Arquivo para a categoria 'Mudança de Comportamento'

Se meu signo mudar vou ter outra Personalidade?

Esta semana, um dos assuntos mais comentados juntamente com a contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo, das apostas pra saber quem matou Saulo e do BBB11, com certeza foi a notícia dada pelo astrônomo Parke Kunkle, sobre as mudanças no alinhamento da Terra e da possibilidade de se acrescentar mais um signo, o Ophiuchus, ao zodíaco. A entrada de um novo signo pode provocar uma grande mudança no horóscopo e todas as características que você atribuía ao seu signo, na verdade, podem pertencer a outra constelação zodiacal.

A questão, além de interessante é bastante polêmica e envolve não somente os astrólogos (pessoas que se baseiam na posição dos astros para fazer o horóscopo) e os astrônomos (cientistas que estudam os astros e sues movimentos pelo espaço), mas, envolve também as pessoas que acompanham e acreditam que suas personalidades são determinadas pela posição dos astros e pelas previsões do zodíaco. Isso por que, segundo o zodíaco tradicional, cada signo tem uma característica relacionada ao dia de nascimento da pessoa. Porém, como acréscimo de um novo signo, todas as datas do horóscopo serão redistribuídas e algumas pessoas poderão mudar de signo.

 

Todos sabem que psicólogo não tem formação em astrologia, muito menos em astronomia, mas a intenção deste post é justamente tentar esclarecer a dúvida de um leitor do Blog que tem uma tatuagem do signo e ficou extremamente preocupado com a mudança do signo e escreveu perguntando: “Será que as personalidades das pessoas vão mudar também?”.

Primeiramente, vamos tentar entender o que é personalidade.

 
Sabemos que desde que o homem é homem sempre existiu a tentativa de entender o porquê das pessoas se comportarem da forma como se comportam. A busca de respostas para perguntas como: “Por que as pessoas são como são?”, “Por que a mesma situação provoca efeitos diferentes nas pessoas?”, “Por que Lucas e Pedro são irmãos e mesmo assim são tão diferentes?”, costumam ser muito comuns e, muitas vezes, na tentativa de encontrar respostas, as pessoas procuram informações sobre a personalidade. Nesse contexto, qualquer informação sobre personalidade pode ajudar nessa busca, e muitos seguem à risca o famoso horóscopo que tanto fala sobre os signos do zodíaco e a formam como determinam a personalidade das pessoas.

“Personalidade” é um termo popularmente conhecido e de fundamental importância para a psicologia, podendo, a depender da abordagem com a qual é focada, receber outras nomenclaturas: individualidade, psiquê, ego e até alma. Nós, analistas do comportamento, entendemos que personalidade é um padrão relativamente estável de respostas que são emitidas pelas pessoas. Este padrão comportamental é construído em função dos estímulos que a pessoa recebe ao longo de sua vida e da relação com os contextos que ela experienciou. Além desse padrão de comportamento, a “personalidade” é vista como uma interface entre a pessoa e o meio social e que pode sofrer transformações durante essa relação. Nesse sentido, entendemos que a personalidade não é determinada por elementos místicos e sim fruto da história de vida da pessoa, somada aos elementos da cultura (podendo aqui perpassar a variável do zodíaco) e a história da humanidade.

Experimente pensar o seguinte: José e o pai são do mesmo signo. O pai de José apresenta o seguinte padrão comportamental: paciente, compreensivo, valoriza as relações interpessoais é muito dinâmico e proativo, exatamente o que zodíaco fala sobre a personalidade dele e do filho. Já José, tem um padrão comportamental totalmente diferente do pai: impaciente, agitado, odeia ser contrariado, possui dificuldade de relacionamentos, odeia estudar, faz corpo mole pra tudo, nem pensa em trabalhar e passa o dia no computador. Quanta diferença! Ué, mas não são do mesmo signo? Será que foi somente o signo que determinou essas características para cada um deles? Será que os estímulos que o pai recebeu foram os mesmo do filho? Será que essas características não tem relação com outros aspectos da vida de cada um deles? Se acontecer a mudança no horóscopo e o pai de José passar a ter um signo com características totalmente opostas, será mesmo que ele vai mudar?

Mas com a mudança dos signos, as pessoas vão ou não mudar de personalidade? Se entendermos que a personalidade é fruto da relação mútua entre o contexto e a pessoa, podemos dizer que mudanças nesse padrão comportamental são possíveis. Daí a considerar que o simples fato da pessoa ser deslocada de um signo para outro ser o responsável por tamanha mudança, seria muito arbitrário. Equivaleria dizer que apenas esse signo é o único responsável por todo padrão comportamental das pessoas. Você concorda com isso? Deixe aqui seu comentário.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

 

Obesidade

A obesidade é um problema crônico que afeta grande parcela da população mundial. Vários fatores contribuem para o surgimento da obesidade como: fatores biogenéticos, hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, estados emocionais alterados, costumes culturais, além da associação de outras doenças. Mesmo sendo de caráter mundial, qualquer intervenção feita na tentativa de tratamento da obesidade deve, obrigatoriamente, levar em consideração todos os possíveis fatores causais, principalmente os de ordem cultural.

Embora as ciências biomédicas estabeleçam critérios para definir quando uma pessoa pode ser considerada obesa – aferindo e comparando as proporções de altura e a massa corpórea, por exemplo – vemos que este não é o critério usual utilizado na maioria dos contextos onde o tema é abordado. No dia a dia, é muito comum qualquer pessoa com sobrepeso ou alguns quilinhos a mais ser rotulada como obesa ou até ela mesma pode se vê dessa forma, ainda que não se enquadre nesse perfil. Mas por que há tanta disparidade e polêmica nesse tema?

Se observarmos como nossa sociedade tenta ditar os padrões de sucesso, felicidade, beleza e principalmente da moda, veremos que é muito comum todos eles perpassarem pela questão do corpo.  De alguma forma parece que há um grande interesse em padronizar e enquadrar todas as pessoas num perfil que “para ser feliz, ter sucesso, crescer profissionalmente, ter um relacionamento afetivo ou ter amigos, você precisa ter um corpo sarado, chapado, esbelto, sem barriguinha…”. Ocorre que muitas vezes tomamos isso como verdade e buscamos fazer o possível ou tentar o impossível para atingir esse padrão idealizado.

Você já reparou quantos negócios são movidos em função do corpo, seja para enquadrar ou manter o padrão tido como ideal? Muitas vezes, ficamos confusos com tanta informação que deixamos de questionar o que é ser obeso, gordo, ter sobrepeso e achamos que qualquer alteração no corpo pode ser sinônimo de obesidade. A questão é que a tentativa de imprimir a qualquer custo esse perfil idealizado tem levado várias pessoas a se submeter a vários procedimentos danosos a saúde, se reconhecerem como inferiores, limitadas e excluídas da sociedade. Nesse processo podem surgir podem surgir várias outras questões associadas como bulimia, anorexia, ansiedade, depressão ou outras alterações comportamentais; que no conjunto podem fazer com que a pessoa precise de ajuda profissional.

Neste contexto, o uso de tratamento comportamental vem se mostrando muito eficaz. Trata-se de uma intervenção estruturada, objetiva e orientada por metas que aborda fatores cognitivos, emocionais e interpessoais no tratamento da obesidade ou da auto imagem que pode ter sido modificado em função das cobranças e imposições do contexto . O objetivo é implementar estratégias e técnicas comportamentais para que o paciente consiga identificar os estímulos que antecederam as causas do problema e assim encontrar possibilidades mais eficazes de enfrentar o problema. Tudo isso, claro, da forma mais agradável possível para o paciente.

As estratégias comportamentais utilizadas o tratamento com questões relacionadas à obesidade são:

Abordagem da autoestima: modificação de crenças associadas à inferioridade e autoimagem negativa;

Estímulo aos exercícios: os pacientes são encorajados praticar atividades físicas;

Solução de problemas: permite aos pacientes a identificação das potenciais barreiras para o sucesso do tratamento, selecionando e implementando soluções que resolvam tais problemas;

Controle de estímulos: Esta técnica consiste em evitar condições que facilitem a alimentação excessiva;

Suporte social: engloba o apoio de familiares, de amigos e de grupos sociais;

Prevenção da recaída: organização de um plano de manutenção das estratégias aprendidas ao longo do processo da terapia e revisão periódica do mesmo após o término do tratamento.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Como mudar de comportamento?

É muito comum encontrarmos pessoas com o seguinte repertório comportamental: durante a semana o trabalho consome todo o tempo possível e quando chega o final de semana não conseguem sair de frente da televisão ou do computador, seja na tentativa de se divertir ou por não conseguir outra forma de passar o tempo. Essa fixação com a televisão ou com o computador é tamanha que muitas pessoas não conseguem fazer outra coisa fora de casa, o que pode causar vários transtornos. Quando isso acontece, o relacionamento com outras pessoas pode diminuir, sintomas de depressão podem se instalar e a pessoa pode perder o ânimo para sair de casa. Embora possa existir muita vontade de mudar de vida, as pessoas encontram muitas dificuldades para enfrentar essa situação.

Mas afinal, o que precisamos fazer para MUDAR DE VIDA? Penso que uma resposta para uma pergunta como essa não é nada fácil, mas vou tentar explicar a partir de um princípio fundamental para a análise do comportamento: Só mudamos o contexto em que vivemos quando emitimos novos comportamentos, ou seja, para mudar precisamos incluir novos comportamentos em nosso modo de viver. Fazendo coisas diferentes do habitual podemos encontrar novas formas de solucionar os problemas.

Obviamente que sei que não é nada fácil deixar para trás hábitos antigos e que já fazem parte do jeito de viver de cada um. Sei também que sair de casa em dias como os de hoje nos leva a pensar uma série de fatores como: gastar dinheiro, medo de ser assaltado, enfrentar filas, engarrafamento, dificuldade de estacionamento, o cansaço… em fim, várias coisas nos dão a falsa impressão que é melhor ficar em casa. Quando isso acontece acabamos pagando um preço muito maior no futuro, pois limitamos nossas opções de diversão, deixamos de sair com as pessoas que gostamos, não conhecemos novos amigos, nem novas possibilidades de relacionamento.

Por isso, creio que se quisermos mudar nosso jeito de viver, devemos fazer coisas diferentes. Então, quando surgir uma possibilidade de ficar na frente de uma telinha, que tal visitar amigos que você tanto gosta? Combinar um cinema ou um teatro? Ir a um show de um artista que você gosta? Uma praia? Sair pra dar uma volta? Se você pensar um pouco logo-logo vai lembrar várias coisas que podem ser feitas com baixo investimento e com alta possibilidade de lhe proporcionar satisfação e prazer. Experimente! Mas se sentir qualquer dificuldade, não hesite em pedir ajuda.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Transtorno Obsessivo-Compulsivo, ou TOC, como é popularmente conhecido, é o quarto transtorno mental mais freqüente no mundo e atinge de 2 a 3% da população mundial. No Brasil, aproximadamente sete milhões de pessoas já desenvolveram o transtorno. O TOC afeta todas as idades e ambos os sexos. Tem início, geralmente, no final da adolescência e início da vida adulta, podendo ser correlacionado com momentos de mudanças significativas da vida ou situações de extrema e intensa ansiedade.

As pessoas que apresentam o TOC são afetadas por pensamentos intrusos ou idéias recorrentes como: “será que estou com mau cheiro?” ou “será que tranquei a porta da casa?”. E para reduzir a ansiedade e angústia geradas pelos pensamentos obsessivos, a pessoa desenvolve comportamentos repetitivos e ritualísticos (ficar horas no banho ou voltar várias vezes para ver se porta está trancada).

Uma equipe da Universidade Anehmbi-SP, em um dos episódios da série “conversas de elevador” abordou a temática do TOC e no vídeo (abaixo) é possível observar alguns rituais empreendidos pela personagem que possui TOC e em outros momentos como não se deve agir no contato com essas pessoas.

A pessoa com TOC fica presa a um círculo vicioso: o que ela faz na tentativa de ter alívio imediato (as compulsões), na verdade mantém e intensifica o problema. As obsessões deflagram compulsões que reforçam as obsessões. Isto significa que quanto mais a pessoa fizer qualquer ritual para sentir-se melhor, mais ela ficará escrava das obsessões, refém do próprio pensamento e dos rituais. Tal círculo gera sofrimento intenso e faz com que a pessoa sinta-se diferente e envergonhada diante de outras pessoas. Paralelamente, ela é percebida como estranha e chata, o que compromete ainda mais suas interações sociais.

As obsessões mais comuns são:

  • Dúvida: a sensação de que algo não foi feito. Isso tende a levar a rituais de verificação;
  • Colecionismo: idéia fixa em colecionar determinados objetos inúteis ou não desfazer-se deles, por achar que serão úteis no futuro;
  • Contaminação: medo excessivo de se contagiar por vírus, bactérias ou substâncias tóxicas. Esse tipo de obsessão leva a rituais de limpeza e lavagem;
  • Pensamento automático: a pessoa tem certeza de que se não cumprir determinadas “tarefas, como repetir inúmeras vezes uma mesma frase ou palavra, jamais ficará livre dos pensamentos ruins;
  • Sexual: a presença de pensamentos de conteúdo obsceno e impulsos incestuosos, indesejados ou impróprios, que causam muita culpa à pessoa;
  • Simetria: cuidado extremo com exatidão ou alinhamento de objetos;
  • Somáticos: preocupação excessiva com doenças, sem a presença de nenhum sintoma que possa gerar a preocupação.

O tratamento do TOC consiste em terapia comportamental, normalmente associada a terapia medicamentosa. A combinação de antidepressivos e ansiolíticos com psicoterapia comportamental reduz em 80% os sintomas. Na psicoterapia, a pessoa é instruída e educada sobre o TOC, pois mostra-se fundamental o seu entendimento acerca do funcionamento do transtorno, para assim aumentar a probabilidade de sua adesão ao tratamento. Na psicoterapia comportamental, o objetivo terapêutico é quebrar o círculo vicioso das obsessões e compulsões.

O terapeuta vai expor a pessoa com TOC a uma situação geradora da obsessão/compulsão no ambiente terapêutico, de forma gradativa com a garantia que ela não fará nada além de sentir-se ansiosa e ameaçada, até que a ansiedade chegue a um nível máximo e em seguida seja reduzida. Com a repetição de tal procedimento, a pessoa vai constatando que nada aconteceu; com isso a obsessão vai perdendo força. Tal exercício é sistematicamente praticado sempre que surgir uma obsessão, tornando-se um hábito. A essência da melhora está em não praticar as compulsões.

Nesse ponto o engajamento da família no tratamento é primordial, pois os familiares sofrem muito com o TOC, e normalmente fazem qualquer coisa para tentar restabelecer a tranqüilidade, isso motiva a contribuir para a realização das compulsões. A família, também, precisa conhecer o funcionamento do transtorno para comprometer-se com o tratamento, sendo orientada a não rotular e não auxiliar na execução dos rituais. Algumas vezes, pode-se identificar outras dificuldades na vida da pessoa que influenciam a manutenção das obsessões e compulsões e tais questões são tratadas conjuntamente.

Alguns filmes que abordam o TOC e que recomendo.

Percebe-se que quando a pessoa procura ajuda, sua vida está muito comprometida, em função das limitações impostas pelas obsessões e compulsões. Então, uma meta importante é auxiliá-la a retomar a direção de sua vida. Para isso, a psicoterapia comportamental deve ensiná-la habilidades que a levarão ao resgate das relações interpessoais satisfatórias, bem como projetos profissionais. Assim, a vida da pessoa não será somente o TOC, a pessoa deixará de viver em função dos seus comportamentos compulsórios e reconduzirá sua vida de maneira mais assertiva.

Fonte: Inpa/AD

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744


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