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ANORGASMIA: ausência de orgasmo feminino na relação sexual.

Anorgasmia é o nome dado à ausência do orgasmo feminino na relação sexual. Sua principal característica é a inibição do orgasmo, podendo estar relacionado com fatores biológicos e/ou psicológicos, atingindo basicamente três perfis: 1) quando a mulher nunca atingiu; 2) quando acontece em determinadas situações ou 3) total, quando nenhum estímulo é capaz de fazer a mulher chegar ao orgasmo. Em todos os casos ela pode vivenciar as outras fases do ato sexual, como o desejo e a excitação, porém sente um bloqueio no momento do clímax.

O que causa isso?
A anorgasmia têm diversas origens. Dentre os fatores que levam a tal quadro, destacam-se de forma praticamente integral os aspectos psicossociais que vão desde abuso ou violência sexual durante a infância até a falta de conhecimento do próprio corpo. A questão orgânica tem menor relevância. Segundo pesquisas, contemplam apenas 5% dos casos.

Os fatores psicossociais mais frequentes são: falsas crendices, falta de informação, tabus, religião, regras e auto regras que supervalorizam a sexualidade e o desempenho sexual, medos, experiências traumáticas, falta de intimidade com o próprio corpo e/ou com o parceiro, inexperiência, culpa, ansiedade, depressão, tensão corporal, educação sexual rígida e inadequada, desinteresse, insatisfação corporal, baixa auto-estima, excesso de contenção, estresse cotidiano e a rotina no relacionamento, dentre outros.

As causas orgânicas podem estar relacionadas com doenças de outras categorias, má-formação congênita (que pode impedir o acesso ao clitóris), hipertrofia dos pequenos lábios (que pode encobrir o acesso à vagina), desníveis hormonais, além do uso imoderado de álcool, drogas psicoativas, dentre outras.


Tratamento:
O tratamento para a anorgasmia varia de acordo com cada caso, mas basicamente é feito através da psicoterapia que cria condições para que a pessoa se conheça mais, aumentando a auto-estima e segurança, facilitando a comunicação entre o casal. O enfoque principal é combater a ansiedade existente, desmistificando falsas crenças e trabalhando os aspectos psicológicos que não permitem um completo funcionamento corporal.

No tratamento, propõe-se que a mulher desenvolva ferramentas psicológicas que contribuam para liberar emoções e/ou fantasias que podem estar bloqueando o orgasmo, possibilitando, assim, viver a espontaneidade de sentir prazer. Para tanto, a psicoterapia pode estar baseada numa terapia individual (mais frequente), terapia de casal ou, ainda, no conjunto dos dois processos.

A terapia individual cria condições para ampliar o autoconhecimento e possibilitar o prazer consigo mesma, a partir de um aprendizado sobre como é construído tal sintoma. Ou seja, o que esse quadro tem a contar sobre a pessoa, sobre a sua forma de funcionar na relação e com o meio. É na terapia, portanto, que se revê falsos conceitos e se fornece orientação, possibilitando novas perspectivas.

A terapia de casal facilita a comunicação do mesmo, além de mediar um conhecimento maior sobre o funcionamento da relação, ajudando a descobrir, entre outros fatores, de que forma o casal interage em sua vida cotidiana, e como isto se reflete na dinâmica sexual.

Embora seja menos comum, o homem também está sujeito ao mesmo problema e, basicamente, atravessa as mesmas causas e tratamento.

Se você tem alguma dúvida, crítica ou sugestão clique AQUI e deixe seu comentário.

Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 8842-7744 ou (71) 9208-8587
Salvador – Bahia
elidioalmeida.wordpress.com

Estresse pós-traumático: O impacto da tragédia em Realengo.

Todo país ainda acompanha os desdobramentos acerca do massacre ocorrido no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, na manhã de quinta-feira, 07 de abril de 2011.  No Post “Tragédia no Realengo: o que isso diz sobre nossa sociedade?”, falei sobre a preocupação que devemos ter com o bem estar das testemunhas que sobreviveram a esta tragédia, com os pais que tiveram seus filhos assassinados nesse trágico episódio, alunos, professores, funcionários, amigos e tantas outras pessoas que já testemunharam situações semelhantes, além de toda sociedade que vive hoje o medo e pânico, em função de estar vulnerável à mesma situação.

Desde as primeiras notícias do caso, muitas pessoas têm me perguntado quais são os impactos que esse massacre pode causar às pessoas que testemunharam, ou de alguma maneira, se veem na mesma situação de vulnerabilidade daqueles alunos, professores, funcionários da escola, pais e responsáveis. Lógico que os impactos serão os mais desagradáveis possíveis, mas vão ocorrer em função da história de vida de cada pessoa, ou seja, a maturidade, os apoios familiares, afetivos, sociais e o contexto em que ela vive. Todavia, dada a magnitude do que aconteceu, no geral, as pessoas poderão desenvolver alguns transtornos como: aversão a qualquer coisa ou circunstancia que lembra o episódio traumático, fobias diversas, pânico, medo, comportamentos persecutórios e delirantes, introspecção, dentre outros. É possível dizer que todas elas enfrentarão algo que chamamos de estresse pós-traumático.

O transtorno do estresse pós-traumático, ou também conhecido como TEPT, pode ser ilustrado pelo terrível massacre que ocorreu no Realengo, mas em outras ocasiões ele acontece quando uma pessoa vivencia um trauma emocional que causa grande impacto em sua vida. É bom destacar que esse grande impacto é muito relativo e varia de pessoa para pessoa. Observe que falamos acima de pessoas que estiveram frente a frente e sobreviveram aos ataques de um assassino. O mesmo transtorno ocorrer com uma pessoa que sofreu uma tentativa de assalto, sequestro ou esteve frente a frente com um animal peçonhento, uma cobra, por exemplo. Esses traumas incluem, ainda, catástrofes naturais, agressão física, estupro, acidentes… e o trauma geralmente está relacionado a uma ameaça real (ou imaginária) à vida ou integridade física e psicológica da pessoa.

Existem alguns fatores que facilitam o desenvolvimento do transtorno do estresse pós-traumático- TEPT:

- O tipo de personalidade pode ter influência;

- Como se aprendeu a lidar com situações estressoras durante a vida;

- A forma como a pessoa lida com as dificuldades da vida;

- Ter pouca habilidade de resolver problemas;

- Estar constantemente exposto a situações de risco.

O TEPT afeta a pessoa como um todo, trazendo perturbação, sofrimento e prejuízos significativos em muitas áreas da vida sejam na vida pessoal, social e também profissional. O transtorno do estresse pós-traumático provoca sintomas fisiológicos, emocionais e comportamentais, sendo que na maioria das vezes eles ocorrem interligados ou simultaneamente.

E o que sente uma pessoa que está com transtorno do estresse pós-traumático?

É importante destacar que as pessoas que passam por eventos traumáticos podem ou não desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Todavia, as que o desenvolvem, podem começar a perceber seus sintomas logo após o evento ou ainda demorar até 06 meses para começar a apresentá-los. Estes últimos são como as pessoas costumam dizer “Ainda não caiu a ficha”.

O próprio caso dramático ocorrido em Realengo pode nos trazer significativas aprendizagens para lidar com o estresse pós-traumático. Li uma reportagem onde sugeriram diversas ações para ajudar os alunos, familiares e comunidade a superar o trauma. Dentre as sugestões estava: transferir os alunos para outra escola, retardar as aulas, pintar a escola com cores alegres… Nada disso contribuíria para ajudar efetivamente essas pessoas. Não dá pra colocar tudo que aconteceu embaixo do tapete e negar a existência do passado, por mais terrível que ele seja. Toda pessoa que foi afetada por um evento traumático deve ser acompanhada por profissionais, ser apoiada e encorajada a encarar os fatos com o máximo de transparência possível. Todos precisam enfrentar esse medo pouco a pouco até, a superação, para que ele não se transforme num fantasma e seja reconstruído em outros contextos.

Gostei muito e endosso as palavras do sargento Marcos Alves: “Continuem nessa escola. Não abandonem essa escola. Aqui é que vocês vão encontra forças para superar essa dificuldade que nos passamos”. Falou e disse sargento! Sabemos que encarar uma realidade cruel como esta não será fácil, mas se, além da força de vontade, pudermos contar com orientações e acompanhamentos eficazes, tudo será mais fácil e menos danoso.

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Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
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Salvador – Bahia
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