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Carnaval – Controle e equilíbrio entre o real e a fantasia.

Dizem que na Bahia é carnaval o ano inteiro, mas nos dias do reinado de Momo a folia, as cores, as fantasias, as músicas e as pessoas, ganham um brilho ainda mais especial. Durante todo o ano são festas, ensaios, praias, alegrias e muita farra, mas as pessoas costumam dosar e associar tudo isso às obrigações cotidianas, seja através dos compromissos familiares, escola, trabalho ou faculdade.

Veja só que interessante: falamos que durante o ano a música, a praia as festas e farras precisam ser dosadas em função das obrigações do dia a dia. Isso nos faz lembrar que nosso comportamento é controlado por regras. Mas o que significa isso? Significa que nossa sociedade, nossa cultura, as instituições que pertencemos (família, trabalho, faculdade, religião), todas elas possuem regras que devemos seguir se quisermos ser bem sucedidos nesses ambientes. Até nós mesmos temos nossas autoregras (não posso, não gosto, não quero…), enfim, vivemos a maior parte do tempo tentando equilibrar todas essas possibilidades de comportamento e muitas vezes ficamos privados de algum deles (tenho que escolher entre ir à praia ou estudar para a prova, por exemplo).

Sentir-se privado de algo que lhe faz bem ou que você deseja, muitas vezes desencadeia uma série de comportamentos e sentimentos como: frustração, ansiedade, raiva, angustia… Imagine um ambiente onde todas as regras são flexibilizadas ou deixam de existir. Se o ambiente que você imaginou se aproxima das configurações do carnaval que conhecemos, já temos algumas pistas do porque muitas pessoas fazem uma “suspensão temporária do real” durante o carnaval.

 

Ano passado assisti o prefeito e o governador entregando as chaves da cidade e do estado ao Rei Momo e fiquei pensando sobre a representação desse ritual. Com esse gesto, inconscientemente, as pessoas podem pensar que “tá tudo liberado, quem tá no comando agora é o rei da folia” e com isso se apegam e se entregam completamente ao espírito carnavalesco, esquecendo que todas as formas de controle ainda estão presente nas mais variadas situações. Há que se pensar também em dois outros elementos presentes no carnaval: a fantasia e a utilização de bebidas e outras drogas, também contribuem pra a “suspensão temporária do real”.

Hoje, embora a fantasia tenha perdido espaço para outros adereços da folia, ainda encontramos muitos foliões que preservam a tradição da fantasia no carnaval, além dos blocos de travestidos e iniciativas que estimulam o resgate das tradições momescas. Nesse sentido, a fantasia pode cumprir a função de trazer à tona desejos que foram privados em outros momentos. Como a fantasia se opõe à realidade, é compreensível que muitos se desprendam do mundo real controlado por determinadas regas e viva intensamente aquele momento e aquela fantasia. Outro aspecto que devemos evidenciar é a utilização de bebidas alcoólicas e outras drogas durante a folia. Essas substâncias, dentre outros efeitos, provocam uma redução da censura e um maior desprendimento dos controles pessoais e sociais, o que favorece um desligamento ainda maior “do mundo real”.

É interessante pensar que ainda contamos com ambientes como o carnaval pra extravasar ou experimentar determinados comportamentos e emoções. Contudo, é interessante também não perdermos de vista o nosso próprio controle para que, no calor da folia, não façamos algo que possamos nos arrepender ou até mesmo nos deixar com sentimento de culpa no futuro. O legal é sempre pensar nas consequências dos nossos comportamentos. Todos nós somos livres para nos comportar, mas todos os nossos comportamentos são passíveis de controle ou de punição social. Como diz Skinner: “sou livre à medida que controlo as condições que me controlam”. Por isso, mesmo que seja por uma fração de segundos, reflita sobre seus comportamentos e as consequências que eles terão na sua vida e na vida das outras pessoas. Se a resposta for “vá em frente”, aproveite o momento e assuma as consequências do seu comportamento.

Bom carnaval a todos.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Geração Canguru – Jovens adultos que prologam a convivência na casa dos pais.

As relações familiares são sempre delicadas e precisam ser administradas com cautela. O convívio entre pais e filhos, mudou significativamente nos últimos anos e, em muitos casos, tem sido possível identificar um fenômeno popularmente conhecido por “geração canguru”. Esse fenômeno caracteriza‐se por um prolongamento da convivência familiar, na qual jovens adultos que já concluíram a graduação universitária, possuem condições de independência financeira e de terem sua própria moradia, mas continuam morando na casa dos pais. O termo “canguru” é utilizado numa comparação desses jovens com o filhote do animal símbolo da Austrália que se agarra à bolsa protetora da mãe.

Em vários momentos da vida pais e filhos se questionam sobre até quando devem viver sob o mesmo teto e isso pode gerar conflitos entre os membros da família. Para se ter ideia, antigamente, os meninos – e principalmente as meninas – só deixavam a casa dos pais para casar, pois os padrões familiares da época impunha essa condição. A partir dos anos 60, morar sozinho tornou-se um sonho de consumo dos adolescentes, pois era uma das maneiras de ter liberdade e viver as próprias aventuras. Hoje, devido a influências da modernidade, esses modelos não são mais frequentes. Algumas pesquisas indicam que mais da metade dos jovens não desejam sair da casa dos pais, pois em tempos de liberdade total, não faz mais sentido ter que se mudar para experimentar mais liberdade. Mas será que isso funciona bem em todas as famílias? Nem sempre, cada caso deve ser visto de forma individualizada levando em consideração o contexto de cada um.

Com a chegada da fase adulta, experimentar a autonomia e a sensação de ter a própria casa, sobretudo imprimir nela sua identidade e hábitos próprios, casando ou morando sozinho, pode ser fundamental para a pessoa construir sua independência e maturidade pessoal. Porém nem sempre os jovens e os pais vêem a situação dessa forma e vários motivos podem estar relacionados a este processo. Podemos citar, por exemplo, as exigências da sociedade em que vivemos, onde a felicidade está atrelada à posse de bens materiais e, por isso, muitos jovens adultos acabam retardando a saída da casa dos pais para poder poupar um pouco mais antes de alçar seus próprios voos. O risco deste modelo é a perda do limite entre o ideal e o possível, além de denotar uma vulnerabilidade frente às exigências da sociedade.

Outro ponto é a dependência emocional: tanto por parte dos pais quanto dos filhos. Alguns pais deixam (e desejam) que o filho permaneça em sua casa, temendo a separação e a distância. Muitos pais tentam suprir a ansiedade e a preocupação em relação ao filho controlando-o, e mantê-los sob vigilância acalma esses pais. Há os filhos que receiam encarar um lar solitário ou que ficam inseguros diante da perda da proteção direta dos pais. Isso pode significar lacunas no desenvolvimento pessoal tanto dos pais quanto dos filhos e pode demandar suporte extrafamiliar para encarar com mais facilidade as fases de desenvolvimento da vida. Em outros casos, os filhos podem optar por não trabalhar para se dedicar aos estudos. Investem na graduação, pós e mestrado para depois pensar em trabalhar, comprar seu próprio apartamento e sair da casa dos pais.

Obviamente todas essas situações podem ser encaradas de forma muito natural e sem prejuízos em algumas famílias, mas isso não é uma regra. Na maioria dos casos pode ocorrer acomodação tanto dos pais quanto dos filhos e acarretar prejuízos para todos. Observe que listei acima algumas razões que podem levar o jovem a prolongar sua estadia na casa dos pais. Em cada uma delas podemos verificar que pelo menos um dos envolvidos pode estar satisfeito com a situação, por exemplo: a mãe que é super protetora, sente se bem em ter o filho sempre sobre sua guarda ou, ainda, o filho que para poupar uma grana prefere morar na casa dos pais. Se isso for combinado e todos sentirem-se confortáveis com a situação, tudo bem. Agora imagine uma situação onde o filho deseja casar, morar só, mas vive sendo contagiado emocionalmente pelos pais, ou então se os pais sentirem se lesados por ter que bancar despesas de um filho que pode se manter sozinho? Se isso ocorrer, retardar a saída certamente pode trazer consequências ainda mais graves.

Analisar os efeitos da vida moderna e das constantes exigências da sociedade na vida pessoal de cada um, sobretudo na relação familiar, é muito importante para compreender e encontrar melhores formas de agir diante dos fenômenos. Na geração canguru, muitas vezes encontramos casos de jovens com a síndrome de Peter Pan, ou seja, que têm medo de crescer, pois não se sentem preparados para encarar a vida adulta. Em todo caso essa é uma situação muito preocupante, pois, pode gerar prejuízos não só no desenvolvimento pessoal quanto profissional. O ideal é que cada fase seja vivida de forma natural e sem prejuízos aos demais envolvidos. Lembrando que devemos levar em consideração as vantagens da modernidade em nossas vidas, mas, sobretudo, devemos ficar atentos para as consequências que esta modernidade traz para todos nós.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Ato falho

Sabe quando você diz algo que não devia ter dito? Ou, desatento, faz algo e depois descobre que aquele aparente engano parece querer dizer algo?


Imagine a seguinte situação: José está num ponto de ônibus aguardando ansiosamente o transporte, pois já está super atrasado para a faculdade. De repente outro ônibus para no ponto e neste está um rapaz que José considera arrogante e falso. O rapaz avista José e acena dando um tchauzinho. José pensa: “que cara-de-pau” e resolve acenar também só que ao invés do gesto planejado aponta para o rapaz o dedo com um gesto obsceno. Situação embaraçosa, não é verdade? E a menina que depois de um beijo hiper apaixonado abraça o namorado e diz: “Eu te amo, Rafael”, quando na verdade o nome dele é Lucas?!

Claro que todos nós cometemos falhas. Porém, em determinadas condições como stress emocional, dúvida, medo e cansaço, estas falhas parecem ocorrer com mais frequência, além de possuir uma função ou significado que diz algo muito importante para o contexto e para a análise do comportamento. Esses deslizes são chamados de atos falhos!

Para compreender melhor um ato falho na análise comportamental, vamos fazer o seguinte exercício: pense primeiro em um malabarista. Veja que ele está manipulando vários objetos ao mesmo tempo. Agora se esses objetos forem mais pesados ou de formas diferentes, ou ainda, se tiver alguém distraindo o malabarista, se ele estiver cansado ou não dormiu bem na noite anterior, certamente a chance dele cometer uma falha será muito maior. O ato falho ocorre por motivo parecido com a falha do malabarista: sobrecarga. Dizemos que a pessoa está sob controle de vários estímulos: “acho aquele cara chato e arrogante, mas ele pensa que é meu amigo e tenho que cumprimentar para não pegar mal”; “Namoro o Lucas, mas amo mesmo é o Rafael”. De repente essas informações saem do controle e uma delas termina escapando.

Cometer um ato falho seria, portanto, um problema relacionado a controle de estímulos associados ao pensamento ou a comportamentos internos que muitas vezes tentamos disfarçar ou esconder para evitarmos más interpretações ou julgamentos. Por exemplo, quando estamos nervosos, ou “com muita coisa na cabeça”, estamos na verdade tentando controlar diversos comportamentos internos (como pensamentos, raciocínios, imaginação, etc). Eventualmente uma falha desse desafiante controle pode ocorrer e a resposta inadequada pode ser emitida.

O ato falho, portanto, é um indicativo de que estamos tentando controlar (sem sucesso) comportamentos conflitantes, cujas respostas associadas concorrem pela emissão. É um comportamento que, conforme os exemplos acima, trás muitas informações adicionais à análise e nos ajuda a compreender melhor o contexto e as situações.

Veja alguns vídeos:

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
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Sentimento de Culpa

No post “você sabe dizer não?” falei um pouco sobre assertividade, um tipo de comportamento que torna a pessoa capaz de agir em benefício de seus próprios interesses, expressando seus sentimentos de forma clara, sincera, sem constrangimentos e sem ferir outras pessoas. Hoje vou falar sobre sentimento de culpa, um oposto do comportamento assertivo, que se instala quando agimos de forma inadequada e acabamos guardando nossos desejos, cedemos às vontades alheias e essas ações nos trazem prejuízos e arrependimentos.

Quando fazemos algo que julgamos inadequado ou que fere convenções morais ou princípios éticos, sejam eles criados por nós mesmos ou pela sociedade, ficamos expostos a possibilidade de sermos punidos. Por exemplo, quando uma jovem afirma: “Não vejo graça nenhuma nesta festa, pois sei que meu pai está aborrecido comigo por eu ter vindo”, ela sente-se culpada, pois sabe que depois vai ter que enfrentar o aborrecimento do pai, as broncas ou até mesmo o corte da mesada. Ou ainda, quando um vestibulando diz: “Não consigo me divertir durante os feriados, pois fico o tempo todo pensando que deveria estar estudando”. Neste caso o sentimento de culpa surge em função da possibilidade dele ser punido com a reprovação no vestibular se seus concorrentes se saírem melhor na prova.

A pessoa que se sente culpada experimenta várias sensações desagradáveis como: raiva de si mesma, preocupação excessiva com a opinião dos outros, mal estar, dificuldade de assumir responsabilidade pelos próprios atos, sente-se rejeitada ou vítima da situação, dificuldade de expressar os reais sentimentos, não consegue dizer “não”, tem baixa autoestima, além de procurar agradar fazendo algo pelos outros e raramente para si mesma. A grande questão é que além de enfrentar todos esses comportamentos que estão atrelados ao sentimento de culpa, a pessoa acha que o erro está nela, o que pode agravar ainda mais a situação. Como procurei mostrar nos exemplos acima a culpa se instala em função de haver um julgamento da ação e possivelmente uma punição caso ela não seja aprovada. Ou seja, o sentimento de culpa não surge pelo fato de ter ido à festa ou está curtindo o feriado, mas sim pelo julgamento e desvio do enfoque da ação, que normalmente considera a pessoa culpada.

Para ficar mais claro vamos pensar o seguinte: o filho faz algo que a mãe não aprova e ela tenta punir verbalmente o filho dizendo: “Estou triste com o que você fez”; “Sua atitude me entristece”; “Não esperava isso de você”… Observe que as verbalizações da mãe tornam o filho responsável pelos seus atos: “por sua culpa, não dormi”; “por sua causa, seu pai brigou comigo”; “você é culpado da minha tristeza”; “você quer matar sua mãe?”; “não aguento mais você”… O filho que se sente culpado não tem uma visão crítica sobre o a função do comportamento da mãe acaba admitindo que seu comportamento (ou, até pior que isso, que é ele) que gera sofrimento na mãe. Como o sofrimento da mãe é algo desagradável, logo, nada mais provável, do que ele reduzir a frequência da ação ou se voltar a fazer, sentir-se culpado por gerar sofrimento à mãe.

Na psicoterapia, o terapeuta pode ajudar a detectar o funcionamento das condições em que o sentimento de culpa se instala, como ela atinge não somente a  pessoa que se sente culpada, mas também as demais pessoas envolvidas no contexto, de forma a avaliar a situação criticamente e ter comportamentos mais adequados e assertivos. Todo esse processo envolve emitir comportamentos que minimizem a possibilidade de punição (autopunição ou punição por terceiros) e aumentar a probabilidade de sucessos de seus atos. O terapeuta procura levar o paciente a reconhecer que emitir comportamentos “inadequados” é fruto do contexto e não de “culpa” ou “responsabilidade” pessoal. Se há algo responsável pelos comportamentos emitidos inadequadamente, certamente perpassam pelo contexto e pelas relações. Por isso, os esforços de mudança devem ser dirigidos para o contexto e para as relações, não especificamente sobre a pessoa de forma particularizada. Como costumamos sempre dizer: “para obtermos respostas diferentes, devemos ter comportamentos diferentes”.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842 7744 - Salvador – Bahia
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Como lidar com a solidão.

É muito comum encontrarmos pessoas preocupadas com a solidão ou em como lidar com ela. Solidão parece estar muito mais relacionada à um sentimento do que à falta real de companhia, afinal, pode-se sentir solidão mesmo estando entre muitas pessoas.

Para analisar em particular cada caso de solidão é importante “mapear” esse sentimento, descobrindo quando ele aparece com mais intensidade, quando é mais fraco, quais são as situações em que ele aparece ou quem está presente ou se ausenta quando ele aparece. Esse mapeamento ajuda a gente a se conhecer melhor e a lidar melhor com os sentimentos. Também podemos procurar meios para fazer coisas que nos façam sentir bem.

A solidão, inevitavelmente nos leva à reflexão sobre os relacionamentos humanos. Muitas vezes colocamos expectativas altas demais em relação às outras pessoas ou interpretamos as coisas que acontecem de uma maneira que nos faz sofrer mais que o necessário. É comum a gente pensar coisas do tipo “o que eu fiz de errado para ser tratado assim?,ninguém gosta de mim!” ou “as pessoas estão sempre com raiva de mim e parecem não notar que existo”… Na realidade, tentemos a não nos concentrar no que aconteceu e buscarmos soluções concretas e esse que deve ser o foco.

Um aspecto interessante a ser lembrado é que nossas atitudes para com as outras pessoas influenciam as atitudes que elas têm com a gente. É uma via de mão dupla, uma troca. Assim como as outras pessoas sinalizam se estão bem ou mal e o que esperam de nós, também determinamos ou damos sinais de como os outros devem agir conosco. Normalmente, damos dicas de que não queremos intimidades ou de que queremos nos aproximar. No entanto, nem sempre sabemos se estamos dando corretamente essas dicas ou se elas estão sendo interpretadas como gostaríamos. Às vezes, é necessário reavaliar a maneira pela qual damos esses sinais aos outros. 

Essa reavaliação pode ser útil para descobrirmos novas formas de interagir com o mundo e buscar estratégias para diminuir a solidão e outros sentimentos ruins e favorecer as condições que trazem mais oportunidades para que os sentimentos bons apareçam.

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Solucionando problemas

Todo mundo tem desejo de melhorar algum aspecto da vida ou de solucionar os problemas que tanto incomodam; seja na vida pessoal, afetiva, profissional ou acadêmica. A técnica de solução de problemas é muito utilizada na psicologia e costuma ajudar bastante a enfrentar os grandes e pequenos problemas do cotidiano.

O primeiro passo dessa técnica consiste em se definir o problema, mas isso não é uma atividade simples. Às vezes a gente não vê claramente o que está nos incomodando e procuramos substituir o verdadeiro problema por um problema mais aceitável pra gente ou para as outras pessoas.

A definição clara de qual é o problema já é 90% de sua solução. Ela é tão importante que convém se dedicar a ela com perseverança e sinceridade. Por exemplo, se não quero ir a uma reunião familiar na qual todos contam com minha presença, posso dizer que não vou porque estou com dor de cabeça. Posso realmente estar com dor de cabeça, mas sei que, se algumas coisas fossem diferentes ou o meu real problema não existisse, eu tomaria um remédio e iria. Nessa situação, o problema não está na dor de cabeça, mas provavelmente está em entrar em contato com alguma coisa desagradável pra mim, como, por exemplo, encontrar um primo que não gosto.

Depois de definido o problema (no caso, estar com meu primo), faz-se um apanhado sobre todas as possíveis soluções, por mais absurdas que possam parecer no momento (posso pensar como solução viajar, mudar de família, colocar uma máscara antes de ir, esperar que o tempo resolva o problema, conversar com meu primo, etc).

A próxima fase é a escolha de uma dessas soluções, tendo como foco a solução que traga mais benefícios e que seja realmente efetiva para resolver o problema. No caso, posso optar por conversar em particular com meu primo e tentar resolver o conflito que deixa nossa convivência difícil.

O último passo é por em prática a solução escolhida. Porém, entrar em contato com o problema não vai ser fácil, mas provavelmente as consequências de enfrentar o problema serão benéficas e contribuirão para que a vida fique mais leve e que o problema seja solucionado. O melhor de tudo isso é que você aprenderá a fazer isso com todos os outros problemas que por ventura surgir na sua vida. Experimente!

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Ciúme

Semana passada um leitor do Blog escreveu pedindo que eu falasse sobre o ciúme, à luz do Behaviorismo Radical. O ciúme é um comportamento humano extremamente comum e universal. De forma geral, podemos dizer que nenhuma pessoa pode afirmar, em sã consciência, que nunca teve ciúme, afinal, naturalmente, nos apegamos às pessoas ou objetos. Porém, muitas vezes, acabamos estabelecendo uma condição de posse ou de propriedade sobre essas pessoas ou objetos; e aí se instala o ciúme. Nesses casos, o ciúme pode ser entendido como um conjunto de emoções e sentimentos que tem a função de explicitar a ameaça à estabilidade e/ou qualidade de um relacionamento, chegando a apresentar certa dificuldade na distinção entre o normal e o patológico.

O ciúme se traduz em padrões comportamentais como as buscas frenéticas de confirmações, questionamentos constantes, proibições, brigas, choros, chegando a ações agressivas e violentas, gerando dor, raiva, tristeza, medo e baixa autoestima; além de ocasionar reações físicas como taquicardia, falta de ar, excesso de salivação ou boca seca e aperto no peito. A manifestação de ciúme mais comum é dentro de um relacionamento afetivo-amoroso seja entre namorados ou casais. Porém, podemos observar o ciúme também entre irmãos, ciúme dos pais, professores colegas de trabalho, amigos e até de objetos.

Existem várias definições de ciúme, mas em comum 3 elementos:

1) Ser uma reação a uma ameaça percebida;
2) Existência de um rival real ou imaginário;
3) A reação visa eliminar os riscos da perda do objeto amado.

Uma dica importante para enfrentar o ciúme é entender a função que este tem no relacionamento, descobrir o que o mantém, além de dialogar para encontrar soluções. Também é importante não reforçar este comportamento. Sem perceber (ou por não saber o que fazer), muitas vezes, a pessoa acaba reforçando o comportamento “ciumento” ao, por exemplo, dizer frases como: “você fica linda ciumenta”. Em médio prazo a pessoa ciumenta faz uma ligação entre seu comportamento ciumento e os reforçadores que obtém com este comportamento. Portanto, as chances do ciúme ser mantido e aparecer mais vezes é muito maior.

Mesmo sendo considerado por muitos como normal, o ciúme é um comportamento negativo em qualquer relacionamento porque provoca desconfiança, insegurança e instabilidade no relacionamento. Enquanto o ciúme dito normal seria transitório, específico e baseado em fatos reais, o patológico seria uma preocupação infundada, constante e absurda.

Quem sente ciúme patológico tem a compulsão de verificar constantemente as suas dúvidas, a ponto de se dedicar exclusivamente a invadir a privacidade e tolher a liberdade do parceiro. Muitas vezes essas dúvidas são provenientes de fantasias ou má interpretação dos sinais e comportamentos, podendo não ser confirmadas. Nesses casos é recomendada uma psicoterapia para que sejam trabalhadas técnicas de confiança em si mesmo, assertividade, autoestima, podendo em certos casos ser recomendada terapia de casal.

Mas e se o ciúme virar briga, o que fazer? A resposta é delicada. Ao ceder ao ciúme, certamente você estará aumentando a frequência das perguntas, proibições, brigas e perseguições. Se não atender, corre o risco de ter que enfrentar uma briga ainda maior ou mesmo o fim do relacionamento. Antes de tudo, precisamos pensar – mais uma vez – em qual é a função do comportamento ciumento. Talvez antes de virar briga, o procedimento mais assertivo seria expor ao parceiro os motivos de descontentamento, seja do ponto de vista do ciumento ou do ponto de vista do parceiro. É importante conversarem francamente sobre o tema e juntos chegarem a um acordo sobre as situações que despertam ciúmes e suas consequências deste para o relacionamento. Nestes casos é importante a ajuda de um psicólogo para intermediar e contribuir na discussão; e nos casos de agressão, é necessário tomar as medidas legais adequadas.

Elídio Almeida
Psicólogo| CRP 03/6773
elidioalmeida.wordpress.com

Você sabe dizer “NÃO”?

Muitas pessoas encontram dificuldade para expressar suas vontades, posicionar-se diante de alguma questão e, principalmente, dizer não à maioria das situações. Pessoas assim vivem cheias de inibições, cedendo às vontades alheias, guardando seus desejos dentro de si e negando suas próprias vontades em detrimento da vontade dos outros.

Por um motivo ou por outro, as pessoas estão sempre diante de situações onde precisam tomar decisões: fazer um favor, emprestar dinheiro ou o carro, ir a uma festa, comprar algo…  Dia desses uma cliente me falou o quanto sofria em seu trabalho por sua chefe sempre pedir pra ela ficar até tarde para poder terminar determinada tarefa, o que a levou até a perder o aniversário de um afilhado; tudo isso porque ela não conseguia dizer “não” e expressar seus sentimento: “Por um motivo ou outro, ninguém podia ficar até mas tarde. Quando me perguntavam, não conseguia negar.” Pessoas com esse comportamento tendem inicialmente a se sentir feridas e ansiosas e, a longo prazo, com raiva de si e das outras pessoas.

Nas psicoterapia, este tipo de dificuldade é superado com o desenvolvimento de um repertório comportamental mais assertivo. Ser assertivo significa tornar-se capaz de agir de maneira a garantir seu próprio interesse e se afirmar diante das situações sem se sentir ansioso ou culpado e sem agredir as outras pessoas. Em outras palavras, é aprender a expressar sentimentos sinceros sem constrangimento e exercitar seus próprios direitos sem negar os direitos das demais pessoas envolvidas na situação.

Para emitir comportamentos assertivos, dizendo não na hora certa e de maneira correta (sem ser agressivo) é preciso dizer o que está errado, por isto e por aquilo, desvinculando a idéia de que estar errado ou negar-se a alguma coisa é inadequado. Ou seja, precisamos saber que podemos dizer não, sem medo de perder ou magoar as pessoas. Quando ocorre o contrário, surgem sentimentos como medo, ansiedade, insegurança, e, principalmente, baixa auto-estima..

A assertividade envolve a defesa dos direitos pessoais e a expressão de pensamentos, sentimentos e crenças de formas direta, honesta e apropriada, e que não desrespeita os direitos de outras pessoas. “A mensagem básica é: ‘isto é o que eu penso, isto é o que eu sinto e esta é a maneira como eu vejo esta situação’.”

Como são as pessoas assertivas:

1) Acreditam profundamente no que dizem; são espontâneos e calmos.

2) Conhecem seus direitos e os direitos dos outros.

3) Conhecem seus limites e os respeitam.

4) Não permitem que controlem suas vidas e também não são agressivos.

5) Sabem o quanto podem recuar e quando impor limites.

6) São diretos no que dizem; falam de forma clara e com postura firme.

7) Agem objetivamente; são diretos e práticos.

Dicas:

1) Leia textos referentes aos direitos humanos e cidadania.

2) Comece a observar como as pessoas assertivas ao seu redor se comportam. Pergunte como se sentem e quais são as vantagens e desvantagens a curto e longo prazo de serem dessa forma.

3) Aguçe a capacidade de auto-observação e de identificação dos comportamentos socialmente aceitos.

4) Em alguns casos a psicoterapia pode ser mais eficaz e acelerar o processo de aprendizagem do treino das Habilidades Sociais.

Elídio Almeida
Psicólogo – CRP 03/6773


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