Esta semana explodiu na imprensa o caso de um delegado que registrou um BO em forma de poesia. Bastante inusitado, este caso que pode nos levar a uma reflexão acerca da escolha profissional.
O delegado Reinaldo Lobo, de uma cidade a 18 km de Brasília, fez um boletim de ocorrência que chamou a atenção não pelo caso registado, mas pela forma como optou por fazer a redação: o texto foi escrito em forma de poesia (fonte). No próprio boletim o delegado justifica por que optou por escrever em forma de verso.
Veja abaixo a íntegra do texto:
Já era quase madrugada
Neste querido Riacho Fundo
Cidade muito amada
Que arranca elogios de todo mundo
O plantão estava tranquilo
Até que de longe se escuta um zunido
E todos passam a esperar
A chegada da Polícia Militar
Logo surge a viatura
Desce um policial fardado
Que sem nenhuma frescura
Traz preso um sujeito folgado
Procura pela Autoridade
Narra a ele a sua verdade
Que o prendeu sem piedade
Pois sem nenhuma autorização
Pelas ruas ermas todo tranquilão
Estava em uma motocicleta com restrição
A Autoridade desconfiada
Já iniciou o seu sermão
Mostrou ao preso a papelada
Que a sua ficha era do cão
Ia checar sua situação
O preso pediu desculpa
Disse que não tinha culpa
Pois só estava na garupa
Foi checada a situação
Ele é mesmo sem noção
Estava preso na domiciliar
Não conseguiu mais se explicar
A motocicleta era roubada
A sua boa-fé era furada
Se na garupa ou no volante
Sei que fiz esse flagrante
Desse cara petulante
Que no crime não é estreante
Foi lavrado o flagrante
Pelo crime de receptação
Pois só com a polícia atuante
Protegeremos a população
A fiança foi fixada
E claro não foi paga
E enquanto não vier a cutucada
Manteremos assim preso qualquer pessoa má afamada
Já hoje aqui esteve pra testemunhá
A vítima, meu quase xará
Cuja felicidade do seu gargalho
Nos fez compensar todo o trabalho
As diligências foram concluídas
O inquérito me vem pra relatar
Mas como nesta satélite acabamos de chegar
E não trouxemos os modelos pra usar
Resta-nos apenas inovar
Resolvi fazê-lo em poesia
Pois carrego no peito a magia
De quem ama a fantasia
De lutar pela Paz ou contra qualquer covardia
Assim seguimos em mais um plantão
Esperando a próxima situação
De terno, distintivo, pistola e caneta na mão
No cumprimento da fé de nossa missão
Riacho Fundo, 26 de Julho de 2011
Barrado pelo judiciário, o texto teve que ser reescrito. Especialistas da área jurídica afirmam que o delegado não cometeu nenhuma infração legal ao inovar na atividade de rotina da delegacia, mas fugiu completamente ao padrão. Mas o que o levou a fazer isso?
Em entrevista, o delegado disse ter buscado inspiração na literatura de cordel e que herdou do avô o talento para escritor. E justifica seu comportamento dizendo que “foi a forma de conseguir chamar a atenção para uma leitura mais refletida do texto, que não fosse feita uma leitura padrão, pois, muitas vezes, ela é dada sem atenção”. Dá pra notar perfeitamente que o delegado gosta mesmo de versos e rimas, mas fica a pergunta: Ele está mesmo satisfeito com seu trabalho?
Pergunto isso não como mera especulação, mas o comportamento do delegado parece ser característico das pessoas que não se veem realizadas em sua profissão ou carreira. Na maioria dos casos, quando a pessoa se vê frustrada em sua atividade profissional procura estratégias compensatórias para tornar a rotina menos sofrida e, de certa forma, contemplar aquele desejo sufocado no seu íntimo.
O caso protagonizado pelo delegado mostra o quão, muitas vezes, nos deixamos levar por altas remunerações (as vezes nem tanto), estatus social e outros denefícios, em detrimento de atividades que de fato trariam muito mais bem-estar psicossocial. Em episódios que priorizamos remuneração, reconhecimento e facilidades ao invés das coisas que de fato nos dão prazer pessoal e profissional, estamos abrindo uma porta muito grande para uma carreira de frustação com grandes impactos em todos os aspectos da vida.

Por estas e outras razões, precisamos planejar nossas ações e comportamentos, sobretudo, pensar nas consequências de cada um deles para evitar decepções e arrependimentos.
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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com







Um bom exercício para auxiliar nesta escolha é buscar o autoconhecimento para entender suas preferências atuais, como elas foram construídas, que coisas você gostava antes e hoje não gosta mais, o que você pretende fazer no futuro ou como gostaria de viver. Que tal tentar pensar um pouco sobre isso?
O ideal é você optar por uma orientação vocacional que acompanhe e avalie as suas expectativas de forma ampla e não se prenda apenas a aplicação de testes. A orientação vocacional individual ou em grupo deve basear-se em: autoconhecimento, levando em consideração o passado, presente e perspectivas para o futuro; conhecimento da realidade profissional, histórico da profissão e projeção para o futuro; os processos que envolvem a tomada de decisão do curso, levando em consideração os pós e contras desta decisão.
Mas o que os Testes Vocacionais e a Orientação Vocacional avaliam? Teoricamente esses instrumentos e procedimentos visam identificar: as aptidões, interesses, aspectos da personalidade, da inteligência e como esses dados ajudam a apontar a escolha mais conveniente em termos realização pessoal e profissional. Os testes mais empregados atualmente são os testes de desenvolvimento cognitivo global, que avalia as habilidades do ser humano, o nível de percepção, a memória e o raciocínio. Outras opções são os testes de identificação da personalidade, que visa analisar as características pessoais, equilíbrio emocional, além de verificar as angústias, rivalidades e conflitos da pessoa. Depois que os testes são realizados, seguem-se para as entrevistas com o jovem e os pais dele. A conversa é baseada no histórico familiar, cultural, situações do cotidiano, relacionamento social, entre outros assuntos. A partir daí é possível chegar ao perfil da personalidade que revela as características, habilidades, dificuldades em questão.
Pensar no futuro pode ajudar a traçar planos e elaborar estratégias para driblar ou evitar muitas dificuldades na vida pessoal e profissional. Um dos momentos em que mais pensamos no futuro certamente é na hora de escolher a profissão, da qual dedicaremos parte significativa de nossos estudos durante a faculdade, além de buscar nela realização pessoal e profissional. Com a grande variedade de carreiras e profissões conhecidas nos dias atuais tomar essa decisão pode ser no mínimo desgastante. Somado a isso, é cada vez mais precoce o memento em que os jovens são convocados a fazer a escolha de sua profissão e este pode ser um momento bastante delicado. Por isso participar de uma orientação vocacional pode ser muito importante. A Orientação Vocacional consiste num grande auxilio no processo de autodescoberta do jovem.
Muitos pais sempre me perguntam qual o momento certo para fazer uma orientação vocacional. Costumo dizer que não há uma regra para isso, mas o mais importante é que seja uma demanda do próprio jovem. No geral essa demanda começa a surgir com a entrada no ensino médio e tende a se acirrar durante o segundo e terceiro ano, quando o adolescente ainda não decidiu ou não tem certeza do vestibular que pretende prestar e que faculdade pretende cursar. Porém, quando mais cedo ele encontrar o curso mais adequado, menor será a ansiedade e mais motivado ele ficará, além de certamente obter melhor rendimento em suas tarefas.
Independente da realização de uma orientação vocacional, os pais têm um papel muito importante no momento do filho escolher qual profissão quer seguir. Na maioria dos casos os pais querem o melhor para seus filhos, mas nem sempre pais e filhos possuem a mesma opinião em relação ao futuro e pode haver desgaste, agressividade ou inassertividades na relação entre eles. O papel dos pais deve ser de orientadores, expressando a opinião deles, mas, também, dando informações, ouvindo bastante os anseios dos filhos e respeitando sempre o tempo, as habilidades e os gostos.
Falar assim parece ser fácil, mas na prática não é. Pais bem sucedidos, por exemplo, tendem a querer influenciar seus filhos a fazerem o que eles fazem. Ou pais frustrados profissionalmente, tendem a influenciar seus filhos a fazer aquilo que eles não tiveram oportunidade de fazer. Outros pais focam mais o lado financeiro deixando de lado o prazer e as aptidões para a profissão.



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