Arquivo para a categoria 'Educação'

O que acontece quando uma criança vira o reizinho da casa?

Hoje presenciei uma cena numa farmácia que me deixou apreensivo: Uma criança de aproximadamente 02 anos começou a apanhar frascos de xampu na prateleira e atirá-los contra o chão. O pai olhou para mãe e a mãe agiu prontamente: ordenou que a babá da criança apanhasse e organizasse novamente os xampus na prateleira.

Sinceramente a vontade que tive foi de convidá-los para uma conversa e juntos refletirmos sobre os comportamentos daquela situação, pensar no porque cada um fez o que fez e quais as consequências disso em longo prazo. (In)felizmente o bom senso social falou mais forte naquele momento e apenas fiquei na torcida para que essa família seja mais eficaz em suas relações e na educação do seu filho e que não venham sofrer as severas consequências do comportamento inadequado que tiveram naquela ocasião.

O número de famílias que têm dificuldades de conduzir a educação dos filhos e até mesmo lidar com os comportamentos mais difíceis de agressividade e rebeldia dos adolescentes, tem levado cada vez mais famílias a buscar o auxilio da psicoterapia comportamental. De fato é difícil enfrentar essas situações como já falei aqui quando tratei dos comportamentos de birra em crianças, mas devemos pensar que muita coisa pode ser feita desde muito cedo, até mesmo como medidas preventivas.

Se você vive ou já viveu situação semelhante em qualquer um dos papeis da situação descrita acima, o pensa a respeito? Será que não são comportamentos como esse que constrói os reizinhos que comandam a casa em várias situações? O que será que a criança aprendeu com a atitude dos adultos? Por que será que o pai transferiu à mãe o controle da ação? Será que a mãe agiu de forma adequada ao contexto? O que a impediu de tomar outra atitude? Qual deve estar sendo o papel desta babá na família e o que isso também implica no desenvolvimento da criança? Será que todos que presenciaram a cena pensaram o mesmo que eu? O que será que mantém cada comportamento que foi adotado pelos expectadores e pelos envolvidos?

Se pudermos parar um pouco para pensar sobre isso já terá valido a pena. Dúvidas, críticas ou sugestões clique AQUI.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Bullying transforma jovem de 15 anos em herói mundial.

Um vídeo que foi publicado na internet dia 14 tem feito o maior sucesso e transformou a vida de um jovem australiano que era vítima de bullying na escola. Desde a publicação do vídeo, Casey Heynes tem sido considerado símbolo da luta contra o bullying em todo o mundo. As imagens do vídeo mostram Casey sendo agredido por outro garoto do colégio, enquanto outros jovens riem, incentivam a violência e acompanham a cena. Nos primeiros golpes Casey não reage até o momento que começa a se defender e atira seu adversário contra o chão.

Em entrevista a um programa de televisão Casey diz que sempre sofreu bully e inclusive já havia pensado em tentar suicídio para se livrar das humilhações. Hoje o jovem é considerado um herói mundial por ter reagido contra seu agressor daquela forma. O pai ao ver o vídeo e saber que o filho era vítima de agressões diz ter ficado surpreso e toda a família apoia a atitude do garoto. Pelo que tenho visto, o mundo inteiro também apoia!

Depois da explosão do vídeo na internet e da quantidade de notícias e discussões que isso gerou, quero também fazer alguns comentários:

  • Todo esse caso mostra como tantas crianças são vítimas de agressões físicas e psicológicas nas escolas e muitas vezes nem a escola nem a família possui conhecimento dos fatos. A ausência da escola e da família em casos desse tipo pode levar a criança a tentar resolver as coisas ao seu modo, seja também praticando violência contra seu agressor, calando-se ou até mesmo chegam a pensar na possibilidade do suicídio como forma de escapar da situação, como disse Casey.
  • A grande repercussão desse caso em todo mundo, fez com que muitas escolas e pais ficassem mais atentos à vida dos alunos e filhos, além estimular que outras vítimas também se manifestassem. E isso foi algo bacana! Mas também, a popularidade que Casey possui hoje em todo o mundo pode ser um indicador que muitas outras pessoas se identificaram com as situações que ele viveu, daí a razão dele hoje ser considerado um símbolo contra o bullying.
  • Enfrentar o agressor é uma dos comportamentos mais desejados para evitar que o bullying continue acontecendo. Porém toda essa popularidade e admiração que as pessoas possuem hoje por Casey me preocupa. Como eu disse, enfrentar o problema é um comportamento necessário para se livrar das agressões, mas precisamos ter em vista que agressão gera mais agressão. Lembre-se que vimos apenas um capítulo dessa novela e infelizmente a história não acabou com a reação de Casey. Ela pode ter sido apenas um paliativo para a questão e que o agressor poderá tentar “dar o troco” de uma forma mais dura e assim a história caminhar para cenas cada vez mais duras.
  • Também, precisamos pensar que há outras formas de lidar com o bullying e resolver completamente a situação sem precisar fazer uso da agressividade. Como vimos, Casey hoje é visto com um herói contra o bullying e as pessoas podem estar interpretando o sucesso dele como uma vitória e entender que a melhor forma de evitar o bullying seja batendo e agredindo o agressor. Por isso, devemos pensar que aquela atitude de Casey pode ter dado um basta naquele momento, mas não colocou um fim na questão. E que, podemos ter situações ainda mais graves se as pessoas que são vitimas de bullying tomarem isso como exemplo bem sucedido e começarem a por em prática a mesma estratégia de Casey contra seus agressores.

Precisamos sempre estar atentos contra os bullying. Esse caso, em especial, me chamou a atenção, pois vários profissionais comentaram o caso, vários veículos noticiaram o fato, mas não vi nenhum refletindo profundamente sobre as consequências que ainda poderão acontecer com o desdobramento desse ou de casos semelhantes. E, confesso que fiquei chocado com alguém que também faz uma agressão ser transformado em herói! Lógico que os motivos de cada um são diferentes, mas não devemos nos ater apenas a isto.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Bullying, um grande problema nas escolas.

O comportamento agressivo, expressado de forma física ou verbal, conhecido como Bullying, é um dos graves problemas enfrentados em todo o mundo e o local onde esse comportamento mais acontece é nas escolas. Colocar apelidos, humilhar, isolar ou até mesmo agredir fisicamente o colega são algumas das ações que refletem negativamente o contexto onde isso acontece.

Ao falar de bullying, precisamos considerar os fatores culturais, sociais e históricos da vida do alvo ou do agressor, além de focar como esse tema foi tratado ao longo do tempo e em que características e circunstâncias ele ocorre. Através desse posicionamento podemos entender o que acontece no contexto de forma inadequada, favorecendo a ocorrência do bullying.

Bullying, delinquência, problemas de conduta, indisciplina, entre outros conceitos que definem praticamente o mesmo fenômeno, sempre estiveram presentes no contexto escolar. Por isso não devemos dizer que o bullying é um fenômeno novo nas escolas. O que pode ser considerado recente são os estudos científicos a respeito do tema realizado em todo o mundo para discutir as graves consequências que este fenômeno tem provocado e formas eficazes de combatê-lo.

Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode ser vítima de bullying e não há um perfil padrão para isso. O que se percebe é que há características comuns entre sujeitos que praticam e sofrem o bullying. Em geral, o agressor já foi, em algum momento, alvo do bullying e ele pode ter aprendido com isso que a pessoa que o humilhou agiu dessa forma porque era mais forte, mais poderosa. Assim, para o agressor, a função do bullying é demonstrar poder e conseguir uma admiração junto aos outros colegas. Aqueles que são alvo do bullying normalmente apresentam alguma característica física ou emocional que o difere dos demais membros de um grupo, somado a isso, normalmente possuem sentimento de insegurança, timidez e dificuldades para enfrentar problemas. Com isso, ao identificar essas fragilidades, o agressor pratica agressões físicas, ofensas, ameaças, humilhações, extorsão de dinheiro, roubo de objetos, força comportamentos sexuais ou realização de atividades subservientes para demonstrar poder frente às vitimas. Além disso, atos indiretos como: boatos, fofocas, exclusão cyberbullying pode ocorrer.

Mas como suspeitar que uma criança ou adolescente está sofrendo bullying na escola? Uma boa dica é ficar atendo às mudanças no comportamento social da criança/adolescente como: tendência ao isolamento, recusa em frequentar a escola; sintomas psicossomáticos recorrentes; mudanças no comportamento emocional e afetivo; queda do rendimento escolar, dentre outros fatores. Logicamente que a presença desses fatores não determina que o adolescente esteja sofrendo bullying, mas devem ser considerados como indicativos para uma maior investigação. No geral costumo dizer que se o comportamento da pessoa muda, algo no contexto mudou e isso deve sempre ser observado.

O bullying provoca danos em todos os envolvidos (agressor, alvo e testemunhas). Evidentemente a pessoa que é alvo de bullying tende a sofrer muito mais e pode apresentar baixa auto-estima, sentimentos negativos relativos a si próprio, aumento da probabilidade de depressão e dos comportamentos agressivos, podendo ainda tornar-se autor do bullying, pois uma das formas de escape/fuga do sofrimento que alguns desses alvos encontram é praticar o bullying contra outra pessoa que seja mais frágil que ela, criando dessa forma um ciclo vicioso e muito prejudicial.

Um exemplo disso podemos encontrar no caso do garoto que apanha do padrasto e é humilhado por este com palavrões, chantagens e ameaças. Por sentir-se impotente e fraco para enfrentar o padrasto e sabendo que pode não encontrar apoio da própria mãe, o garoto pode conter seu ódio nesse contexto. Porém, na escola, o mesmo garoto pode assumir as características do padrasto, à medida que bate, humilha e ameaça seus colegas mais vulneráveis.

Uma boa notícia em toda essa questão é que os pais podem agir para evitar que seus filhos sejam vítimas de bullying. Para isso é importante que os pais reflitam se estão promovendo a autonomia dos filhos e se valorizam o diálogo franco em suas em suas relações, se privilegiam que seus filhos expressem seus sentimentos sem medo de ser punido. Também é importante que se aproximem da escola, participando cada vez mais do processo de educação, além de buscar ajuda de um profissional que os auxilie na identificação, análise e suporte de tais problemas.

Mas e quando o filho é o agressor e não o alvo, o que deve ser feito? De algum modo, todos (agressores, alvos e testemunhas) são vítimas nos casos de bullying. Todos são prejudicados e merecem ser tratados em sua particularidade. Todavia, o jovem que agride e pratica bullying precisa compreender que há outras formas de manifestar sentimentos, enfrentar angustias ou assumir posições de popularidade sem praticar o bullying e, principalmente, que ele pode dispor de ajuda de outras pessoas para isso.

Como falei no início o principal contexto onde o bullying acontece é nas escolas e é justamente por elas que devemos direcionar nossa atenção. Primeiro, é importante fazer a análise do contexto e das formas de poder vigentes no âmbito escolar, reconhecendo as subjetividades e a relatividade das ideias que coabitam neste campo. A partir daí, as escolas devem evitar medidas puramente punitivas e o estímulo à competição; promover a participação ativa dos estudantes nas decisões e organização do seu processo de educação, respeitando a diversidade de idéias; promover o estabelecimento de vínculo entre os sujeitos na escola (professores, alunos e funcionários); focar no problema separando-o do sujeito, ou seja, o problema não é inerente à identidade do aluno. Lembrando também que o bullying pode ocorrer na família, no ambiente de trabalho, nos clubes, condomínio, entre outras instituições. Vamos ficar atentos!

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Comportamento de Birra (2) em Adolescentes e Adultos

No post Comportamento de Birra, prometi que falaria como a birra que não foi tratada nem extinta na infância se manifesta na adolescência e em outras fases do desenvolvimento humano. Vimos que, na infância, as crianças utilizam a birra com a função de intimidar e constranger os pais na tentativa de terem seus desejos realizados. Vimos também que ao atender os desejos das crianças nos momentos de birra, ensinamos a elas que todas as vezes que quiserem algo, basta fazer birra que serão atendidas. Hoje falaremos que se isso se repetir com muita frequência, certamente a birra entrará para o repertório comportamental da criança e o acompanhará em outras etapas de sua vida.

Certamente você conhece alguém que “adora fazer um barraco”, “dar chilique” ou “chutar o pau da barraca” para poder se expressar, ter a atenção de alguém ou ter suas vontades atendidas. Imagine, por exemplo, que Juçara ver seu namorando com uma mulher e fica com muito ciúme. Resolve ir até eles tirar satisfação e faz o maior escândalo, chegando a quebrar objetos. Alguma semelhança com o comportamento de birra das crianças? Não. O que pode ter mudado foi apenas a topografia do comportamento, ou seja, as palavras, gestos, estratégias… mas a função foi a mesma: constranger para ter os desejos atendidos, neste caso poderia ter sido a tentativa de diminuir a probabilidade do namorado falar com outras mulheres. Mas como as pessoas aprendem a fazer isso? Será que fazem de propósito?

De forma geral, existem várias maneiras pelas quais aprendemos a nos comportar. A principal delas é através das contingências de reforçamento que tivemos ao longo da vida. Ou seja, os comportamentos que foram reforçados pelo contexto ou pelas consequências possuem grandes chances de serem repetidos, pois a consequência foi boa. Assim, em busca dessa gratificação tendemos a nos comportar de modo que a birra se repita cada vez mais. Embora, muitas vezes, façamos isso inconscientemente, não é correto dizer que foi sem propósito, afinal, sempre existe um ganho em vista na emissão de cada comportamento.

Você lembra do vídeo de Pedro do Chip? Pois bem, nesse vídeo temos um bom exemplo de uma pessoa que certamente foi reforçada em momentos anteriores de sua vida em que se comportou com birra, chilique e agressividade.

Observe que também com os adolescentes e adultos o ideal nos casos de birra, chilique ou agressividade é usar a técnica de extinção, ou seja, ignorar o comportamento indesejado. Observe como Pedro agiu. Mesmo com o constrangimento, apelo, escândalos e ameaças ele não reforçou o comportamento da mulher que gritava na frente do seu prédio. Simplesmente ignorou.

Todavia, ignorar comportamentos de chilique, birra e agressividade não é nada fácil, pois eles podem adquirir novas formas (mais graves) para fazer com que o expectador não suporte o constrangimento e ceda. Por isso não hesite em procurar ajuda, pois como diz o dito popular: “Antes de melhorar, piora” e precisamos estar bem seguros para enfrentar situações assim. Em breve vou escrever um post especificamente sobre extinção e explicarei melhor essa questão de “antes de melhorar, piora”. Qualquer dúvida fique à vontade para perguntar.

Elídio Almeida

Psicólogo | CRP 03/6773

(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia

elidioalmeida.wordpress.com

Comportamento de Birra (1) em Crianças

Imagine que você está  no supermercado com seu filho, ele pede um chocolate, você diz não. Ele se joga no chão gritando: “eu quero, eu quero, eu quero…”, começa a destruir tudo que encontra, chamando a atenção de todos. Você, de certa forma, fica morrendo de vergonha e sabe que nesse momento precisa fazer algo, pois todos ao redor estão esperando uma atitude sua [visualize o vídeo abaixo]. O que fazer, então?


 

Agora, que tal analisarmos e entendermos o famoso comportamento de birra?

Seja no supermercado, no shopping, na praia, na casa de amigos e até mesmo em sua casa, a criança pode fazer o maior escândalo para conseguir o que deseja. O que muita gente não sabe é que na maioria das vezes são os adultos que contribuem para o surgimento e manutenção do comportamento de birra nos menores e este é um tema bastante frequente nas clínicas e consultórios de psicologia.

O comportamento de birra é uma tática manipulatória que as crianças aprenderam a utilizar para ter seus desejos atendidos. Elas usam vários artifícios como: gritos, choros, escândalos ou auto agressão, de modo a constranger os pais e induzi-los a atender seus desejos. Os pais, por sua vez, por não aguentarem a cena do filho gritando e se debatendo em público (é uma cena muito aversiva para eles), acabam reforçando o comportamento de birra da criança e, de imediato, atendem os desejos para ela ficar quieta. Os pais se sentem como se estivessem sendo julgados como péssimos pais pelas outras pessoas e para acabar com a cena rapidamente, acabam fazendo a vontade da criança, criando assim um círculo vicioso.

Por isso que eu disse que muitas vezes os adultos contribuem para que o comportamento de birra aconteça. Por exemplo, quando o pai resolve dar o chocolate para a criança ficar quieta; ele dá, também, uma dica muito clara: “toda vez que se comportar de forma birrenta e fazer bastante escândalo, vai ganhar o que quer”. Isso condiciona a criança e acaba fortalecendo ainda mais o comportamento de birra e favorecendo que ele se repita outras vezes.

Veja esse outro vídeo. Repare que, para a criança parar com o comportamento de birra, a mãe lhe oferece um rabanete. Ele para com a birra, mas pede uma chicória. Adivinha o que pode acontecer se a mãe disser não?

O ideal nesses casos é usar uma técnica chamada de extinção e, progressivamente, inibir as birras até que as crianças aprendam uma forma mais assertiva e eficaz de se comunicar com os pais e, sobretudo, saber lidar melhor com sua frustração. Para isso é preciso um treino com os pais para que a técnica seja aplicada com sucesso, pois muitas vezes os pais não conseguem ir até o fim por não suportarem o “sofrimento” do filho e acabam reforçando o comportamento depois de algum tempo.

O vídeo abaixo pode servir de exemplo para a técnica de extinção que falei. Nele você pode ver que desde muito pequeno aprendemos a usar o comportamento de birra para controlar o comportamento das pessoas e tentarmos conseguir o que queremos.

Em breve farei um post falando sobre como o comportamento de birra que não foi extinto na infância se manifesta na adolescência e em outras fases da vida.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Direitos Humanos

No primeiro post de 2011 vou compartilhar com vocês trechos de um dos textos mais importantes que li durante minha formação em psicologia. Quando me preparava para realizar meus primeiros atendimentos em clínica, minha querida professora Dra. Ana Lúcia Ulian recomendou que eu lesse, antes mesmo dos textos técnicos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Confesso que achei estranho, pois a expectativa era aprender mais sobre os “segredos” dos atendimentos clínicos, mas ao ler a Declaração me dei conta de quanto dos nossos direitos são violados ao longo da vida e como isso traz implicações e reflexões ao nosso bem-estar psicossocial.

Aquela, foi a primeira ocasião que tive contato direto com a Declaração [!!!] e posso imaginar que muitos ainda não tiveram a oportunidade de ler os termos deste documento tão significativo para a humanidade e que nem sempre é observado pelas autoridades ou nas relações entre as pessoas no da a dia. Por isso, neste início de ano, quero convidar você ler (ou reler) e, acima de tudo, refletir sobre cada um dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos que estão resumidos a seguir. Quem sabe eles podem nos ajudar a refletir sobre nossa história e trazer compreensão para algumas questões que nos afeta, não é mesmo?

.

Artigo 1º

.

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

.

Artigo 2º

.

Toda pessoa deve possuir os mesmos direitos e liberdades sem distinção.

.

.

Artigo 3º

.

Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

.


Artigo 4º

.

Ninguém será mantido em escravidão ou servidão.

..


Artigo 5º

.

Ninguém será submetido a torturas ou castigo cruel.

.

..

Artigo 6º

.

Todo ser humano será reconhecido como pessoa perante a lei.

.

.

Artigo 7º

.

Toda pessoa deve ser protegida igualmente perante a lei, sem discriminação.

.

Artigo 8º

.

Toda pessoa deve ter acesso à justiça para reparar violação dos seus direitos.

.

.

Artigo 9º

.

.

Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

..


Artigo 10º

.

Toda pessoa tem direito a julgamento público, imparcial e justo.

.

Artigo 11º

.

.

Toda pessoa acusada será presumida inocente até que sua culpa seja provada.

.


Artigo 12º

.

Ninguém sofrerá interferências em sua vida privada, nem ataques a sua honra e reputação.

.

.

.

Artigo 13º

.

Toda pessoa tem o direito de ir e vir, bem como o de residir dentro e fora de seu país.

.

.

Artigo 14º

.

Toda pessoa perseguida tem direito a procurar asilo em outro país.

.

.

Artigo 15º

.

Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.

.

.

Artigo 16º

.

Toda pessoa tem direito de constituir família, mas não será obrigada a isso.

.

.

.

Artigo 17º

.

Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

.

.

.

Artigo 18º

Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião.


Artigo 19º

Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e de expressão.


Artigo 20º

Toda pessoa tem direito de se reunir e de se associar, pacificamente, não podendo ser obrigada a isso.

Artigo 21º

Toda pessoa tem direito de participar do governo, de ter acesso ao serviço público e de eleger livremente seus representantes.

Artigo 22º

Toda pessoa possui direitos econômicos sociais e culturais.

Artigo 23º

Toda pessoa tem direito ao trabalho, a um salário justo e a sindicalização.

Artigo 24º

Toda pessoa tem direito ao repouso, ao lazer e a férias remuneradas.


Artigo 25º

Toda pessoa tem direito à saúde, ao bem-estar e à participação social, principalmente as mães e crianças.

Artigo 26º

Toda pessoa tem direito a uma educação de qualidade, que garanta o pleno desenvolvimento da personalidade humana.

Artigo 27º

Toda pessoa tem direitos a participar da vida cultural e receber os benefícios do progresso da ciência.

Artigo 28º

Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional onde cada país respeite os princípios desta declaração.

Artigo 29º

Toda pessoa tem o dever de contribuir para que os direitos de todos sejam respeitados conforme os princípios das nações unidas.

Artigo 30º

Nenhuma pessoa, grupo ou estado poderá suprimir os direitos e liberdades estabelecidos nesta declaração.

Pois bem! Mais uma vez, Feliz Ano Novo a todos e que possamos estar cada vez mais atentos ao nossos direitos e não permitir que outros violem nossa liberdade (no sentido mais amplo da palavra). Felicidades!

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Bullying: da brincadeira à violência – Matéria com participação de Elídio Almeida

Jornal da Record está apresentando esta semana, para todo o Brasil, uma série especial de reportagens que trata de um problema que interessa que a todos, especialmente aos pais: o Bullying. A série mostra várias perspectivas do tema e casos ocorridos nas principais regiões do país. Ontem foi a vez de Salvador, como representante da região nordeste.

Em julho, escrevi um post aqui no Blog que fala sobre o Bullying (leia aqui) e o texto teve grande repercussão na internet o que levou a equipe da Record a nos convidar para contribuir com a matéria. Como tive uma participação na reportagem, estou clipando o vídeo aqui no Blog para que todos possam ver (ou rever) o vídeo e discutirmos ainda mais esse tema.

Todos sabem que provocações e brincadeiras fazem parte da rotina de jovens e adolescentes. Mas, quando viram uma agressão, ganham o nome de Bullying. A iniciativa da Record em apresentar uma série com este tema é muito louvável, pois cria também um alerta para essa questão tão grave. Todas as reportagens da série podem ser vistas no link abaixo:

Bullying: da brincadeira à violência

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Bullying – Brincadeira sem limites

Semana passada assisti a um filme muito interessante chamado Bullying (2009), do diretor espanhol Josecho San Mateo, e isso me estimulou a escrever este post.  No filme, ao contar a história de um garoto que sofria agressões praticadas por seus colegas de escola, o diretor aborda um tema muito relevante para os dias atuais, o Bullying. Este termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, praticados por uma pessoa ou grupos, com o objetivo de intimidar ou agredir outras pessoas ou grupos minoritários incapazes de se defender.

Atualmente uma das maiores preocupações da Psicologia e dos educadores sem duvida é o Bullying. Hoje, considerado como um problema mundial, o bullying pode acontecer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade, família, trabalho, entre vizinhos e amigos. São características do bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar e costumam atingir aspectos da etnia, condição sexual, formação familiar, deficiências físicas, condição social e financeira, podendo atingir qualquer ponto que não seja usual, aceito ou compreendido por quem pratica bullying.

As pessoas que testemunham o bullying também convivem com a violência e, muitas vezes, se silenciam em razão de temerem se tornar as próximas vítimas do agressor. As crianças ou adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima. Tendem a adquirir sérios problemas de relacionamento, podendo, inclusive, contrair comportamento agressivo. Em casos extremos, a vítima poderá tentar ou cometer suicídio.

Os autores das agressões geralmente são pessoas que têm pouca empatia, pertencentes à famílias desestruturadas, em que o relacionamento afetivo entre seus membros tende a ser escasso ou precário e encontram na humilhação dos outros uma forma de se tornarem populares, reconhecidos ou aceitos nos seus grupos. Por outro lado, o alvo dos agressores geralmente são pessoas pouco sociáveis, com baixa capacidade de reação ou de fazer cessar os atos prejudiciais contra si e possuem forte sentimento de insegurança, o que os impede de solicitar ajuda.

Os atos de bullying ferem princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa humana – e ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. Escolas e empresas também podem ser responsabilizadas pela prática do bullying em suas dependências e podem ser enquadradas no Código de Defesa do Consumidor ou pelas Leis Trabalhistas, pois devem garantir o bem estar e integridade tantos dos seus clientes e seus funcionários.

Cyber Bullying:

Infelizmente, estão sendo criadas novas formas de humilhação. Além do bullying tradicional que envolve humilhação e agressão física, hoje em dia temos o Cyber Bullying, que é a prática de humilhação e exposição pública caluniosa e difamatória através da internet. Essa é uma forma mais agressiva do Bullying tradicional, já que calunias e difamações por internet têm um alcance muito maior e conta com o anonimato do agressor. Ele não precisa mais ser uma pessoa forte ou popular, pode ser feita por qualquer um, inclusive vítimas em busca de vingança. Um exemplo claro são os perfis falsos em redes de relacionamentos como o Orkut.

Segundo a delegacia de crimes virtuais, essa é a prática mais comum de Cyber Bullying. Cria-se um perfil falso da vítima com informações reais como telefone, endereço e fotos e se relaciona a comunidades que podem ser difamatórias. Como uma mulher ter seu perfil com descrição de garotas de programa ou um menino ter seu perfil associado a comunidades ligadas a pedofilia ou mesmo fazendo montagens com fotos. Geralmente com fundo pornográfico.

Mudar de escola resolve?

Existe uma crença de que mudar de escola ou mudar de cidade evitará que a pessoa deixe de ser vítima. Infelizmente também não funciona, pois o padrão comportamental da pessoa em questão fará com que seja atacada em qualquer lugar. O problema é o padrão comportamental que predispõe uma pessoa a ser vítima e esse padrão é justamente o que precisa mudar. Nesse ponto o atendimento psicológico de orientação Comportamental é fundamental, pois vai desenvolver novos repertórios comportamentais incompatíveis com o perfil das vítimas de Bullying (geralmente pessoas tímidas, caladas e com baixa autoestima).

A vítima precisa de orientação.  Isso inclui ir à delegacia ou então procurar atendimento jurídico, psicológico e médico sempre que precisar. O Bullying deve ser sempre combatido e jamais tolerado em escolas ou qualquer outro lugar. Cabe lembrar que não é só aquele que pratica o Bullying que é o agressor. Na verdade, os espectadores que não fazem nada e ainda dão risada da vítima que está sendo humilhada é tão agressor quanto quem comete a agressão e reforçam este comportamento, que por sua vez aumenta muito a frequência dos comportamentos agressivos, pois obtém reforço social.

É um problema muito sério que marca vidas, talvez se as pessoas entendessem que Bullying não é bobagem e que não é uma brincadeira de mau gosto como muito se prega e sim uma agressão psicológica e muitas vezes física também, que deixa marcas para toda a vida.

As marcas que ficam nas vítimas de bullying são muito fortes e infelizmente, na maioria das vezes mudam permanentemente suas vidaas. As marcas mais comuns são: depressão, baixa autoestima, dificuldade de aprendizagem, em relacionamentos sociais, ansiedade, agressividade para consigo e para com outras pessoas.

O importante é ressaltar que o atendimento psicológico oferece resultados promissores em relação a todas essas marcas, principalmente as terapias de abordagem Comportamental. Claro que não se pode mudar o passado, mas com o atendimento psicológico podemos fazer um “controle de danos” e com isso saber lidar com os problemas decorrentes antes que esses se agravem.

Saiba mais em:

Menino vítima de bullying é agredido com golpes de porrete
Bullying: fenômeno gera violência e deve ser combatido
Bullying no trabalho é comum, mas vítima nem sempre percebe
Estudante se mata após bullying: seis garotas adolescentes podem pegar até a prisão perpétua
O Fenômeno Bullying como causa dos massacres em escolas.

 

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
elidioalmeida.wordpress.com


Visitantes desde abril 2010

  • 82,735 visitantes

Visitantes on line

Vídeos

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

Cadastre aqui o seu e-mail e receba atualizações do Blog.

Join 82 other followers

Direitos Reservados:

É proibida a reprodução de textos e outros conteúdos publicados neste Blog, no todo ou em parte (ainda que seja citada a fonte), sem autorização prévia e expressa do autor, sujeito as penalidades previstas na Lei 9.610/98 de direitos autorais.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 82 other followers