundas, uma vez que uma atitude assertiva pede a construção de um reportório comportamental bem desenvolvido para sustentar tais posições. Para ser assertivo é preciso saber o que se quer, conhecer seus direitos e deveres, conhecer seus potenciais e limites, saber expressar-se com transparência, lógica e com boa argumentação. Mas é também necessário ser flexível, saber ouvir o que o outro tem a dizer (com a devida atenção e respeitando seu ritmo) e, sobretudo, ser empático permitindo assim, colocar-se no lugar do outro e procurar entender o mundo principalmente pensando nas consequências dos comportamentos em curto, médio e longo prazo. Sei que falado assim parece fácil, mas muitas pessoas precisam de suporte profissional para chegar a este estágio de assertividade.

Dia desse vi essa foto na internet e classifiquei a posturas destes torcedores do Bahia e do Vitória como uma postura significativamente assertiva. Lógico que sei que eles não representam o padrão comportamental de ambas as torcidas, mas esta imagem pode ilustrar bem o que estou tentando mostrar neste post. Vejam que os torcedores demonstram superar as diferenças e rivalidades dos times e conviver em harmonia. E ainda ouso a pensar que a imagem ficaria ainda mais interessante se criança estivesse com uma camisa do time rival ao do pai, ou com uma camisa de outro estado, por exemplo. Muito legal!

Existe muitas vantagens quando nos comportamos de forma assertiva. Algumas pesquisas demonstraram que a utilização de respostas assertivas inibe ou enfraquece a ansiedade previamente experimentada em relações interpessoais onde já estiveram presentes comportamentos inassertivos ou agressivos e uma boa dia para avaliar as vantagens do comportamento assertivo é observar as consequências que ele traz ao contexto e de repente fazer um comparativo com os resultados trazidos pelos outros comportamentos.

Assim, um comportamento assertivo apropriado à situação aumentaria a auto-apreciação de quem emite a resposta através da expressão honesta de seus sentimentos e consequentemente a demais pessoas tendem a sentir-se mais encorajadas a comportar-se de forma assertiva dado o exemplo do seu interlocutor e do bem-estar que o diálogo e a interação trazem à relação.

Em breve trarei mais posts sobre assertividade.

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Elídio Almeida
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Você já passou pela “crise dos talentos”?

Durante o final de semana li um material interessante sobre o estudo da vida em setênios – que SE baseia em dividir a vida períodos de sete anos – e achei legal falar um pouco sobre este estudo aqui no blog. Penso que este tema pode ser bem interessante, especialmente para quem anda preocupado com a vida profissional. A teoria dos setênios pertence à antroposofia e foi elaborada a partir da observação dos ritmos e ciclos da natureza, especialmente os comportamentos humanos.

Segundo a teoria, no primeiro setênio (0 a 7 anos) o ser humano experimenta o contexto e se desenvolve a partir da interação individual e hereditária. No segundo setênio (dos 7 aos 14 anos) é quando ele começa experimentar seu potencial de autoridade, exercitando novos métodos controle sobre o contexto em que vive. No terceiro setênio (dos 14 até os 21 anos) ocorre as crises de identidade e as dúvidas existenciais decorrentes da puberdade. Os estudiosos dos setênios definem o terceiro período como sendo o setênio do corpo, ou seja, somado aos setênios anteriores, este é o tempo em que o ser humano percorre com mais intensidade a jornada do seu amadurecimento físico e de formulação de sua personalidade. Em seguida começa então o quarto setênio, onde ocorre a chamada “crise dos talentos”.

Vamos tentar entender melhor isso. Com 21 anos a gente entraria na fase de experimentar limites: “Até onde eu posso ir”, “O que eu posso fazer para me destacar”, “O que mais eu consigo conquistar”… Mas concluída esta fase, coisa que acontece por volta dos 28 anos, a gente já tem todas essas respostas, já percebeu até onde dá pra ir, como pode se destacar, o que é preciso fazer para conquistar as ambições… Só que ao invés de partir para por tudo isso em prática, surge outra questão, que é ainda mais característica entre os 28 e 35 anos: a chamada crise dos talentos, onde todos os dilemas, juntos, são questionados com mais intensidade.

Durante o quarto setênio é comum as pessoas sentirem a necessidade de viajar, de estudar fora… mas questiona: “Será que eu não estou muito velho pra isso?”. Independentemente da resposta vem na sequência outras perguntas: “Será que estou fazendo o que realmente gosto? Não seria tempo de buscar outra coisa? Outro caminho? ou até mesmo: “Quais são meus talentos para essa vida tão vivida e ainda tão precoce? De repente parece que a pessoa fica dividida entre a insegurança do que já viveu e a ansiedade pela maturidade.

Embora eu discorde de alguns pontos da teoria dos setênios, principalmente por pela rigidez em enquadrar determinados comportamentos a períodos específicos, sendo que eles não necessariamente podem ocorrer nesses ciclos especificamente, acho interessante discuti-los, pois atendem, a priori, a maioria dos casos que tenho acesso no contexto clínico. Por isso, quero fazer alguns alertas em relação a tema.

O primeiro alerta que acho interessante fazer em relação a esta questão é que as pessoas que se vêem hoje na chamada “crise dos talentos”, é que a maturidade ainda vai demorar um pouco para chegar. Os próprios estudiosos dos setênios dizem que ela só virá a partir do sexto setênio, ou seja, por volta dos 42 anos. Então se você esta vivendo este momento procure se conscientizar do que já foi vivido e do que ainda estar por vir. Certamente você já tem um tesouro acumulado que são todas as suas experiência de vida, sejam elas pessoas ou profissionais, mas precisa descobrir o que vai fazer com todas elas.

Outro alerta é que quando as pessoas se vêem nessa crise costumam pensar em recomeçar algumas coisas na vida: nova faculdade, novos cursos, novos empregos… Aí eu pergunto: “Será que vale a penas mesmo jogar tudo pro alto e recomeçar, recomeçar, recomeçar?” Nestes casos uma dica e ter calma, muita calma nessa hora e se possível buscar ajuda profissional, pois isso vai te ajudar a ampliar horizontes e descobrir novas possibilidades, reorganizando pensamentos e implementando novos  comportamentos.

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Elídio Almeida
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Carnaval – Controle e equilíbrio entre o real e a fantasia.

Dizem que na Bahia é carnaval o ano inteiro, mas nos dias do reinado de Momo a folia, as cores, as fantasias, as músicas e as pessoas, ganham um brilho ainda mais especial. Durante todo o ano são festas, ensaios, praias, alegrias e muita farra, mas as pessoas costumam dosar e associar tudo isso às obrigações cotidianas, seja através dos compromissos familiares, escola, trabalho ou faculdade.

Veja só que interessante: falamos que durante o ano a música, a praia as festas e farras precisam ser dosadas em função das obrigações do dia a dia. Isso nos faz lembrar que nosso comportamento é controlado por regras. Mas o que significa isso? Significa que nossa sociedade, nossa cultura, as instituições que pertencemos (família, trabalho, faculdade, religião), todas elas possuem regras que devemos seguir se quisermos ser bem sucedidos nesses ambientes. Até nós mesmos temos nossas autoregras (não posso, não gosto, não quero…), enfim, vivemos a maior parte do tempo tentando equilibrar todas essas possibilidades de comportamento e muitas vezes ficamos privados de algum deles (tenho que escolher entre ir à praia ou estudar para a prova, por exemplo).

Sentir-se privado de algo que lhe faz bem ou que você deseja, muitas vezes desencadeia uma série de comportamentos e sentimentos como: frustração, ansiedade, raiva, angustia… Imagine um ambiente onde todas as regras são flexibilizadas ou deixam de existir. Se o ambiente que você imaginou se aproxima das configurações do carnaval que conhecemos, já temos algumas pistas do porque muitas pessoas fazem uma “suspensão temporária do real” durante o carnaval.

 

Ano passado assisti o prefeito e o governador entregando as chaves da cidade e do estado ao Rei Momo e fiquei pensando sobre a representação desse ritual. Com esse gesto, inconscientemente, as pessoas podem pensar que “tá tudo liberado, quem tá no comando agora é o rei da folia” e com isso se apegam e se entregam completamente ao espírito carnavalesco, esquecendo que todas as formas de controle ainda estão presente nas mais variadas situações. Há que se pensar também em dois outros elementos presentes no carnaval: a fantasia e a utilização de bebidas e outras drogas, também contribuem pra a “suspensão temporária do real”.

Hoje, embora a fantasia tenha perdido espaço para outros adereços da folia, ainda encontramos muitos foliões que preservam a tradição da fantasia no carnaval, além dos blocos de travestidos e iniciativas que estimulam o resgate das tradições momescas. Nesse sentido, a fantasia pode cumprir a função de trazer à tona desejos que foram privados em outros momentos. Como a fantasia se opõe à realidade, é compreensível que muitos se desprendam do mundo real controlado por determinadas regas e viva intensamente aquele momento e aquela fantasia. Outro aspecto que devemos evidenciar é a utilização de bebidas alcoólicas e outras drogas durante a folia. Essas substâncias, dentre outros efeitos, provocam uma redução da censura e um maior desprendimento dos controles pessoais e sociais, o que favorece um desligamento ainda maior “do mundo real”.

É interessante pensar que ainda contamos com ambientes como o carnaval pra extravasar ou experimentar determinados comportamentos e emoções. Contudo, é interessante também não perdermos de vista o nosso próprio controle para que, no calor da folia, não façamos algo que possamos nos arrepender ou até mesmo nos deixar com sentimento de culpa no futuro. O legal é sempre pensar nas consequências dos nossos comportamentos. Todos nós somos livres para nos comportar, mas todos os nossos comportamentos são passíveis de controle ou de punição social. Como diz Skinner: “sou livre à medida que controlo as condições que me controlam”. Por isso, mesmo que seja por uma fração de segundos, reflita sobre seus comportamentos e as consequências que eles terão na sua vida e na vida das outras pessoas. Se a resposta for “vá em frente”, aproveite o momento e assuma as consequências do seu comportamento.

Bom carnaval a todos.

Elídio Almeida
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Ato falho

Sabe quando você diz algo que não devia ter dito? Ou, desatento, faz algo e depois descobre que aquele aparente engano parece querer dizer algo?


Imagine a seguinte situação: José está num ponto de ônibus aguardando ansiosamente o transporte, pois já está super atrasado para a faculdade. De repente outro ônibus para no ponto e neste está um rapaz que José considera arrogante e falso. O rapaz avista José e acena dando um tchauzinho. José pensa: “que cara-de-pau” e resolve acenar também só que ao invés do gesto planejado aponta para o rapaz o dedo com um gesto obsceno. Situação embaraçosa, não é verdade? E a menina que depois de um beijo hiper apaixonado abraça o namorado e diz: “Eu te amo, Rafael”, quando na verdade o nome dele é Lucas?!

Claro que todos nós cometemos falhas. Porém, em determinadas condições como stress emocional, dúvida, medo e cansaço, estas falhas parecem ocorrer com mais frequência, além de possuir uma função ou significado que diz algo muito importante para o contexto e para a análise do comportamento. Esses deslizes são chamados de atos falhos!

Para compreender melhor um ato falho na análise comportamental, vamos fazer o seguinte exercício: pense primeiro em um malabarista. Veja que ele está manipulando vários objetos ao mesmo tempo. Agora se esses objetos forem mais pesados ou de formas diferentes, ou ainda, se tiver alguém distraindo o malabarista, se ele estiver cansado ou não dormiu bem na noite anterior, certamente a chance dele cometer uma falha será muito maior. O ato falho ocorre por motivo parecido com a falha do malabarista: sobrecarga. Dizemos que a pessoa está sob controle de vários estímulos: “acho aquele cara chato e arrogante, mas ele pensa que é meu amigo e tenho que cumprimentar para não pegar mal”; “Namoro o Lucas, mas amo mesmo é o Rafael”. De repente essas informações saem do controle e uma delas termina escapando.

Cometer um ato falho seria, portanto, um problema relacionado a controle de estímulos associados ao pensamento ou a comportamentos internos que muitas vezes tentamos disfarçar ou esconder para evitarmos más interpretações ou julgamentos. Por exemplo, quando estamos nervosos, ou “com muita coisa na cabeça”, estamos na verdade tentando controlar diversos comportamentos internos (como pensamentos, raciocínios, imaginação, etc). Eventualmente uma falha desse desafiante controle pode ocorrer e a resposta inadequada pode ser emitida.

O ato falho, portanto, é um indicativo de que estamos tentando controlar (sem sucesso) comportamentos conflitantes, cujas respostas associadas concorrem pela emissão. É um comportamento que, conforme os exemplos acima, trás muitas informações adicionais à análise e nos ajuda a compreender melhor o contexto e as situações.

Veja alguns vídeos:

Elídio Almeida
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